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MADRID 5 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, acusou nesta sexta-feira as autoridades do Irã de utilizarem seu país como “moeda de troca” nas negociações com os Estados Unidos, o que considerou “inaceitável”, e defendeu as negociações com as autoridades israelenses em detrimento de “soluções militares”, garantindo que estas “nunca” proporcionarão proteção às populações do norte de Israel.
“Estão usando o Líbano como moeda de troca em suas negociações com os Estados Unidos. Isso é inaceitável”, afirmou durante entrevista concedida à rede de televisão americana CNN, na qual lembrou a Teerã que o Líbano “não é seu país” e que “não é função deles interferir” nele.
O presidente manifestou sua “rejeição” à pretensa proteção do Irã sobre o Líbano, alegando que “eles estão matando” os libaneses e “destruindo” suas casas. “O Hezbollah deve entender que não há outra maneira a não ser sentar-se para conversar, não há outra forma de resolver este problema e salvar o que resta, a não ser por meio da negociação e da diplomacia (com Israel)”, defendeu.
Nesse sentido, Aoun garantiu que as autoridades libanesas estão “preparadas, dispostas e comprometidas” com o diálogo com o país vizinho. "Estamos fartos das guerras, mas vocês devem demonstrar vontade e compromisso para pôr fim a esta guerra, pelo bem de ambos os povos e de ambos os lados da fronteira", afirmou.
Assim, ele perguntou aos israelenses se eles querem viver em uma “guerra perpétua”. “Vocês não estão cansados da guerra desde 1948? Vocês realmente querem viver em paz? Vamos sentar para conversar. Para o governo israelense, chegou a hora de o poder da razão prevalecer sobre a razão do poder”, reclamou, ao mesmo tempo em que defendeu que “as soluções militares nunca proporcionarão segurança e proteção à população do norte” de Israel.
Aoun não descartou se reunir com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, embora tenha condicionado qualquer encontro a um acordo para pôr fim às hostilidades em ambos os lados da fronteira.
Suas palavras vêm depois que delegações do Líbano e de Israel realizaram esta semana uma rodada de conversações em Washington, a quarta desde março, sem que isso tenha posto fim aos bombardeios do Exército israelense sobre território libanês nem ao lançamento de projéteis por parte do Hezbollah.
Desde 2 de março, dia em que as partes retomaram os combates, mais de 3.500 pessoas morreram e 10.800 ficaram feridas no Líbano, enquanto em Israel 28 soldados perderam a vida.
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