Europa Press/Contacto/Hashim Zimmo, Hashem Zimmo
MADRID 3 jun. (EUROPA PRESS) -
A ONG Anistia Internacional (AI) anunciou nesta quarta-feira que se une à denúncia apresentada contra a filial na Bélgica do grupo norte-americano de entregas e logística FedEx por suposto trânsito ilegal de armas, que incluiria peças dos caças F-35 utilizados por Israel “em seu genocídio em curso contra a população palestina da Faixa de Gaza ocupada”.
Foi o que anunciou a AI em um comunicado informando sobre sua participação em uma coalizão de organizações da sociedade civil — entre as quais figuram a Vredesactie, a Liga dos Direitos Humanos e a Coordenação Nacional de Ação pela Paz e pela Democracia — que apresentou uma denúncia criminal contra a FedEx Bélgica perante o Ministério Público de Liège, na região belga da Valônia.
“Os caças F-35 são os mais avançados de sua classe na Força Aérea Israelense e têm causado morte e destruição generalizadas, arrasando gerações inteiras de palestinos e palestinas e reduzindo a escombros a maior parte da Faixa de Gaza”, afirmou a diretora da Anistia Internacional Bélgica, Carine Thibaut.
Salientando que “o genocídio que Israel está cometendo requer um reabastecimento constante de armas”, ela afirmou que “todos os Estados, incluindo a Bélgica, têm o dever de prevenir e punir o genocídio e de não contribuir para a ocupação ilegal de território palestino, o que exige que ponham fim imediatamente a qualquer transferência ou trânsito de armas suscetíveis de serem utilizadas para cometer crimes de Direito Internacional”.
A ONG, citando informações coletadas do site da FedEx, indica que “em outubro de 2024, uma carga sujeita ao Regulamento sobre Tráfico Internacional de Armas dos Estados Unidos foi transportada pela FedEx da base da Força Aérea em Hill (Utah) até a base aérea militar de Nevatim, em Israel”.
Em seguida, ela cita declarações da empresa em junho de 2025, nas quais se indicava que “certas rotas de voo da FedEx” haviam sido “modificadas com pouca antecedência por motivos operacionais” devido ao fechamento do espaço aéreo israelense durante a guerra entre o Irã, Israel e os Estados Unidos naquele mesmo mês e que, como consequência disso, “determinadas mercadorias sujeitas ao Regulamento sobre Tráfico Internacional de Armas poderiam ter passado por Liège acidentalmente”.
Segundo a Anistia Internacional, “a remessa foi descarregada no aeroporto de Liège e transportada por rodovia até o aeroporto de Colônia (Alemanha) para seguir em direção a Israel”.
"Estamos preocupados com o padrão que está se manifestando, segundo o qual as autoridades da Bélgica e da Valônia não estão adotando mecanismos para regular eficazmente o trânsito de armas", declarou Thibaut em um comunicado que remete a mais informações na mídia sobre o suposto trânsito ilegal de mercadorias no aeroporto de Liège.
Diante dessa situação, a diretora da AI na Bélgica afirmou que, por meio da denúncia mencionada, a organização espera “impedir que continue o tráfego ilícito de armas pela Bélgica com destino a Israel e garantir a prestação de contas”. “É inaceitável que multinacionais como a FedEx desrespeitem as normas quando lhes convém. Elas não estão acima da lei”, acrescentou.
“Este caso ocorre em um momento de intensificação da pressão sobre governos e empresas da União Europeia (UE) para que passem de condenar os fatos a tomar medidas essenciais para pôr fim ao genocídio em curso por parte de Israel contra a população palestina na Faixa de Gaza ocupada, sua ocupação ilegal de todo o território palestino ocupado e seu cruel sistema de 'apartheid' contra todos os palestinos cujos direitos controla", destacou Thibaut.
Nesse sentido, ele reivindicou que "a dignidade humana não é uma mercadoria" e que "Estados, empresas e muitos outros devem pôr fim ao seu vício letal por lucros e benefícios econômicos a qualquer preço".
Na mesma nota, a Anistia Internacional afirma ter entrado em contato com a FedEx Bélgica a respeito desses fatos, tendo recebido a seguinte declaração de um porta-voz da empresa: “A FedEx tem o compromisso de cumprir as leis e normas aplicáveis. Não realizamos remessas internacionais de armas e munições e temos procedimentos de controle rigorosos para evitar tais remessas”.
Nesse contexto, a ONG fez um apelo a “todos os Estados para que imponham um embargo total de armas a Israel, incluindo todas as armas e componentes, materiais e tecnologia suscetíveis de permitir que Israel continue seu genocídio da população palestina em Gaza, bem como sua ocupação ilegal e seu sistema de ‘apartheid’, incluindo materiais de vigilância e controle policial”.
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