Publicado 13/02/2026 23:46

A Anistia Internacional insta os governos que solicitam a renúncia de Francesca Albanese a reconsiderarem sua posição.

Archivo - Arquivo - Nápoles, Campânia, Itália: Francesca Albanese, especialista em direito internacional com foco em direitos humanos e Oriente Médio, participa de uma reunião no Instituto de Estudos Filosóficos de Nápoles para discutir o trabalho do Espe
Europa Press/Contacto/Pasquale Gargano/KONTROLAB

O porta-voz de Guterres reitera que os países podem apresentar queixas ao Conselho de Direitos Humanos da ONU e esclarece que ele usou “muitas palavras” após as críticas a Albanese MADRID 14 fev. (EUROPA PRESS) -

A ONG Anistia Internacional repreendeu nesta sexta-feira os governos da Alemanha, França, Itália, República Tcheca e Áustria por criticarem a relatora especial das Nações Unidas para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, e até mesmo pedirem sua demissão, após a polêmica surgida esta semana por suas palavras — distorcidas, segundo sua versão — sobre a atuação de Israel na Faixa de Gaza.

“É censurável que os ministros da Áustria, República Tcheca, França, Alemanha e Itália tenham atacado a relatora especial das Nações Unidas para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, com base em um vídeo deliberadamente adulterado para deturpar e interpretar erroneamente suas mensagens, como fica claro ao ver seu discurso original na íntegra”, afirmou a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard. Os governos da França, Alemanha e República Tcheca pediram abertamente que Albanese renunciasse ao cargo, enquanto o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, classificou seu comportamento como “inadequado”. Por sua vez, a ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, acusou a relatora de difundir “discursos de ódio” em uma mensagem nas redes sociais que posteriormente foi apagada. “Os ministros que divulgaram desinformação devem ir além de simplesmente apagar seus comentários nas redes sociais, como alguns fizeram. Devem pedir desculpas publicamente e retirar qualquer pedido de demissão de Francesca Albanese. Os seus governos também devem investigar como essa desinformação ocorreu para evitar esse tipo de situação”, afirmou Callamard.

Assim sendo, a Anistia Internacional instou os países europeus a serem mais “enérgicos” na condenação dos crimes de Israel, em vez de atacarem um especialista das Nações Unidas, e garantiu que os pedidos de demissão são uma “cortina de fumaça” para “desviar a atenção do genocídio israelense em Gaza”.

A ONU MANTÉM SUA POSIÇÃO O Secretariado-Geral das Nações Unidas reiterou aos países que levem suas críticas ao Conselho de Direitos Humanos da ONU e não quis repetir as declarações feitas ontem sobre as opiniões de Albanese.

“Ontem usei muitas palavras, e aqueles que defendem este tema usarão nossas palavras para reforçar seus próprios argumentos”, afirmou o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, depois de indicar nesta quinta-feira que “não concordamos com grande parte do que ela diz”.

Nesse sentido, ele defendeu que os especialistas designados pela ONU estão protegidos pela imunidade concedida pelo organismo internacional e apoiou a figura dos relatores como “parte fundamental da arquitetura dos direitos humanos”.

Francesca Albanese criticou, em um evento organizado pela rede Al Jazeera em Doha, capital do Catar, as ações de Israel em Gaza sob o olhar do resto dos atores internacionais — países, organismos ou meios de comunicação — e apontou que, “como humanidade, temos um inimigo comum”, em palavras que foram interpretadas como uma referência a Israel.

A relatora defendeu que se referia ao sistema que permitiu “o genocídio na Palestina” e não a Israel como país. “O fato de que, em vez de deter Israel, a maior parte do mundo o tenha armado, dado desculpas políticas, refúgio político e apoio econômico e financeiro, é um desafio”, expressou em seu breve discurso, publicado em suas redes sociais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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