Publicado 31/03/2026 12:44

A Anistia Internacional denuncia que Israel está se dando “carta branca para executar palestinos” com sua nova lei da pena de morte

Archivo - Arquivo - 23 de março de 2023, Jerusalém, Israel: Estudantes marcham do campus da Universidade Hebraica passando pelo Ministério das Relações Exteriores, pela Suprema Corte e pelo centro da cidade durante um Dia de Paralisação nacional. A Comiss
Europa Press/Contacto/Nir Alon - Arquivo

Pede a revogação do que considera uma “demonstração pública de crueldade”

MADRID, 31 mar. (EUROPA PRESS

A Anistia Internacional instou nesta terça-feira Israel a revogar a reforma legal aprovada na véspera pela Knesset, que prevê a aplicação da pena de morte pelo crime de terrorismo, exclusivamente para cidadãos palestinos, alertando que, com ela, as autoridades israelenses estão “dando carta branca para executar palestinos”.

“O Parlamento israelense aprovou a primeira de uma série de leis que ameaçam facilitar o uso da pena de morte, em uma demonstração pública de crueldade, discriminação e absoluto desrespeito pelos Direitos Humanos”, afirmou a diretora de Pesquisa e Campanhas da Anistia, Erika Guevara-Rosas, em um comunicado no qual lembra que a aprovação da chamada Lei da Pena de Morte para Terroristas ocorre “em um momento em que existe uma tendência mundial para sua abolição”.

A ONG, que pediu a revogação “urgente” das emendas votadas nesta segunda-feira, alertou que a reforma legal “desmantela as garantias fundamentais para prevenir a privação arbitrária da vida e proteger o direito a um julgamento justo, e reforça ainda mais o sistema de apartheid de Israel, que se mantém por meio de dezenas de leis discriminatórias contra os palestinos”.

A norma se aplica exclusivamente aos tribunais militares da Cisjordânia, que julgam apenas acusados palestinos, com o que “Israel está se concedendo descaradamente carta branca para executar palestinos”, denunciou Guevara-Rosas, lembrando que esses tribunais “registram uma taxa de condenações superior a 99% para os acusados palestinos e são conhecidos por ignorar as garantias processuais e as garantias de um julgamento justo”. A isso se soma o fato de que a reforma estipula um prazo obrigatório de “apenas” 90 dias a partir da sentença definitiva, acrescenta a ONG.

Guevara-Rosas lembrou também que a lei foi aprovada no mesmo mês em que a Promotoria Militar de Israel retirou as acusações contra cinco reservistas israelenses acusados de violar um prisioneiro palestino no centro de detenção da base militar de Teiman, no sul do país, após sua transferência para essas instalações em julho de 2024. Esse fato “diz muito sobre o grau de desumanização dos palestinos por parte de Israel”, considerou.

“Durante anos, temos testemunhado um padrão alarmante de aparentes execuções extrajudiciais e outros assassinatos ilegais de palestinos, nos quais os autores desfrutam, além disso, de uma impunidade quase total. Essa nova lei, que permite execuções sancionadas pelo Estado, é o ápice dessas políticas”, destacou, após mencionar que o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, que votou a favor da reforma, tem um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) - por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

A Anistia aproveitou para pedir à comunidade internacional que exerça a “máxima pressão” sobre as autoridades de Israel para que revoguem uma lei que considera como “uma das mais extremas do mundo”, lembrando que os condenados à morte não têm direito ao indulto e que, quando isso “for imposto a palestinos dos Territórios Palestinos Ocupados, poderia equivaler também a um crime de guerra”.

Da mesma forma, solicitou pressão para que Israel “abolisse completamente a pena de morte e eliminasse todas as leis e práticas que contribuem para o sistema de apartheid contra os palestinos”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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