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MADRID 25 jun. (EUROPA PRESS) -
A Anistia Internacional denunciou nesta quinta-feira a falta de transparência dos Estados Unidos em relação ao bombardeio à escola de Minab, quase quatro meses após o ataque perpetrado nos primeiros momentos da ofensiva contra o Irã. “Precisamos de respostas agora”, exigiu a organização.
“Já se passaram quatro meses desde o ataque aéreo norte-americano mais mortal contra civis de que se tem memória nos últimos tempos, e não estamos nem um pouco mais perto de obter respostas das autoridades americanas sobre por que isso aconteceu e quem foi o responsável”, denunciou a diretora nacional de Relações Governamentais e Advocacia da Anistia Internacional dos Estados Unidos, Amanda Klasing, sobre o ataque que deixou mais de 150 mortos, entre eles 120 alunos da escola.
Nesse sentido, ela questionou “por que está demorando tanto” a investigação anunciada pelo Departamento de Defesa para esclarecer os detalhes do bombardeio, que ainda não trouxe luz sobre o episódio. “A opinião pública e as famílias das vítimas merecem transparência e prestação de contas, e as famílias devem obter verdade, justiça e reparação”, destacou ela.
Segundo Klasing, nesse período, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez declarações “contraditórias” sobre o incidente, e o Pentágono está “obstruindo” o Congresso. “Os legisladores e a população estão cada vez mais frustrados com a resposta repetitiva do secretário Pete Hegseth e de outros funcionários, que afirmam que o incidente continua sob investigação”, indicou ela, reiterando a falta de explicações por parte do governo norte-americano.
Nesse sentido, a organização exige “respostas agora”, já que o Exército, após quatro meses, teve tempo suficiente “para explicar o que aconteceu”. “O Pentágono deve concluir urgentemente sua investigação e divulgar seus resultados. A investigação deve examinar a coleta e a avaliação de informações de inteligência por parte dos militares, bem como as decisões de seleção de alvos, as precauções adotadas e o uso de inteligência artificial”, concluiu.
A Anistia insiste que, quando houver “provas suficientes”, deve haver prestação de contas e que qualquer pessoa suspeita de responsabilidade criminal seja julgada. “O Pentágono também deve restabelecer as iniciativas de mitigação e resposta a danos causados a civis e garantir o cumprimento do Direito Internacional Humanitário nas operações militares, incluindo o uso de inteligência artificial, para prevenir futuras violações”, acrescentou.
Klasing ressalta que Washington é “responsável” pela morte de 150 civis em um ataque com um míssil guiado e reitera que “não há dúvida de que os Estados Unidos deveriam saber que o prédio era uma escola e não um alvo militar”. Ele relembra, assim, a verificação realizada em conjunto com outras organizações sobre o ataque, destacando que estava claro que, há anos, tratava-se de um centro educacional, portanto, “sem dúvida”, o Pentágono “deveria ter coletado e verificado essas mesmas informações, o que deveria ter levado à decisão de não atacar a escola”.
“Qualquer coisa menos do que isso equivaleria a encobrir uma grave violação do direito internacional humanitário e a trair as vítimas e os sobreviventes desse ataque hediondo”, concluiu.
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