Thomas Hinton / Zuma Press / Europa Press
MADRID 10 set. (EUROPA PRESS) -
Ao completarem-se 25 anos do 11 de setembro, a Anistia Internacional denunciou que os crimes cometidos em nome da “guerra contra o terrorismo” após a resposta dos Estados Unidos aos atentados não foram julgados e que a impunidade e a falta de prestação de contas se tornaram a dinâmica internacional desde então.
Segundo a denúncia da organização, a reação aos atentados da Al-Qaeda “não buscou um mundo regido pela justiça e pelos direitos humanos” e representou um “cheque em branco” para as violações de direitos. “Diante do horror daquele crime contra a humanidade que chocou o mundo inteiro, os governos não optaram por reforçar as regras para nos proteger contra o horror, mas sim por se desligar delas”, lamentou Esteban Beltrán, diretor da Anistia Internacional Espanha.
Beltrán ressalta que a decisão “continua a ter consequências letais 25 anos depois” e lembra que foi autorizado “o uso da tortura nos Estados Unidos em suas operações no exterior”, bem como “as detenções secretas em prisões secretas, assassinatos seletivos, detenções indefinidas por décadas sem acusação, julgamentos sem garantias em tribunais militares e espionagem em massa contra pessoas inocentes”.
Tudo isso, além de desencadear a invasão do Afeganistão e do Iraque pelos Estados Unidos, o que “resultou em muitas outras violações dos direitos humanos”.
“O cheque em branco para cometer violações dos direitos humanos em nome da segurança, concedido na época pelo Congresso a George Bush, continua em vigor hoje com Donald Trump”, acrescentou a Anistia Internacional, que alertou para a erosão da “legalidade vigente em nome de um suposto bem futuro”.
“As atrocidades cometidas naquela época podem ter seu reflexo no mundo atual: a autorização do uso da tortura naquela época se reflete hoje nas execuções extrajudiciais que os Estados Unidos cometem impunemente nos ataques a navios que partem da Venezuela e do Equador”, assinalou Beltrán, lembrando que as aspirações em relação à Groenlândia ou a conivência das empresas de tecnologia nas campanhas militares são reflexos da dinâmica que se iniciou imediatamente após os atentados de 11 de setembro.
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