Europa Press/Contacto/Nasser Ishtayeh - Arquivo
MADRID 17 mar. (EUROPA PRESS) - A ONG Anistia Internacional (AI) condenou nesta segunda-feira o assassinato, ocorrido na véspera na Cisjordânia, de quatro membros de uma família palestina, incluindo duas crianças, pelas mãos do Exército israelense, e solicitou uma investigação independente, uma vez que, segundo os relatos iniciais, poderia tratar-se de uma “execução extrajudicial”.
“Estamos profundamente preocupados com o fato de que as informações e os depoimentos iniciais sugerem que o ataque pode constituir uma execução extrajudicial”, afirmou a diretora regional da organização para o Oriente Médio e o Norte da África, Heba Morayef, por meio de um comunicado.
Morayef pediu uma investigação “urgente e independente” sobre este “terrível ataque” ocorrido na madrugada de domingo na localidade cisjordaniana de Tammun, no qual morreram Alí Jaled Sayel Bani Odé (37 anos), sua esposa Wad Ozman Aqel Bani Odé (35) e seus filhos Mohamad (5) e Ozman (7), quando soldados israelenses abriram fogo contra o veículo da família em que viajavam.
Outros dois filhos do casal, identificados como Mustafa (8) e Khaled (11), sofreram ferimentos na cabeça e no rosto e, segundo a representante da AI, “viverão pelo resto de suas vidas com o trauma de terem testemunhado o assassinato de seus familiares”.
Segundo Morayef, o assassinato da família Bani Odé é o mais recente exemplo do aumento “alarmante” no uso da força contra a população da Cisjordânia por parte dos soldados israelenses, que se passaram por palestinos antes de crivarem de balas o carro em que a família viajava.
Nesse sentido, ela denunciou que o Exército israelense não demonstrou que a família representasse uma ameaça contra suas tropas. Uma primeira versão das Forças Armadas alega que os militares abriram fogo contra o veículo quando perceberam que ele se aproximava em alta velocidade contra uma de suas posições.
Por isso, a AI exigiu que os responsáveis por este e outros assassinatos de palestinos na Cisjordânia prestem contas perante a Justiça, embora tenha apontado o “longo histórico de descumprimento” no que diz respeito à proteção da população da região por parte de Israel como potência ocupante.
“A impunidade diante das violações dos direitos humanos, incluindo crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio, cometidos pelas forças de segurança e pelas autoridades de Israel contra os palestinos, faz parte do cruel regime de apartheid de Israel”, destacou a organização, que denunciou onze assassinatos de civis desarmados pelas mãos de soldados israelenses desde 28 de fevereiro, data em que os Estados Unidos e Israel iniciaram sua ofensiva contra o Irã. O número de palestinos mortos em ataques do Exército ou de colonos israelenses desde 7 de outubro de 2023 é de 1.071, incluindo 233 crianças, segundo dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) coletados pela AI.
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