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A ONG insta os EUA a realizar uma investigação transparente sobre o ocorrido e a levar os responsáveis à justiça
MADRID, 16 mar. (EUROPA PRESS) - A ONG Anistia Internacional afirmou nesta segunda-feira que o Exército dos Estados Unidos “não tomou as medidas necessárias” para evitar o ataque à escola que matou 168 pessoas, entre elas mais de cem crianças, em Minab, no sul do Irã, no contexto da guerra iniciada há duas semanas por Israel.
“Este terrível ataque contra uma escola, com salas de aula cheias de crianças, é um exemplo repugnante do preço catastrófico e totalmente previsível que os civis estão pagando durante este conflito armado”, denunciou a diretora de Investigação da Anistia, Erika Guevara-Rosas.
A Anistia explicou que, até 2016, o prédio da escola Shajare Tayebé fazia parte das instalações da Guarda Revolucionária do Irã localizadas nas proximidades e lembra que o ataque, ocorrido em 28 de fevereiro, além de atingir a escola, atingiu outras doze estruturas desse complexo.
De acordo com sua própria investigação, a Anistia concluiu que as forças americanas podem ter agido com base em relatórios de inteligência “desatualizados” e agido sem cumprir suas obrigações de fazer todo o possível para verificar se o alvo era de natureza militar. “As escolas devem ser locais seguros e de aprendizagem para as crianças. Em vez disso, essa escola de Minab se tornou um local de massacre em grande escala”, lamenta Guevara-Rosas, que destacou que Washington “poderia e deveria ter sabido que se tratava de um prédio escolar”.
Nesse sentido, a responsável pela Anistia alertou que, se os Estados Unidos não identificaram o prédio como uma escola e prosseguiram com o ataque, “isso indicaria uma negligência grave” e “uma falha vergonhosa da inteligência”, bem como “uma grave violação do Direito Internacional Humanitário”.
Da mesma forma, se Washington estava ciente de que a escola ficava ao lado do complexo da Guarda Revolucionária e atacou sem tomar todas as precauções possíveis, “isso equivaleria a lançar de forma imprudente um ataque indiscriminado” que deve ser investigado como um “crime de guerra”, aponta a diretora da Anistia.
Por tudo isso, a ONG exigiu das autoridades americanas uma investigação transparente e independente, que leve em conta como se desenrolou essa operação, enfatizando que os resultados da mesma devem ser tornados públicos e, caso haja provas conclusivas, que os responsáveis sejam julgados. “As vítimas e suas famílias têm direito à verdade”, sublinhou.
No entanto, a Anistia também criticou as autoridades iranianas pela proximidade com que, aparentemente, instalações militares coexistem com centros civis e as instou a retirar a população das imediações dos locais suscetíveis de serem bombardeados. Da mesma forma, repreendeu o Irã pela suposta “exploração” do sofrimento das vítimas, de seus familiares e dos sobreviventes para fins propagandísticos.
MAIS DETALHES DO ATAQUE A Anistia teve acesso a material audiovisual e a fontes no local, bem como a reportagens da mídia, que atestam que foi utilizado um míssil Tomahawk, de fabricação norte-americana, que, como ressalta, é um projétil “utilizado exclusivamente” pelo Exército dos Estados Unidos.
“A escola foi atacada de forma seletiva como parte de um ataque contra outras doze estruturas do complexo adjacente da Guarda Revolucionária do Irã, o que suscita sérias preocupações de que ela possa ter sido alvo do ataque com base em informações de inteligência desatualizadas”, ressalta a organização.
A Anistia Internacional destacou os riscos que o uso da Inteligência Artificial acarreta nesses ataques, uma prática confirmada pelas próprias autoridades militares americanas como uma forma de processar grandes quantidades de dados relacionados às operações.
Para concluir, a organização critica essa “aparente dependência de informações desatualizadas” dos Estados Unidos, aos quais, devido aos meios e à tecnologia de que dispõem, se presume a capacidade necessária para coletar e verificar que o prédio da escola há muito tempo deixou de fazer parte de instalações militares, conforme puderam confirmar os meios de comunicação após o ataque.
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