Publicado 23/09/2025 06:57

Anistia Internacional acusa exército equatoriano de desaparecimentos forçados

Archivo - BEIJING, Jan. 11, 2024 -- Tropas equatorianas patrulham Quito, Equador, em 9 de janeiro de 2024. O presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou na terça-feira um "conflito armado interno" e mobilizou o exército para combater o crime organizado
Europa Press/Contacto/Mateo Armas - Arquivo

MADRID 23 set. (EUROPA PRESS) -

A militarização da segurança pública pelo governo do Equador facilitou o cometimento de desaparecimentos forçados pelas mãos das Forças Armadas, de acordo com a ONG Anistia Internacional, que descreveu como "fracassada" a estratégia promovida pelo presidente Daniel Noboa desde que chegou ao poder.

A organização confirmou pelo menos dez desaparecimentos forçados em cinco operações de segurança em Esmeraldas, Los Ríos e Guayas, três das províncias onde o "Plano Fênix" de Noboa está sendo aplicado. E esses não seriam casos isolados, já que a Procuradoria Geral da República recebeu 43 denúncias semelhantes desde 2023.

Cirilo Minota, de 35 anos, continua desaparecido desde sua prisão em abril, enquanto as autoridades militares negam saber o paradeiro de Dave Loor e Juan Daniel Santillán, de 20 e 27 anos, apesar de várias testemunhas os colocarem sob custódia do exército.

O relatório "Eles são militares, eu os vi" também inclui o caso de dois primos menores de idade, Jostin Álvarez e Jairo Tapia, detidos em setembro de 2024. Jostin reapareceu semanas depois e, após denunciar a tortura e a possível execução de seu primo, desapareceu novamente.

Outro caso que gerou indignação especial no Equador foi o de quatro crianças de Guayaquil, com idades entre 11 e 15 anos, detidas pela força aérea em dezembro. Seus corpos foram encontrados sem vida várias semanas depois.

As Forças Armadas evitam divulgar detalhes de todos esses casos, alegando que são "secretos" ou "informações reservadas", enquanto a Anistia acusou a Promotoria de atrasos nos processos, falhas na custódia de provas ou abertura de investigações sob conceitos legais que não correspondem ao desaparecimento forçado.

CONTRA A "INDIFERENÇA INSTITUCIONAL

A diretora para as Américas da Anistia Internacional, Ana Piquer, advertiu que "a verdade não pode continuar sendo escondida atrás de desculpas militares ou indiferença institucional", pois "cada dia que passa sem que esses crimes sejam esclarecidos é um calvário para as famílias que buscam seus entes queridos".

"As autoridades devem se lembrar de que estamos falando de crianças e jovens cujas vidas foram ceifadas e de famílias que merecem respostas imediatas e justiça real", disse ele, pedindo ao presidente Noboa que reverta "urgentemente" as políticas atuais e garanta a responsabilização.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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