Publicado 01/10/2025 10:15

A Anistia denuncia o uso do estado de emergência pelo governo Bukele para silenciar os críticos

Archivo - Arquivo - O presidente eleito de El Salvador, Nayib Bukele, e a primeira-dama salvadorenha, Gabriela Rodríguez, no Palácio Nacional, em 1º de junho de 2024, em El Salvador (San Salvador). Sua Majestade o Rei viajou para San Salvador, acompanhado
Casa de S.M. el Rey - Arquivo

MADRID 1 out. (EUROPA PRESS) -

A Anistia Internacional advertiu que o governo salvadorenho do presidente Nayib Bukele está usando a extensão contínua do estado de emergência para perseguir vozes críticas e criminalizar os defensores dos direitos humanos.

O estado de emergência - já em vigor há mais de três anos - e as reformas do sistema penal "minaram" o Estado de Direito em El Salvador, que consolidou um modelo que "dá aparência de legalidade" a irregularidades como prisões em massa sem provas e a suspensão de garantias judiciais.

"Em vez de fazer justiça imparcial, o sistema de justiça criminal em El Salvador se tornou uma arma para punir a dissidência e sufocar o espaço cívico", denunciou Ana Piquer, diretora da Anistia para as Américas.

"Defender os direitos humanos ou protestar pacificamente pode custar a liberdade", disse ela. A Anistia advertiu que todas essas novas reformas, em muitos casos, violam os padrões internacionais mínimos.

A nova legislação está sendo usada para processar líderes comunitários, sindicalistas ou protetores ambientais, com base em infrações criminais "amplas e ambíguas", como associação a um grupo ilegal e até mesmo terrorismo.

A Anistia denunciou em julho deste ano a situação de três pessoas que foram detidas arbitrariamente e submetidas a processos judiciais sem as garantias do Estado de Direito: Ruth López, Alejandro Henríquez e José Ángel Pérez, presos, segundo a ONG, por seu trabalho como defensores dos direitos humanos.

SITUAÇÃO NAS PRISÕES

A Anistia denunciou que a situação nas prisões salvadorenhas "continua a ser alarmante". O sistema prisional é caracterizado por confinamento solitário prolongado, superlotação extrema, falta de atendimento médico e risco de tortura, alerta a ONG.

"O confinamento solitário prolongado e as condições desumanas de detenção são parte de uma estratégia deliberada para instilar o medo e quebrar tanto os detentos quanto as comunidades que eles representam", lamentou Piquer, que fala de "um espaço cívico cada vez mais asfixiado".

A Anistia se concentrou na situação de algumas dessas pessoas que continuam detidas de forma irregular, como é o caso do porta-voz da Unidade de Defesa dos Direitos Humanos e Comunitários (UNIDEHC), Fidel Zavala; ou do advogado Enrique Anaya, ambos sob risco de tortura real e tratamento desumano.

Por esse motivo, a ONG pediu ao governo de Bukele que liberte imediatamente todas as pessoas "detidas apenas por exercerem pacificamente seus direitos", bem como que cumpra as medidas cautelares que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) concedeu a algumas delas.

Por fim, a Anistia pede à comunidade internacional que acompanhe de perto o que está acontecendo em El Salvador.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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