Publicado 27/08/2025 20:10

Anistia denuncia a impunidade dos "crimes contra a humanidade" da China em Xinjiang

Pequim "ignora" as recomendações da ONU e adverte sobre a "repressão" contra as minorias étnicas muçulmanas

Archivo - Arquivo - Um homem com a bandeira uigur em um protesto contra crimes na região de Xinjiang.
SACHELLE BABBAR / ZUMA PRESS / CONTACTOPHOTO

MADRID, 28 ago. (EUROPA PRESS) -

A Anistia Internacional (AI) denunciou nesta quinta-feira a "falta de responsabilidade" pelos "crimes contra a humanidade" cometidos pelo governo chinês contra as minorias muçulmanas na região de Xinjiang, uma advertência que chega três anos depois do relatório "histórico" publicado pelas Nações Unidas sobre a situação dos uigures.

"A inação da comunidade internacional três anos depois que a ONU concluiu que a China é responsável por graves violações dos direitos humanos em Xinjiang é vergonhosa", disse Sarah Brooks, diretora da Anistia para a China, em um comunicado.

Brooks, que afirmou que "a crueldade contínua das autoridades chinesas continua a arruinar vidas, separar famílias e desmantelar comunidades", disse que as famílias dos detidos "continuam a buscar a verdade, a justiça e a liberdade para aqueles que sofrem na região uigur".

"Mais um ano se passou sem que nada fosse feito. A comunidade internacional deve honrar os apelos dos sobreviventes e agir agora para acabar com a repressão na região uigur", enfatizou, ao mesmo tempo em que afirmou que o governo chinês continua a "intimidar e silenciar as famílias das vítimas".

A Anistia lembrou que há uma "feroz repressão" contra os uigures, cazaques e outras minorias étnicas, principalmente muçulmanas, na região, localizada no noroeste do gigante asiático.

Em 2022, o relatório da ONU destacou evidências "confiáveis" de violações de direitos humanos supostamente cometidas pela China em Xinjiang contra a minoria muçulmana. Atualmente, há cerca de 10 milhões de uigures em Xinjiang, que é aproximadamente três vezes o tamanho da Espanha. A maioria deles vive no sul do país.

APELO POR MEDIDAS CONCRETAS

Parentes dos detidos em Xinjiang lamentaram o fato de "não terem conseguido atrair a atenção necessária para que haja consequências significativas". Patime, que perdeu um membro da família na prisão e tem outro encarcerado, disse que eram esperadas medidas mais concretas e reais, como "sanções".

"Pensei que, uma vez que a ONU reconhecesse formalmente as atrocidades, os governos seriam forçados a agir de forma mais decisiva.... Não vamos deixar que esse relatório acabe esquecido em uma gaveta", disse ele.

Mamatjan Juma, cujo irmão Ahmetjan continua preso, disse que, sem notícias dele, a vida cotidiana é difícil: "É como viver com uma ferida que nunca cicatriza, porque não sei se ele está bem, se está saudável ou mesmo se está vivo.

"Perdemos aniversários, casamentos e inúmeros momentos juntos. O filho dele cresceu sem a presença do pai, e todos nós fomos forçados a conviver com uma ausência constante que nos transformou como pessoas", disse ela.

A Anistia explicou que muitos membros da família pediram à comunidade internacional que "aja de acordo com as recomendações do relatório da ONU e aumente a pressão sobre a China para que liberte todos os que ainda estão arbitrariamente detidos na região".

MECANISMO INTERNACIONAL

A organização também solicitou à ONU que fornecesse atualizações públicas sobre o relatório e, mais uma vez, pediu aos Estados membros que "condenassem as graves violações cometidas na região".

"É de fundamental importância que um mecanismo de investigação internacional independente seja estabelecido para garantir a responsabilidade. Os Estados membros da ONU também devem apoiar o acesso efetivo à justiça", disse ele.

Nesse sentido, eles também pediram "reparação para as vítimas e sobreviventes" e a adoção de "medidas apropriadas para evitar novas violações de direitos humanos" no território.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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