SEVILHA 23 mar. (EUROPA PRESS) -
A Secretaria de Universidade, Pesquisa e Inovação financia um projeto liderado por pesquisadores dos departamentos de Botânica e Fisiologia Vegetal e de Geologia e Ecologia da Universidade de Málaga (UMA), em colaboração com o Departamento de Botânica da Universidade de Granada (UGR), que demonstrou que a macroalga asiática se expande formando clones de forma assexuada, por meio de células especializadas e vegetativas, a partir de pequenos fragmentos de si mesma.
Este trabalho analisa pela primeira vez, conforme explicaram a Junta e a Fundação Descubre em comunicados de imprensa, as estratégias reprodutivas da Rugulopteryx okamurae em um território invadido, como são as pradarias de Posidonia oceânica da costa de Granada. Essas estruturas desenvolvem novos indivíduos completos, capazes de se dispersar pela água e chegar a outras áreas próximas.
No trabalho “Reproductive performance and propagule pressure: Key drivers of Rugulopteryx okamurae (Ochrophyta, Dictyotales) invasion of a Posidonia oceanica meadow”, publicado na revista Marine Pollution Bulletin, os cientistas calculam que poderiam gerar mais de meio milhão de exemplares potenciais por metro quadrado ao longo de um ano, um número semelhante à população de uma cidade como Málaga. Eles apontam a primavera e o verão como os períodos de maior atividade reprodutiva, quando a alga produz mais estruturas capazes de originar novos organismos.
Esses resultados ajudam a compreender sua rápida proliferação e fornecem informações essenciais para melhorar as estratégias de gestão e controle dessa espécie invasora marinha. “Embora a erradicação só seja bem-sucedida com uma detecção precoce e uma ação rápida e sustentada ao longo do tempo, seria possível tentar controlar as populações, aplicando estratégias de eliminação seletiva nas épocas mais adequadas, para dar oportunidade às espécies nativas de se desenvolverem”, explica à Fundação Descubre o pesquisador da Universidade de Málaga Jesús Rosas-Guerrero, coautor do artigo.
Originária do Pacífico ocidental, a Rugulopteryx okamurae foi detectada pela primeira vez em Ceuta em 2015 pela pesquisadora da Universidade de Málaga María Altamirano, autora principal deste estudo. Desde então, a macroalga colonizou amplas zonas do litoral andaluz, deslocando espécies autóctones e gerando impactos ecológicos e econômicos sem precedentes, entre outros no setor pesqueiro e devido a acúmulos de biomassa nas praias que obrigam a realizar trabalhos onerosos de remoção e recolhimento.
Para compreender melhor os mecanismos que explicam essa invasão, a equipe realizou um acompanhamento durante um ano de uma população da alga que invade um leito de Posidonia oceânica na costa de Granada. Mais especificamente na Cala de Cambriles, onde se localiza um desses importantes ecossistemas protegidos por regulamentações europeias por abrigar uma grande biodiversidade. A equipe de mergulhadores retirava cuidadosamente as amostras a cada dois meses e, uma vez no laboratório, os cientistas analisavam os talos — a estrutura vegetal da alga — classificando-os de acordo com seu tamanho.
Em seguida, verificavam quantos apresentavam estruturas reprodutivas e em que quantidade, para estimar o potencial de propagação entre indivíduos de diferentes tamanhos e em diferentes momentos do ano. Estudos anteriores descreveram que, em sua área de origem, a espécie se reproduz por meio de mecanismos clonais, seja por propágulos — pequenos talos capazes de se desprender e crescer até formar um novo exemplar —, seja por esporas — células que, ao germinar, geram um indivíduo —; mas também sexualmente, por meio de gametas e tetrasporas, que são os responsáveis pela variabilidade genética nas populações.
No entanto, os resultados mudam ao estudar o comportamento em um território invadido. “Durante o ano analisado, as estruturas de reprodução sexuais se mostraram ausentes no caso dos gametas e esporádicas no caso das tetrasporas, enquanto propágulos e esporas assexuadas apareceram em quase toda a superfície da alga e durante grande parte do ano”, esclarece o pesquisador.
Especificamente, os propágulos foram detectados praticamente em todas as estações, enquanto a produção de esporos concentrou-se sobretudo na primavera e no verão, sendo os indivíduos de maior tamanho os que geraram mais unidades capazes de originar novos organismos. A partir desses dados, a equipe calculou a chamada pressão de propágulos, para estimar a capacidade de expansão da invasora em uma determinada área. “Descobrimos que a alga pode produzir mais de meio milhão de novos indivíduos por metro quadrado invadido de posidônia, mas a realidade é que não há fundo marinho que abrigue tal quantidade”, afirma Rosas-Guerrero.
Isso leva a equipe de pesquisa a acreditar que parte desses exemplares permanece na coluna d'água, vivendo e viajando nela em direção a novas zonas, sem necessidade de se estabelecer em um território. Esse processo explicaria tanto a rápida expansão da Rugulopteryx okamurae quanto a presença de grandes massas flutuantes no litoral. Os cientistas apontam que compreender esses mecanismos de reprodução, e com isso entender como as populações da alga invasora se mantêm, é fundamental para elaborar estratégias de gestão mais eficazes, sobretudo no planejamento de ações de controle e remoção de biomassa, a fim de minimizar o impacto ecológico e socioeconômico.
“Os resultados podem apoiar os gestores na tomada de decisões para agir contra a pior espécie invasora do meio marinho andaluz”, conclui o especialista. Além do financiamento da Secretaria de Estado da Universidade, por meio de fundos do FEDER, o estudo também contou com recursos da Fundação Biodiversidade, vinculada ao Ministério da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico.
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