Publicado 21/07/2025 00:05

AMP4.- O primeiro-ministro do Japão descarta a possibilidade de renúncia, apesar da derrota do LDP nas eleições para o Senado

Coalizão governista sofre derrota histórica em meio à ascensão da extrema-direita

Ishiba enfatiza a importância de fechar o acordo comercial com os EUA até 1º de agosto

Coalizão governista sofre derrota histórica em meio à ascensão da extrema-direita

Ishiba enfatiza a importância de fechar o acordo comercial com os EUA até 1º de agosto

MADRID, 21 jul. (EUROPA PRESS) -

O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, garantiu neste domingo que permanecerá no cargo, apesar do que promete ser uma noite fatídica para seu Partido Liberal Democrático do Japão (LDP), que ficou sem maioria após as eleições parciais do Senado realizadas neste domingo, marcadas pela ascensão da extrema-direita representada no partido Sanseito.

A coalizão governista LDP-Komeito conquistou 47 cadeiras, três a menos do que o necessário para manter o controle da câmara alta. A esses devem ser acrescentados os 75 assentos que não estão em disputa nessa votação e que eles já controlavam anteriormente. Enquanto isso, a oposição conquistou 77 cadeiras, além das 48 que manteve do mandato anterior, de acordo com a projeção produzida pela televisão pública NHK. Com esses números, a oposição controla 125 dos 250 assentos na câmara alta, enquanto a coalizão tem 121 assentos.

Ainda restam três cadeiras a serem alocadas, mas mesmo que todas fossem para o LDP e o Komeito, eles não conseguiriam manter sua maioria. Considerando que o partido já perdeu sua maioria na Câmara dos Deputados no ano passado, Ishiba agora lidera um partido que está em seu ponto mais fraco em décadas.

De fato, esta é a primeira vez desde a fundação do LDP em 1955 que um governo liderado pelo LDP perde a maioria em ambas as casas da Dieta ou do Parlamento japonês.

O LDP continuaria sendo o partido mais representado com 35 cadeiras, seguido pelo Partido Democrático Constitucional (CDP, liberal, 21 cadeiras), o Partido Democrático para o Povo (centro, 16 representantes), o Partido Sanseito (Do It Yourself, extrema direita, 11 assentos), o Partido Komeito (conservador, 7 assentos), o Partido da Restauração do Japão (direita, 6 assentos), o Partido Comunista do Japão (esquerda, 3 assentos), o Partido Reiwa (esquerda, 2 assentos) e o Partido Conservador do Japão (1 assento).

NÃO HÁ RENÚNCIA DE ISHIBA

Entretanto, em uma declaração inicial à NHK durante a publicação dos resultados iniciais, Ishiba se recusou a renunciar, apesar da "seriedade de uma situação que deve ser assumida com humildade e sinceridade".

"Devemos estar plenamente conscientes das responsabilidades que vêm com o fato de sermos o partido número um", disse o primeiro-ministro japonês, que enfatizou que sua intenção agora é concluir um acordo comercial com os Estados Unidos antes do prazo de 1º de agosto estabelecido pelo presidente Trump, após o qual ele imporá tarifas adicionais ao país.

Em entrevista à TBS e à Asahi TV, Ishiba também explicou que outra das razões pelas quais ele está permanecendo no cargo é para "evitar o agravamento do vácuo político e da confusão", uma vez que não há atualmente nenhum favorito nas pesquisas para sua possível sucessão.

O primeiro-ministro não fechou a porta para a possibilidade de "expandir o atual governo de coalizão" por meio de conversas com outros partidos, mas, acima de tudo, ele enfatizou a importância vital de abrir um diálogo interno dentro da coalizão LDP/Komeito.

"O que temos que fazer é dialogar juntos. Não podemos reprimir o diálogo. Temos que compartilhar o sentimento de que precisamos cerrar os dentes e permanecer no poder, mesmo que seja difícil", disse ele.

Ele também se referiu a uma das principais preocupações da população, que é o aumento do custo de vida. "Temos dito que a melhor maneira de combater a inflação é fazer com que os salários subam mais do que os preços, mas os preços continuam a subir mais do que os salários e as pessoas não entendem que temos de tomar medidas para fornecer apoio rápido e generoso às famílias em sérias dificuldades", argumentou.

AVANÇOS DA OPOSIÇÃO

Um dos grandes vencedores da eleição é o DPP, o maior partido de oposição do país, cujo líder, o ex-primeiro-ministro Yoshihiko Noda, descreveu os resultados provisórios como uma mensagem clara para que Ishiba renuncie. "O povo japonês deu ao primeiro-ministro uma moção de desconfiança e, se ele quiser permanecer no poder, deve deixar claro o motivo", disse ele.

Em meio a essa situação, o novo partido de extrema direita Sanseito - o partido Do It Yourself - liderado por Sohei Kamiya, uma formação antivacina e revisionista que se vê como o equivalente ao movimento MAGA dos EUA, pode acabar triplicando o resultado das pesquisas anteriores. As melhores projeções dão ao partido mais de 20 assentos, cinco a mais do que o esperado em pesquisas anteriores, enquanto se aguardam os resultados finais.

Kamiya, em uma primeira reação, deixou em aberto a possibilidade de contatos com o LDP: "Se houver questões importantes para o interesse nacional que devam ser aprovadas a todo custo, não hesitaríamos em considerar a possibilidade de cooperar com o LDP ou outros partidos em questões ou projetos de lei, mas não temos a intenção de nos colocar em posições oficiais na administração", disse ele.

Do outro lado do espectro ideológico, a presidente do Partido Comunista do Japão, Tomoko Tamura, enfatizou que seu objetivo é "acabar com a política do LDP". "Os partidos de oposição têm uma postura clara de confronto com o LDP e devem unir forças para atender às demandas do povo", disse ela. No entanto, ele alertou que o LDP "provavelmente tentará incorporar os partidos de oposição" à coalizão.

A estimativa de comparecimento também foi publicada, com 58,52%, incluindo a votação antecipada, de acordo com dados do Ministério do Interior. Mesmo assim, o comparecimento é seis pontos maior do que há três anos, quando foi de 52,05%.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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