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MADRI, 29 ago. (EUROPA PRESS) -
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado a aquisição do “controle majoritário” das reservas de petróleo da Venezuela após a assinatura do “maior acordo petrolífero da história mundial” com o governo da presidente interina do país, Delcy Rodríguez, uma aliança com a qual prevê duplicar as reservas americanas e, assim, reduzir o preço dos combustíveis no país.
“Os Estados Unidos acabaram de assinar um acordo com a Venezuela sobre o maior acordo petrolífero da história mundial! Sob minha liderança, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário da Guerra, Pete Hegseth, em estreita colaboração com a muito respeitada presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e por meio de uma parceria com o setor privado, conseguiram que os Estados Unidos obtivessem o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, sem nenhum custo para o contribuinte americano”, afirmou o presidente dos Estados Unidos em uma publicação em suas redes sociais.
Dessa forma, Trump afirmou que esse acordo permitirá “dobrar as reservas de abastecimento de petróleo” e “reduzir substancialmente” o preço dos combustíveis a longo prazo. Com esse anúncio, o líder republicano coloca o foco político no aumento dos preços dos combustíveis, uma questão que vinha onerando o orçamento das famílias americanas e marcando o debate econômico nacional.
Além disso, ele garantiu que essa mesma transação permitirá “ao mesmo tempo contribuir para que a Venezuela continue avançando rumo a um enorme sucesso e a uma grande prosperidade”, destacando especialmente a “relação florescente” entre seu governo e o da Venezuela, liderado pela presidente interina Delcy Rodríguez, após a intervenção de Washington e a subsequente captura do ex-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro passado.
O presidente dos Estados Unidos deve se reunir na próxima terça-feira com executivos das principais petrolíferas americanas diante dos preços persistentemente elevados da gasolina, agravados pela guerra no Irã, conforme informou a agência Bloomberg.
O plano representa uma intervenção moderna e sem precedentes na economia de outro país, que lembra o controle do governo britânico sobre os campos petrolíferos do Irã e a divisão dos ativos iraquianos entre os Estados Unidos e a Europa há um século.
Trata-se, além disso, de uma manobra sem precedentes, suscetível a contestações legais e mudanças políticas em Washington. Não está claro se o acordo de Trump contaria com o apoio total de um futuro presidente dos Estados Unidos, nem como ele poderia resistir a uma futura turbulência política na Venezuela.
RUBIO PREVÊ GRANDES BENEFÍCIOS NO INVESTIMENTO PRIVADO
Por sua vez, o secretário de Estado, Marco Rubio, comemorou esse acordo como “uma grande vitória” tanto para os Estados Unidos quanto para a Venezuela.
“(Este acordo) demonstra como a ousada política externa do presidente Trump está impulsionando vitórias da ‘América em Primeiro Lugar’: garantindo reservas estáveis e petróleo de baixo custo em nosso hemisfério e reduzindo os preços da gasolina aqui em casa”, destacou o responsável pelas Relações Exteriores da Casa Branca em suas redes sociais.
Nesse sentido, Rubio também destacou que o acordo entre Caracas e Washington “trará quase 100 bilhões de dólares (cerca de 86 bilhões de euros) em investimento privado” e, por sua vez, apoiará “milhares de empregos bem remunerados e impulsionará a reconstrução da economia da Venezuela”.
DELCY PREVÊ QUE O ACORDO ESTIMULE O CRESCIMENTO ECONÔMICO DA VENEZUELA
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o acordo impulsionará o “crescimento econômico” do país e informou que haverá uma arrecadação tributária de 209 bilhões de dólares (cerca de 180 bilhões de euros) para a economia de Caracas.
“O acordo permitirá aumentar consideravelmente a produção de petróleo com a participação de operadores privados. Está previsto o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com um potencial comprovado de 65 bilhões de barris de petróleo, um investimento de mais de 100 bilhões de dólares e mais de 209 bilhões de dólares em impostos para o Estado”, afirma o comunicado da Presidência.
“Esses investimentos contribuirão não apenas para a recuperação e modernização de nossa indústria, mas também para o crescimento econômico de nosso país, para a segurança energética de nosso hemisfério e para um maior equilíbrio nos mercados internacionais”, afirmou a presidente em suas redes sociais.
Além disso, ela concluiu destacando que seu objetivo é “avançar rumo à consolidação de uma potência produtora de energia”, colocando suas “imensas” reservas “a serviço do desenvolvimento nacional”, da “geração de empregos” e do “bem-estar” do povo venezuelano.
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em mais de 300 bilhões de barris, superando assim seu principal concorrente, a Arábia Saudita. Um acordo como o anunciado pela Casa Branca, que conceda o controle majoritário sobre 65 bilhões desses barris, representaria mais do que o dobro das reservas certificadas atuais dos Estados Unidos, estimadas em cerca de 38 bilhões de barris.
EXPANSÃO COM UMA INFRAESTRUTURA DETERIORADA
Poucas horas após o anúncio de Trump, fontes da agência Bloomberg confirmaram que a gigante Chevron está em negociações para expandir suas operações na Venezuela com a incorporação de dois novos campos petrolíferos, enquanto contratos de arrendamento de até 100 anos estão sendo considerados para vários campos.
A gigante petrolífera SLB e a produtora independente Hunt Oil Co. assinaram contratos com o governo venezuelano neste mês.
A iniciativa de Trump está repleta de problemas logísticos. As produtoras terão que lidar com uma infraestrutura deteriorada, um fornecimento de energia elétrica instável e responsabilidades ambientais herdadas.
Analistas e especialistas do setor afirmam que pode levar mais de uma década para restabelecer a produção aos cerca de 3 milhões de barris diários que a Venezuela extraía antes de sua indústria petrolífera entrar em um colapso que se prolongou por décadas.
O anúncio de Trump ocorre em meio à guerra com o Irã, um conflito que esgotou a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos, que se encontra em cerca de 41% de sua capacidade — o nível mais baixo em mais de quatro décadas. O preço médio da gasolina comum ficou em 4,09 dólares por galão na quinta-feira, um aumento de mais de um terço desde o início do conflito.
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