Europa Press/Contacto/Carlos Garcia Granthon
MADRID, 8 jun. (EUROPA PRESS) -
O candidato do Juntos pelo Peru (esquerda), Roberto Sánchez, venceu o segundo turno das eleições presidenciais peruanas com 50,076% dos votos contra 49,924% da candidata do partido de extrema direita Força Popular, Keiko Fujimori, com 94,67% das cédulas apuradas.
Especificamente, Sánchez obteve 8.848.799 votos contra os 8.821.929 votos de Fujimori, de acordo com os dados oficiais publicados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
Inicialmente, os resultados oficiais parciais davam a Fujimori uma ligeira vantagem sobre Sánchez, mas a tendência reduzia cada vez mais a margem até que, finalmente, o candidato de esquerda ultrapassou a filha do ex-presidente e ditador Alberto Fujimori.
Justamente Fujimori defendeu a manutenção da serenidade durante a recontagem e destacou que agora o trabalho cabe aos seus representantes legais, que terão que “lutar” por cada ata. Além disso, ela voltou a pedir que os resultados sejam respeitados, independentemente do vencedor.
"O que se impõe é paciência e muita serenidade. Faço também um apelo aos representantes, não mais aos representantes de mesa, mas aos representantes legais, dos quais temos mais de 100 em todo o Peru, pois eles terão que lutar, analisar cada uma dessas atas e, bem, teremos que esperar e respeitar os resultados, seja qual for o vencedor”, afirmou, segundo o jornal “La República”.
Mais tarde, ele reconheceu a “divisão” do país entre as duas opções presentes no segundo turno eleitoral e, por isso, defendeu a necessidade de “construir pontes”. Em particular, garantiu que em seu partido, a Força Popular, estão dispostos a dialogar com outras forças políticas.
Enquanto isso, Sánchez expressou sua gratidão pelo apoio recebido. “Agradeço a todos os líderes do movimento popular, do movimento social, que nos colocaram no primeiro turno, aos líderes abertos e sociais, culturais, acadêmicos e a muitos cidadãos que disseram voto crítico, voto fiscalizador e que decidiram, creio que com sua vocação, de alcançar esta eventual vitória em termos de paz, justiça e reconciliação”, afirmou em declarações coletadas pela rádio Exitosa.
“Agradecemos esse apoio. Estamos confiantes e otimistas, mas, como é de praxe, a contagem de 100% ainda está por ser revelada. Apelamos aos representantes para que façam seu trabalho, à nossa equipe técnica, mas o que é real e concreto é que é preciso esperar a divulgação dos resultados a 100%”, destacou.
Além disso, informou que visitou o ex-presidente Pedro Castillo, preso após ter sido destituído do cargo, e apelou para “recuperar os padrões de democracia e clamar pela paz social, pela luta contra o inimigo número um do Peru, que é a corrupção e a pobreza”.
Da campanha de Sánchez, Gustavo Guerra García, membro da equipe técnica da campanha de Juntos pelo Peru, destacou o trabalho da ONPE durante o segundo turno eleitoral. Assim, ele destacou que mais de 95% das seções eleitorais apresentaram atas em conformidade e que o nível de contestações foi baixo, entre 1% e 2%. “Desta vez, a ONPE esteve à altura. Não tivemos os problemas da última vez”, indicou ele, referindo-se ao primeiro turno das eleições.
Mais de 27 milhões de peruanos, entre eles 1,2 milhão de cidadãos residentes no exterior, foram às urnas neste domingo, em uma das disputas eleitorais mais acirradas dos últimos tempos.
Em sua quarta tentativa de conquistar a Presidência, Fujimori venceu nos principais centros populacionais, como Lima, a capital, ou Cuzco, enquanto Sánchez conquistou o apoio do eleitorado nas regiões que tradicionalmente protestam contra o excesso de centralismo no país.
Sánchez obteve maioria no centro, sul e leste do país, onde se concentram as áreas rurais, de mata e de montanha. Por sua vez, Fujimori obteve seus melhores resultados na costa.
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