Europa Press/Contacto/Volodymyr Tarasov
MADRID, 20 ago. (EUROPA PRESS) -
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, estimou em 17 o número de mortos e em 41 o de feridos pelos novos ataques lançados nesta quinta-feira pelas Forças Armadas da Rússia contra a capital ucraniana, alvo nas últimas semanas de uma das mais intensas ondas de ataques desde o início da invasão, em fevereiro de 2022.
“A capital está se recuperando de uma intensa onda de ataques”, explicou Klitschko, que inicialmente estimou em 15 mortos e 39 feridos o número de vítimas dos bombardeios russos, que afetaram principalmente os distritos de Sviatoshinski, Solomianski e Darnitski.
A queda de destroços de um drone provocou dois incêndios em escritórios e em uma residência localizados no distrito de Holosivski, que deixaram pelo menos dois mortos e duas pessoas feridas, informou horas depois o prefeito de Kiev.
O dia 21 de agosto foi declarado dia de luto em Kiev em memória das vítimas. “As bandeiras ficarão hasteadas a meio mastro em todos os prédios municipais da cidade”, disse o prefeito, que ordenou a suspensão de todas as atividades recreativas e de entretenimento previstas para esta sexta-feira, em sinal de respeito.
Os ataques provocaram incêndios, que já foram controlados, e causaram danos em prédios residenciais, em um centro médico infantil e em uma escola em Solomianski, informou Klitschko. O alerta aéreo continua em vigor na capital.
Por sua vez, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, destacou que essa onda de ataques russos foi preparada “há muito tempo” e que nela foi utilizada uma combinação significativa de diferentes tipos de mísseis balísticos, de cruzeiro e drones “com o objetivo de causar o maior dano possível à infraestrutura civil”.
“Há destruição em Kiev e na região, bem como nas regiões de Odessa e Chernígov”, lamentou ele em uma mensagem nas redes sociais, na qual compartilhou imagens das consequências deixadas pelos bombardeios. “Infelizmente, enquanto Moscou investe em mísseis balísticos e na escalada do conflito, esses ataques nem sempre recebem a resposta que deveriam da comunidade internacional”, criticou.
Trata-se de uma crítica recorrente do presidente ucraniano, que nos últimos meses elevou um pouco o tom de suas reclamações em relação ao que considera uma resposta insuficiente de seus parceiros para equipar a Ucrânia com o armamento e os equipamentos necessários para repelir esse aumento dos ataques russos.
“Enquanto a Ucrânia não tiver defesa antibalística suficiente, a Rússia não considerará seriamente a paz. Estamos fazendo todo o possível para garantir que tenhamos essa proteção (...) mas os interceptores Patriot ainda não podem ser substituídos, e precisamos deles todos os dias. Cada míssil a mais salva vidas do nosso povo”, afirmou ele.
GUTERRES LAMENTA “MAIS UM EXEMPLO TRÁGICO” DA ESCALADA DOS ATAQUES A CIVIS
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou o ataque da Rússia, lamentando-o como “mais um exemplo trágico da tendência alarmante de escalada dos ataques contra áreas povoadas”.
O diplomata português continua “profundamente preocupado com a escalada contínua deste conflito”, inclusive dentro do território russo, e, em particular, pelos ataques a civis, que constituem uma “clara violação do Direito Internacional Humanitário, independentemente do local onde ocorram”, afirmou seu porta-voz, Stéphane Dujarric, em coletiva de imprensa.
Mais uma vez, Guterres pediu a Kiev e Moscou que cessem “imediatamente” os ataques a civis e infraestruturas desse tipo e exigiu uma “desescalada urgente que conduza a um cessar-fogo total, imediato e incondicional”.
O chefe de Assuntos Humanitários da ONU, Tom Fletcher, que se encontra na capital ucraniana, mostrou-se “chocado” com o que viu: “as consequências de mais uma noite mortal para a população civil, na qual residências, hospitais e uma escola foram atingidos por esses ataques aéreos russos”.
ATAQUE EM YITOMIR
Por outro lado, as autoridades ucranianas confirmaram a morte de três pessoas, todas policiais, além de 53 feridos, em consequência do bombardeio russo ocorrido na véspera em uma delegacia na província de Yitomir.
As equipes de resgate continuam trabalhando no local, após o incêndio provocado pelo impacto dos drones ter sido controlado. “É uma perda irreparável para a Polícia Nacional”, declarou a instituição, que criticou Moscou por direcionar seus ataques contra o pessoal encarregado de zelar pela segurança da população civil.
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