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BRUXELAS 11 ago. (EUROPA PRESS) -
Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia enfatizaram o apoio a Kiev e a necessidade de manter a pressão sobre a Rússia por meio de sanções, em uma reunião extraordinária convocada por videoconferência poucos dias antes de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin, se encontrarem no Alasca para discutir a guerra na Ucrânia.
"A unidade transatlântica, o apoio à Ucrânia e a pressão sobre a Rússia é a forma como vamos acabar com essa guerra e impedir futuras agressões russas na Europa", disse a Alta Representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, em uma mensagem nas mídias sociais sobre a reunião da qual participou o Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andri Sibiga.
De acordo com ela, a UE-27 apoia os esforços dos Estados Unidos para alcançar uma "paz justa" na Ucrânia e, embora não tenha indicado nada sobre possíveis concessões territoriais à Rússia para interromper a agressão, ela enfatizou que são necessárias mais sanções contra Moscou e mais apoio militar e financeiro para a Ucrânia, além de tomar medidas no processo de adesão à UE.
NEGOCIAÇÃO DE UMA PAZ JUSTA SEM CONCESSÕES
Em declarações enviadas à Europa Press, a Alta Representante enfatizou a necessidade de se chegar ao fim da guerra de uma forma que "não deixe a porta aberta" para uma nova agressão russa no futuro. "O direito da Ucrânia de existir como uma nação soberana está sendo atacado, assim como a segurança do nosso continente europeu", disse ela.
Ele ressaltou que Moscou deve primeiro aceitar um cessar-fogo "total e incondicional", de modo que as negociações não podem começar com "nenhuma concessão". "Isso nunca funcionou no passado com a Rússia e não funcionará com Putin hoje", disse ele.
Kallas enfatizou que a ordem das etapas é "importante" nesses contatos com o presidente russo. "Primeiro, um cessar-fogo incondicional com um sistema de monitoramento robusto e garantias de segurança rígidas", disse ele.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, manifestou-se no mesmo sentido, pedindo um "cessar-fogo incondicional e verificável" como primeiro passo para alcançar uma paz "justa e duradoura". "A Ucrânia e a UE precisam estar na mesa de qualquer negociação. A agressão não pode ser recompensada", disse ele, referindo-se à possível cessão de território pela Ucrânia.
A esse respeito, o chefe de Estado da Estônia, Margus Tsahkna, reiterou que não pode haver concessões ao Kremlin. "Se um agressor consegue o que quer, isso só alimenta seu apetite", advertiu, reiterando que a política de apaziguamento que foi mantida com a União Soviética não pode ser repetida e reiterando sua recusa e firmeza diante de qualquer mudança forçada de fronteiras.
"Está absolutamente claro que a paz não pode ser alcançada sem a Ucrânia. Somente a Ucrânia pode decidir quais condições está disposta a aceitar e uma paz que não seja justa não será uma paz de forma alguma", disse sua colega finlandesa, Elina Valtonen, indicando que Kiev deve definir os parâmetros que está disposta a aceitar para a paz.
Do lado romeno, o ministro das Relações Exteriores, Toiu Oana, defendeu uma solução baseada no "total respeito à soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia, com a total participação da Ucrânia nas negociações", garantindo que, para que a paz seja "real", "ela deve ser duradoura", algo que só será alcançado com a participação do povo ucraniano. Ele pediu "fortes garantias de segurança para evitar novas agressões".
A nota discordante foi dada pelo ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, que acusou a UE de ter uma agenda pró-guerra e de querer boicotar a cúpula entre Trump e Putin. "Um acordo entre os EUA e a Rússia oferece a melhor chance de paz. É por isso que a Hungria saúda a reunião entre os dois presidentes", disse ele, insistindo que a guerra será resolvida na mesa de negociações e não na frente de batalha.
KALLAS ENFATIZA QUE KIEV E OS EUROPEUS DEVEM SER LEVADOS EM CONTA
Antes da reunião de sexta-feira no Alasca, que será o primeiro encontro entre um presidente dos EUA e da Rússia desde 2021, o ministro das Relações Exteriores da UE tem insistido que Trump e Putin levem em conta os interesses de Kiev e da Europa, e condenou qualquer cenário em que a Rússia tome territórios ucranianos incorporados durante o conflito.
O ex-primeiro-ministro da Estônia admitiu, em declarações enviadas à Europa Press, que Trump "tem razão quando diz que a Rússia deve acabar com a sua guerra contra a Ucrânia" e considerou que "é capaz de obrigar a Rússia a negociar a sério". No entanto, ele enfatizou que "qualquer acordo entre os Estados Unidos e a Rússia terá que incluir a Ucrânia e a UE, porque é uma questão de segurança" para ambos.
De qualquer forma, ele está fechado com a possibilidade de Trump e Putin discutirem a possibilidade de Moscou consolidar seu controle sobre os territórios conquistados durante o conflito na Ucrânia ou incorporados de uma forma ou de outra às suas fronteiras. "A lei internacional é clara: todos os territórios temporariamente ocupados pertencem à Ucrânia", disse ele em declarações antes da reunião.
Nesta quarta-feira, Trump participará com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, de um encontro com líderes europeus por iniciativa do chanceler alemão, Friedrich Merz. Sobre a reunião no Alasca, o presidente norte-americano indicou que permitirá "testar" o terreno, enquanto sobre a ideia de reunir Putin e Zelenski, insistiu que "em última instância os colocará (os líderes) na mesma sala" para resolver o conflito ucraniano.
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