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Israel afirma que um dos jornalistas era membro das forças especiais do Hezbollah
Autoridades libanesas condenam o "crime flagrante" contra os jornalistas
MADRID, 28 mar. (EUROPA PRESS) -
Três jornalistas morreram em um bombardeio perpetrado neste sábado pelas Forças Armadas israelenses contra um veículo no sul do Líbano, alvo de uma ofensiva militar israelense que tem como objetivo alcançar o rio Litani, que separa o sul do Líbano do resto do país.
O ataque ocorreu no distrito de Yezínen, no centro do Líbano, ao norte do rio Litani. As vítimas mortais seriam o jornalista do canal de televisão Al Manar, Alí Shaib; Fátima Fatuni, jornalista da emissora libanesa Al Mayadín; e seu irmão, que trabalhava como cinegrafista, Mohamed Fatuni; além de um parente de Alí Shaib.
O canal Al Mayadín já confirmou a morte de Fátima Fatuni e o Al Manar também informou sobre o falecimento de Alí Shaib. Além disso, divulgaram as primeiras imagens do ocorrido, nas quais é possível ver uma estrada em uma zona arborizada e acidentada e uma coluna de fumaça saindo de um veículo.
Israel confirmou o ataque contra Alí Shaib, a quem acusa de fazer parte da unidade de inteligência da Força Raduán, as forças especiais da milícia do Hezbollah, "um terrorista que se disfarçava de jornalista".
“O colete de ‘imprensa’ era apenas um disfarce para o terrorismo (...). Ele informava sobre as posições das FDI (Forças de Defesa de Israel) no sul do Líbano e mantinha contato direto com membros do Hezbollah”, destacou o Exército israelense em um comunicado militar.
“O terrorista incitava contra as forças das FDI e contra cidadãos do Estado de Israel e atuava como intermediário na distribuição de propaganda”, acrescentou Israel, que ressalta que “ele continuou com suas atividades mesmo durante a operação Rugido do Leão”, em referência ao início dos ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã, em 28 de fevereiro.
CONDENAÇÃO DE POLÍTICOS LIBANESES
Posteriormente, o presidente libanês, Joseph Aoun, condenou esse “crime flagrante”. “Mais uma vez, a agressão israelense viola as normas mais básicas do direito internacional, do direito internacional humanitário e das leis da guerra ao atacar correspondentes de imprensa que, em última instância, são civis cumprindo seu dever profissional”, publicou Aoun nas redes sociais.
“Trata-se de um crime flagrante que viola todas as normas e convenções em virtude das quais os jornalistas têm direito à proteção internacional em tempos de guerra”, lembrou. Assim, ele insta “todas as organizações internacionais” a “agirem e porem fim ao que está ocorrendo em nosso território”.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, também condenou este ataque e destacou que “o Líbano atribui grande importância à liberdade de imprensa e ao seu papel, reafirma seu compromisso com a proteção dos jornalistas e exige o respeito pelas normas do direito internacional, a preservação da vida dos civis e a cessação dos ataques israelenses contra eles”.
Em seguida, foi o ministro da Informação libanês, Paul Morcos, quem interveio para anunciar que o Líbano apresentará uma denúncia ao Conselho de Segurança da ONU por este “crime de guerra deliberado e flagrante contra a mídia”, que se soma a “uma série crescente de ataques contra jornalistas”.
O Hezbollah também condenou este “crime covarde e premeditado”, ocorrido quando as vítimas “cumpriam seu dever jornalístico e nacional, e sua nobre missão de transmitir a verdade”. O ataque visa “silenciar os jornalistas que testemunham a brutalidade, a barbárie e os crimes israelenses”.
O Sindicato da Imprensa libanês convocou uma manifestação neste sábado na Praça dos Mártires, no centro de Beirute.
Entre outubro de 2023 e outubro de 2025, um total de treze jornalistas ou profissionais da mídia morreram no Líbano em ataques israelenses.
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