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As projeções apontam para uma derrota histórica do partido governista do Japão em meio a uma ascensão da extrema direita.
Ishiba enfatiza a importância de fechar acordo comercial com os EUA até 1º de agosto
MADRID, 20 jul. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, garantiu neste domingo que permanecerá no cargo, apesar do que promete ser uma noite fatídica para seu Partido Liberal Democrático do Japão (LDP), que está prestes a ficar sem maioria, de acordo com as projeções dos resultados das eleições parciais deste domingo para o Senado nacional, marcadas pela ascensão da extrema direita representada no partido Sanseito.
As projeções da emissora pública de televisão NHK atribuem 44 cadeiras aos partidos da coalizão LDP-Komeito, às quais devem ser acrescentadas as 75 que não estão em disputa nessa votação. Enquanto isso, a oposição teria conquistado 70 cadeiras por enquanto, além das 48 que possui no mandato anterior. Com esses números, a oposição controla 111 dos 250 assentos na Câmara Alta, enquanto a coalizão tem 112 assentos, com 27 assentos ainda a serem alocados.
Se as projeções mais pessimistas se concretizarem, o LDP e seu parceiro Komeito ficarão aquém dos 50 assentos de que precisavam nessas eleições de meio de mandato, ficando aquém dos 125 assentos que lhes dão a maioria na Câmara. Considerando que o partido já perdeu sua maioria na câmara baixa no ano passado, Ishiba agora lidera um partido que está em seu ponto mais fraco em décadas.
Entretanto, em uma declaração inicial à NHK durante a divulgação dos resultados iniciais, Ishiba se recusou a renunciar, apesar da "seriedade de uma situação que deve ser enfrentada com humildade e sinceridade".
"Devemos estar plenamente conscientes das responsabilidades que vêm com o fato de sermos o partido número um", disse o primeiro-ministro japonês, que enfatizou que sua intenção no momento é concluir um acordo comercial com os Estados Unidos antes do prazo de 1º de agosto estabelecido pelo presidente Trump, após o qual ele imporá tarifas adicionais ao país.
Em entrevista à TBS e à Asahi TV, Ishiba também explicou que outra das razões pelas quais ele está permanecendo no cargo é para "evitar o agravamento do vácuo político e da confusão", uma vez que não há atualmente nenhum favorito nas pesquisas para sua possível sucessão.
POSSÍVEIS ACORDOS
O primeiro-ministro não fechou a porta para a possibilidade de "expandir a atual coalizão governamental" por meio de conversas com outros partidos, mas, acima de tudo, ele enfatizou a importância vital de abrir um diálogo interno dentro da coalizão LDP/Komeito.
"O que temos que fazer é dialogar juntos. Não podemos reprimir o diálogo. Temos que compartilhar o sentimento de que precisamos cerrar os dentes e permanecer no poder, mesmo que seja difícil", disse ele.
Ele também se referiu a uma das principais preocupações da população, que é o aumento do custo de vida. "Temos dito que a melhor maneira de combater a inflação é aumentar os salários mais do que os preços, mas os preços continuam a subir mais do que os salários e as pessoas não entendem que temos de tomar medidas para apoiar rápida e generosamente as famílias que estão em sérias dificuldades", argumentou.
OPOSIÇÃO AVANÇA
Um dos grandes vencedores da eleição é o Partido Constitucional do Japão, o maior partido de oposição do país, cujo líder, o ex-primeiro-ministro Yoshihiko Noda, descreveu os resultados provisórios como uma mensagem clara para que Ishiba renuncie. "O povo japonês deu ao primeiro-ministro uma moção de desconfiança e, se ele quiser permanecer no poder, deve deixar claro o motivo", disse ele.
Em meio a essa situação, o novo partido de extrema direita Sanseito - o partido Do It Yourself - liderado por Sohei Kamiya, uma formação antivacina e revisionista que se vê como o equivalente ao movimento MAGA dos EUA, pode acabar triplicando o resultado das pesquisas anteriores. As melhores projeções dão ao partido mais de 20 assentos, cinco a mais do que o esperado em pesquisas anteriores, enquanto se aguardam os resultados finais.
Kamiya, em uma primeira reação, deixou em aberto a possibilidade de contatos com o LDP: "Se houver questões importantes para o interesse nacional que devam ser aprovadas a todo custo, não hesitaríamos em considerar a possibilidade de cooperar com o LDP ou outros partidos em questões ou projetos de lei, mas não temos a intenção de nos colocar em posições oficiais na administração", disse ele.
Do outro lado do espectro ideológico, a presidente do Partido Comunista do Japão, Tomoko Tamura, enfatizou que seu objetivo é "acabar com a política do LDP". "Os partidos de oposição têm uma postura clara de confronto com o LDP e devem unir forças para atender às demandas do povo", disse ela. No entanto, ele alertou que o LDP "provavelmente tentará incorporar os partidos de oposição" à coalizão.
Também foi publicada a estimativa de comparecimento às urnas, que é de 57%, incluindo a votação antecipada, já que a votação física durante o dia foi de 29,93% até as 19h30, de acordo com dados do Ministério do Interior. Mesmo assim, o comparecimento às urnas é cinco pontos mais alto do que há três anos, quando foi de 52,05%.
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