Europa Press/Contacto/Marwan Naamani
A Cruz Vermelha recupera dos escombros o corpo da repórter que cobria um bombardeio israelense ao lado de outra colega, que foi resgatada
Associações de imprensa condenam o incidente, quando já somam cerca de 2.500 os mortos por ataques de Israel no Líbano
MADRID, 22 abr. (EUROPA PRESS) -
Pelo menos três pessoas morreram em consequência de um ataque realizado nesta quarta-feira pelo Exército de Israel contra a localidade de Tiri, no sul do Líbano, onde duas jornalistas, uma delas falecida, que foram ao local para cobrir o evento, permaneceram sitiadas durante horas diante de novos bombardeios israelenses.
A informação foi divulgada pela agência de notícias libanesa NNA, que identificou Mujtar Alí Nabil Bazzi e Muhammad al Hurani como as vítimas de um bombardeio das forças israelenses contra o veículo em que circulavam neste município situado no distrito de Bint Jbeil.
Posteriormente, o Exército israelense lançou novos ataques sobre a mesma zona, deixando isoladas as jornalistas Zeinab Faraj e Amal Jalil, ambas do jornal libanês “Al Ajbar”, que se deslocaram para cobrir o primeiro dos bombardeios.
Uma equipe da Cruz Vermelha Libanesa deslocou-se à referida localidade, conseguindo recuperar os corpos dos dois falecidos, mas não conseguiu, inicialmente, resgatar as repórteres devido a novos ataques com drones por parte de Israel.
A Cruz Vermelha Libanesa conseguiu finalmente chegar ao local do incidente e transportar Faraj até o hospital público de Tebnine, embora tenha sido alvo de tiros do Exército israelense durante o trajeto até o centro de saúde, segundo a NNA, que divulgou imagens da ambulância com marcas de balas.
A Defesa Civil libanesa confirmou horas depois a morte de Jalil, que estava desaparecida, após a Cruz Vermelha e as Forças Armadas terem mobilizado uma escavadeira e encontrado seu corpo entre os escombros resultantes dos ataques de Israel.
O presidente libanês, Joseph Aoun, havia assinalado nas redes sociais que estava acompanhando o caso de Faraj e Jalil, “alvo de bombardeios israelenses”, e que havia dado ordem à Cruz Vermelha Libanesa para que se coordenasse com o Exército “e as forças internacionais a fim de concluir a operação de resgate o mais rápido possível”.
Por sua vez, o ministro da Informação, Paul Morcos, lamentou a morte de Jalil em suas redes sociais, onde denunciou que “ela foi atacada pelo Exército israelense enquanto exercia sua profissão, informando a verdade em Tiri”.
“Os ataques contra jornalistas constituem um crime claro e uma violação flagrante do Direito Internacional Humanitário, diante do qual não ficaremos em silêncio. Fazemos um novo apelo à comunidade internacional (...) para que aja e ponha fim a esta situação, impedindo que se repita”, acrescentou.
O próprio Morcos havia assinalado, antes de tomar conhecimento do trágico desfecho da jornalista, que “o Líbano responsabiliza Israel pela segurança dos jornalistas” em declarações à emissora de televisão Al Jazeera.
O Ministério da Saúde libanês estimou nesta quarta-feira em 2.475 o número de mortos e em 7.696 o de feridos em decorrência dos ataques israelenses contra seu território desde o último dia 2 de março, um número que continua aumentando apesar do cessar-fogo acordado com Beirute na semana passada.
Delegações do Líbano e de Israel devem se reunir nesta quinta-feira em Washington para um segundo encontro com o objetivo de pôr fim aos combates entre as Forças de Defesa de Israel (FDI) e o partido-milícia xiita Hezbollah, reativado logo após a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
REAÇÕES DAS ASSOCIAÇÕES DE JORNALISTAS
O Sindicato dos Jornalistas do Líbano denunciou o que ocorreu contra Jalil e Faraj como uma “flagrante violação” das leis e convenções internacionais que garantem a proteção da imprensa, em um comunicado no qual aponta para uma “clara tentativa de intimidar a mídia” que tenta cobrir a última ofensiva israelense contra o Líbano.
O órgão assegurou que “o ocorrido não é um incidente isolado, mas parte de uma série reiterada de violações contra jornalistas libaneses”, pelo que exigiu que o governo e o exército libaneses, bem como a Cruz Vermelha e organismos internacionais, “intervenham imediatamente e garantam o retorno seguro” da jornalista dada como desaparecida.
A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) também se manifestou nesse sentido em uma breve mensagem nas redes sociais, onde fez um apelo “urgente” à comunidade internacional para que pressione “imediatamente o Exército israelense a permitir o resgate” de Jalil. “Sua vida está em perigo agora! Os contínuos ataques aéreos israelenses impedem que as equipes de resgate cheguem até ela”, acrescentou.
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