Publicado 22/04/2026 18:04

AMP2.- Pelo menos três mortos, incluindo uma jornalista, em novos ataques de Israel no sul do Líbano

A Cruz Vermelha recupera dos escombros o corpo da repórter que cobria um bombardeio israelense ao lado de outra colega, que foi resgatada

Associações de imprensa condenam o incidente, quando já somam cerca de 2.500 os mortos por ataques de Israel no Líbano

21 de abril de 2026, Jibcheet, Jibcheet, Líbano: Uma mulher está dentro de uma loja localizada em um prédio devastado na vila de Jibcheet, no sul do Líbano. Pelo menos 80 combatentes do Hezbollah pró-iraniano foram mortos em Jibcheet, enquanto o partido e
Europa Press/Contacto/Marwan Naamani

A Cruz Vermelha recupera dos escombros o corpo da repórter que cobria um bombardeio israelense ao lado de outra colega, que foi resgatada

Associações de imprensa condenam o incidente, quando já somam cerca de 2.500 os mortos por ataques de Israel no Líbano

MADRID, 22 abr. (EUROPA PRESS) -

Pelo menos três pessoas morreram em consequência de um ataque realizado nesta quarta-feira pelo Exército de Israel contra a localidade de Tiri, no sul do Líbano, onde duas jornalistas, uma delas falecida, que foram ao local para cobrir o evento, permaneceram sitiadas durante horas diante de novos bombardeios israelenses.

A informação foi divulgada pela agência de notícias libanesa NNA, que identificou Mujtar Alí Nabil Bazzi e Muhammad al Hurani como as vítimas de um bombardeio das forças israelenses contra o veículo em que circulavam neste município situado no distrito de Bint Jbeil.

Posteriormente, o Exército israelense lançou novos ataques sobre a mesma zona, deixando isoladas as jornalistas Zeinab Faraj e Amal Jalil, ambas do jornal libanês “Al Ajbar”, que se deslocaram para cobrir o primeiro dos bombardeios.

Uma equipe da Cruz Vermelha Libanesa deslocou-se à referida localidade, conseguindo recuperar os corpos dos dois falecidos, mas não conseguiu, inicialmente, resgatar as repórteres devido a novos ataques com drones por parte de Israel.

A Cruz Vermelha Libanesa conseguiu finalmente chegar ao local do incidente e transportar Faraj até o hospital público de Tebnine, embora tenha sido alvo de tiros do Exército israelense durante o trajeto até o centro de saúde, segundo a NNA, que divulgou imagens da ambulância com marcas de balas.

A Defesa Civil libanesa confirmou horas depois a morte de Jalil, que estava desaparecida, após a Cruz Vermelha e as Forças Armadas terem mobilizado uma escavadeira e encontrado seu corpo entre os escombros resultantes dos ataques de Israel.

O presidente libanês, Joseph Aoun, havia assinalado nas redes sociais que estava acompanhando o caso de Faraj e Jalil, “alvo de bombardeios israelenses”, e que havia dado ordem à Cruz Vermelha Libanesa para que se coordenasse com o Exército “e as forças internacionais a fim de concluir a operação de resgate o mais rápido possível”.

Por sua vez, o ministro da Informação, Paul Morcos, lamentou a morte de Jalil em suas redes sociais, onde denunciou que “ela foi atacada pelo Exército israelense enquanto exercia sua profissão, informando a verdade em Tiri”.

“Os ataques contra jornalistas constituem um crime claro e uma violação flagrante do Direito Internacional Humanitário, diante do qual não ficaremos em silêncio. Fazemos um novo apelo à comunidade internacional (...) para que aja e ponha fim a esta situação, impedindo que se repita”, acrescentou.

O próprio Morcos havia assinalado, antes de tomar conhecimento do trágico desfecho da jornalista, que “o Líbano responsabiliza Israel pela segurança dos jornalistas” em declarações à emissora de televisão Al Jazeera.

O Ministério da Saúde libanês estimou nesta quarta-feira em 2.475 o número de mortos e em 7.696 o de feridos em decorrência dos ataques israelenses contra seu território desde o último dia 2 de março, um número que continua aumentando apesar do cessar-fogo acordado com Beirute na semana passada.

Delegações do Líbano e de Israel devem se reunir nesta quinta-feira em Washington para um segundo encontro com o objetivo de pôr fim aos combates entre as Forças de Defesa de Israel (FDI) e o partido-milícia xiita Hezbollah, reativado logo após a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.

REAÇÕES DAS ASSOCIAÇÕES DE JORNALISTAS

O Sindicato dos Jornalistas do Líbano denunciou o que ocorreu contra Jalil e Faraj como uma “flagrante violação” das leis e convenções internacionais que garantem a proteção da imprensa, em um comunicado no qual aponta para uma “clara tentativa de intimidar a mídia” que tenta cobrir a última ofensiva israelense contra o Líbano.

O órgão assegurou que “o ocorrido não é um incidente isolado, mas parte de uma série reiterada de violações contra jornalistas libaneses”, pelo que exigiu que o governo e o exército libaneses, bem como a Cruz Vermelha e organismos internacionais, “intervenham imediatamente e garantam o retorno seguro” da jornalista dada como desaparecida.

A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) também se manifestou nesse sentido em uma breve mensagem nas redes sociais, onde fez um apelo “urgente” à comunidade internacional para que pressione “imediatamente o Exército israelense a permitir o resgate” de Jalil. “Sua vida está em perigo agora! Os contínuos ataques aéreos israelenses impedem que as equipes de resgate cheguem até ela”, acrescentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado