Europa Press/Contacto/Mikhail Metzel
Kushner e Witkoff realizaram duas reuniões com representantes ucranianos e uma terceira com o Reino Unido, a França e a Alemanha
Eles alcançaram “avanços significativos” em sua visita à Rússia e esperam que haja em breve uma reunião trilateral
MADRID, 6 set. (EUROPA PRESS) -
Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegaram neste domingo à Ucrânia após um dia de encontros em Moscou com as autoridades russas, em sua primeira viagem ao território ucraniano desde o início da guerra, em fevereiro de 2022.
Witkoff e Kushner se reuniram com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, que destacou que a presença deles em Kiev “funciona melhor do que os Patriot”, em referência à trégua de três dias para evitar ataques contra Kiev e também contra Moscou, coincidindo com a visita dos enviados americanos.
“Hoje vocês funcionaram ainda melhor do que os sistemas Patriot para nossos cidadãos da capital. Obrigado. Venham com mais frequência e nosso povo terá a oportunidade de viver um pouco mais”, afirmou Zelenski.
O líder ucraniano reiterou ainda seu desejo de paz. “Estamos todos aqui no mesmo lado. Todos queremos que não haja guerra, que não haja sofrimento, que ninguém morra e que esta guerra termine com uma paz justa, justa para todos nós”, apelou. “E que a guerra termine de forma que nunca mais haja a possibilidade de se repetir a agressão russa contra a Ucrânia”, acrescentou.
Zelenski antecipou que em breve haverá reuniões entre representantes ucranianos, norte-americanos e das potências europeias para avançar rumo à paz, embora ainda reste, por exemplo, definir o local do encontro. “Não sei onde será a reunião. Na Europa, nos Estados Unidos ou talvez novamente na Ucrânia. Estamos abertos a qualquer opção”, afirmou.
No âmbito estritamente militar, Zelenski destacou que aumentarão a produção de mísseis antiaéreos do tipo Patriot nas fábricas dos Estados Unidos e da Alemanha e que esses interceptores são necessários mesmo que a guerra termine. “Continuaremos precisando deles”, argumentou.
Além disso, ele instou os Estados Unidos a promover novas sanções contra a Rússia, embora tenha reconhecido que esse assunto “não foi tratado hoje”, já que a visita de Kushner e Witkoff se concentrou na retomada das negociações.
“OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS”
Kushner explicou que seu sogro e presidente, Donald Trump, quer que “as mortes acabem” e que se possa aproveitar as “oportunidades de negócios”. “O presidente Trump sempre diz que quanto mais difícil, melhor. Se vale a pena, é preciso dar tudo de si e é por isso que ele está tão determinado a que essa guerra termine e as mortes cessem, que as famílias se reúnam e que, esperamos, fazer o que ele mais gosta, que é se concentrar em investir em oportunidades de negócios para que os países se unam e haja prosperidade e oportunidades para os ucranianos e europeus”, argumentou.
Kushner acredita que a Ucrânia “tem potencial para se tornar uma grande nação”. “É por isso que o presidente Trump adoraria isso”, acrescentou em declarações à imprensa.
Kushner garantiu que a visita de sábado a Moscou permitiu alcançar “avanços significativos” e sinalizou a realização de uma reunião trilateral em breve.
“Acho que conseguimos um avanço significativo em Moscou. Ouvimos novas ideias”, destacou, por sua vez, Witkoff. “Vocês ouviram o presidente Zelenski falar sobre conversas trilaterais e esperamos que elas sejam anunciadas em um futuro próximo. Há muitas outras ideias convincentes que discutimos em Moscou e que foram apresentadas aqui em Kiev. Acreditamos que a cooperação seja crucial”, acrescentou.
Os enviados dos Estados Unidos mantiveram duas rodadas de contatos com os representantes ucranianos e, na terceira, juntaram-se representantes do Reino Unido, da França e da Alemanha, explicou o próprio Zelenski ao longo do dia.
CHEGADA A KIEV DE TREM
Witkoff e Kushner foram recebidos na estação ferroviária de Kiev por Kirilo Budanov, chefe do gabinete da Presidência, e pelo chefe dos serviços de inteligência, Rustem Umerov, para uma rodada de negociações após as realizadas na Rússia, conforme informou a agência de notícias ucraniana UNIAN.
Minutos antes, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou que Kiev “está interessada em acelerar o fim da guerra” com a Rússia. “Nos reunimos com nossa equipe de negociação antes do encontro com os enviados do presidente dos Estados Unidos. Estamos preparados para o diálogo”, disse ele.
O próprio Zelenski recebeu os enviados americanos na rua, no centro de Kiev. Enquanto aguardava a chegada deles, Zelenski explicou à imprensa que “os russos não permitiram que a delegação americana chegasse de avião, apesar de nossos aeroportos estarem preparados”.
Por sua vez, Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, havia indicado no início do dia que a delegação americana apresentou, no sábado, ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, diversas propostas para buscar uma solução para o conflito na Ucrânia. “Os representantes americanos se prepararam minuciosamente para esta viagem”, afirmou.
Witkoff e Kushner chegaram no sábado a Moscou em um voo militar norte-americano para apresentar uma proposta para pôr fim à guerra, conforme antecipado por Trump. Em seguida, está previsto que eles realizem, neste domingo, reuniões em Kiev como parte desse novo impulso diplomático para pôr fim ao conflito, desencadeado em fevereiro de 2022 pela ordem de invasão assinada por Putin.
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