Publicado 17/03/2026 15:42

Noboa desmente Petro e afirma que o Equador bombardeia grupos colombianos dentro de suas fronteiras

Petro afirma que “há 27 corpos carbonizados” como consequência desses ataques

5 de março de 2026, Quito, Equador: O presidente do Equador, Daniel Noboa, profere um discurso durante um evento que marca o 88º aniversário da Polícia Nacional, na Academia de Polícia Enríquez Gallo, em 2 de março de 2026, em Quito, Equador.
Europa Press/Contacto/Isaac Castillo/Ecuador Presi

MADRID, 17 mar. (EUROPA PRESS) -

O presidente do Equador, Daniel Noboa, desmentiu nesta terça-feira seu homólogo colombiano, Gustavo Petro, que na véspera o acusou de bombardear áreas da Colômbia próximas à fronteira comum. “Suas declarações são falsas; estamos agindo em nosso território”, escreveu ele em suas redes sociais.

Noboa confirmou esses últimos bombardeios como parte de uma operação das autoridades de seu país contra grupos do crime organizado, principalmente colombianos, que conseguiram se infiltrar em território equatoriano graças à permissividade do governo de Gustavo Petro na fronteira.

“Juntamente com a cooperação internacional, continuamos nessa luta, bombardeando os locais que serviam de esconderijo para esses grupos, em grande parte colombianos”, disse Noboa. “Desde o primeiro dia, combatemos o narcoterrorismo em todas as suas formas”, enfatizou o presidente equatoriano.

“Presidente Petro, suas declarações são falsas; estamos agindo em nosso território, não no seu. Não daremos um passo atrás”, enfatizou Noboa, que acusou as autoridades colombianas de terem dado abrigo à família do conhecido narcotraficante equatoriano José Macías Villamar, conhecido como ‘Fito’.

Noboa afirmou que os familiares do ilustre criminoso teriam cruzado a fronteira durante o toque de recolher noturno decretado em quatro províncias do país até 31 de março, como parte da operação contra o crime organizado.

A troca de declarações continuou com Petro informando em suas redes sociais que “há 27 corpos carbonizados” como consequência desses ataques. Os bombardeios na fronteira entre a Colômbia e o Equador não parecem ser nem de grupos armados — que não possuem aviões — nem das forças de segurança da Colômbia. “Eu não dei essa ordem”, afirmou.

“Há 27 corpos carbonizados e a explicação não é credível”, insistiu Petro, que garantiu que esses ataques afetaram “muitas” famílias que haviam decidido “pacificamente substituir suas plantações de folha de coca por culturas legais”.

Em seu último conselho de ministros, realizado na véspera, Petro alertou que havia ocorrido um bombardeio a partir do Equador contra território colombiano próximo à fronteira. “Apareceram bombas (...) Vai ser bem investigado (...) Já são muitas explosões”, afirmou.

Petro também compartilhou em uma publicação uma imagem de uma dessas bombas que teriam sido lançadas a partir de território equatoriano. “Ela caiu a cem metros da casa de uma família camponesa empobrecida”, denunciou.

O presidente enfatizou que existe uma gravação desses fatos, “que deve ser tornada pública”, e que teria chegado do Equador. Além disso, ele contou que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que intercedesse junto a Noboa. “Nós não queremos entrar em guerra”, declarou.

NOBOA AFIRMA QUE LUISA GONZÁLEZ TAMBÉM SAÍU PARA A COLÔMBIA

Da mesma forma, Noboa garantiu que a ex-candidata à presidência e aliada do ex-presidente equatoriano Rafael Correa, Luisa González, também cruzou a fronteira para a Colômbia em pleno toque de recolher e que o teria feito “ao mesmo tempo” que a família de ‘Fito’. “Continuaremos limpando e reconstruindo o Equador”, disse ele.

González respondeu a essa mensagem de Noboa nas redes sociais, indicando que em breve dará mais detalhes sobre sua agenda internacional. “Estarei em vários países”, escreveu ela, acrescentando em uma publicação posterior que eram “centenas de pessoas” que haviam embarcado em um voo do aeroporto de Quito “em pleno toque de recolher”.

González está sendo investigada pelo Ministério Público por suposto financiamento irregular de sua campanha de 2023 com dinheiro proveniente da Venezuela, no âmbito da operação conhecida como “Caja Chica”.

As relações entre a Colômbia e o Equador não estão passando por seu melhor momento. À troca de acusações e ataques dialéticos entre os dois governos soma-se a guerra comercial iniciada em janeiro, quando Quito anunciou a imposição de tarifas de 30%, que depois subiram para 50%, às exportações colombianas, em resposta à suposta permissividade de Bogotá com o tráfico de drogas.

A Colômbia decidiu agir de forma recíproca e também aplicou uma tarifa de 50% a várias exportações equatorianas, além de suspender temporariamente a venda de energia ao país vizinho.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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