Publicado 09/08/2026 10:57

Israel rejeita o plano de 15 pontos para Gaza proposto pelos EUA e exige o desarmamento “total” do Hamas

O Hamas reafirma seu compromisso e pede que a mediação internacional pressione Israel a cumprir o que foi acordado

5 de agosto de 2026, Jerusalém, Israel: JERUSALÉM — 4 de agosto de 2026: O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o presidente Isaac Herzog, familiares e outros líderes israelenses participam da cerimônia de reenterro dos restos mortais dos avós
Europa Press/Contacto/Paulina Patimer

MADRID, 9 ago. (EUROPA PRESS) -

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou neste domingo o plano de 15 pontos para a Faixa de Gaza proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que suas tropas não se retirarão do enclave palestino até que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) tenha se desarmado completamente.

“Israel rejeita o documento de 15 pontos. As Forças de Defesa de Israel não realizarão nenhuma retirada até que o Hamas se desarme. E quando digo 'desarmamento do Hamas', refiro-me tanto às armas pesadas quanto às leves: todas as armas”, afirmou ele em um vídeo publicado nas redes sociais.

O primeiro-ministro israelense afirmou que estão dialogando com a parte norte-americana após rejeitar o acordo, que havia sido aceito pelo Hamas e por outras milícias palestinas armadas. “Eles têm propostas; algumas delas são aceitáveis para nós e outras não, e sabemos como nos manter firmes diante dessas questões”, argumentou.

“A existência de Israel e a segurança de todos os cidadãos de Israel não estão sujeitas a negociação. Permanecemos firmes nesses interesses”, declarou, acrescentando ainda que suas forças continuarão a neutralizar as “ameaças” existentes contra Israel e seus cidadãos.

Além disso, Netanyahu reiterou que, enquanto ele for primeiro-ministro, não haverá um Estado palestino. “Nem em Gaza, nem na Judeia e Samaria (Cisjordânia). Nem ‘Fatahistão’, nem ‘Hamasistão’”, destacou, em alusão ao partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e ao Hamas.

“GRANDE APREÇO POR TRUMP”

O primeiro-ministro israelense afirmou que sente “grande apreço” por Trump. “Ele é um dos nossos grandes amigos na Casa Branca. Valorizo muito a parceria histórica com os Estados Unidos contra as tentativas do Irã de se dotar de armas nucleares. E quero enfatizar novamente: com acordo ou sem acordo, enquanto eu for primeiro-ministro, o Irã não terá armas nucleares”, declarou.

Assim, ele reiterou que farão “tudo o que for necessário” para garantir a segurança de Israel, e isso é algo que já demonstrou “repetidas vezes”: com a entrada em Rafá, no enclave palestino, com o controle do corredor de Filadélfia, localizado no lado palestino da fronteira entre Gaza e o Egito, ou quando suas forças entraram no Líbano e conseguiram eliminar o líder do partido-milícia xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah.

“O Irã ataca todos os países da região, inclusive fora dela, mas há um país que não ataca: o Estado de Israel. Até agora, ele não atacou e poderia fazê-lo, mas por que já se passaram tantas semanas e ele não está nos atacando? Porque sabe do golpe devastador que lhe infligiremos se ele o fizer”, afirmou.

Isso ocorre depois que o diretor-geral do Conselho de Paz para Gaza, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, ter confirmado que o governo de Israel, por meio de seu gabinete de segurança liderado por Netanyahu, havia dado “luz verde” para a entrada em Gaza da Força Internacional de Estabilização, a missão de paz organizada pelo próprio Trump.

O primeiro-ministro israelense recebeu recentemente Mladenov, que havia solicitado que Israel suspendesse seus ataques contra o enclave palestino para que as negociações com o Hamas fossem concluídas e as etapas do acordo pudessem ser implementadas.

Israel não se opõe, em princípio, à entrada de uma força multinacional liderada pela Força Internacional em Gaza para assumir tarefas de controle e segurança civil, embora tenha se recusado a se retirar do enclave palestino enquanto não for concluído previamente o desarmamento total do Hamas.

HAMÁS MANIFESTA SEU APOIO AO PLANO EM RESPOSTA A NETANYAHU

Em sua primeira resposta ao anúncio de Netanyahu, o Hamas assegurou que continua plenamente comprometido com o plano norte-americano, embora tenha reiterado que ainda aguarda a definição dos prazos exatos que regulamentariam tanto seu desarmamento quanto a retirada israelense.

“Reiteramos nossa seriedade ao participar de forma responsável na implementação do que foi acordado nos quinze pontos e no estabelecimento de um cronograma claro para sua aplicação”, respondeu o Hamas em um comunicado publicado pelo ‘Filastin’, seu jornal afim.

O Hamas insiste que a prioridade, neste momento, é “garantir a plena implementação do acordo, incluindo todas as suas etapas e requisitos, que conduza a uma cessação completa das hostilidades e ao fim da agressão”, bem como “a conclusão da retirada, a abertura dos pontos de passagem, a entrada de ajuda e suprimentos para os abrigos e o início do processo de reconstrução”.

Por tudo isso, o movimento islâmico palestino pede aos “mediadores, garantes e à Junta de Paz” que “assumam suas responsabilidades, garantam o compromisso de todas as partes com os acordos alcançados e evitem qualquer violação ou descumprimento que possa perturbar o processo de implementação ou comprometer o acordo de cessar-fogo”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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