Europa Press/Contacto/M OhamedKhidir
MADRID, 22 ago. (EUROPA PRESS) -
Israel rejeitou categoricamente a declaração da ONU de sexta-feira sobre o estado de fome na província de Gaza (que inclui principalmente a cidade de Gaza), afirmando que ela se baseia em dados imprecisos e "não reflete a realidade local".
Há semanas, as autoridades israelenses repudiam quaisquer acusações da ONU e de organizações internacionais sobre os efeitos devastadores de seu bloqueio no enclave, que vem sendo reforçado desde que o cessar-fogo foi rompido em 18 de março.
Por fim, na sexta-feira, a Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC), apoiada pela ONU, colocou a Faixa de Gaza na Fase 5 da classificação, que reflete a extrema falta de acesso a alimentos e água, o deslocamento em larga escala e uma alta taxa de mortalidade.
Em resposta, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu chamou o relatório de "mentira descarada" e garantiu que a política de seu país é "evitar a fome", permitindo a entrada de ajuda humanitária.
"Como todos os relatórios anteriores da CPI, este ignora os esforços humanitários de Israel e o roubo sistemático do Hamas. O Hamas rouba a ajuda para financiar sua máquina de guerra", insistiu Netanyahu contra esse "moderno libelo de sangue", antes de afirmar que "refutar mentiras sempre leva mais tempo do que inventá-las".
"O CPI deve pôr fim aos seus padrões duplos contra o Estado judeu", acrescentou o primeiro-ministro.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel disse em uma mensagem publicada nas mídias sociais que em outros países, como a Somália e o Sudão, a declaração de fome ocorre "quando o nível de desnutrição é de 30%".
"Somente em Gaza, o CPI apoiado pela ONU baixou o limite para 15% e isso se baseia em dados não confiáveis. Eles não encontraram uma fome, então criaram uma", disse o Ministério das Relações Exteriores de Israel na mídia social.
O IPC respondeu com uma defesa da validade de seus critérios. O IPC ressalta que 30% é um limite baseado em uma relação peso/altura. Como atualmente não há possibilidade de usar esses dados em Gaza, a organização decidiu usar outro sistema: medir a circunferência do braço.
De acordo com o manual técnico da organização, se mais de 15% das crianças em uma área pesquisada tiverem um diâmetro abaixo do limite da fome, o critério é atendido.
Por sua vez, a administração israelense sobre os territórios que ocupa na Palestina, COGAT, indicou que "o relatório ignora deliberadamente os dados fornecidos aos seus autores em uma reunião realizada antes de sua publicação e ignora completamente os esforços feitos nas últimas semanas para estabilizar a situação humanitária na Faixa de Gaza", de acordo com a nota de condenação publicada em sua conta na rede social X.
O chefe do COGAT, Ghassan Alian, insiste que a declaração da ONU se baseia em "fontes tendenciosas e não confiáveis, muitas delas afiliadas ao Hamas", e "ignora descaradamente os fatos e os amplos esforços humanitários conduzidos pelo Estado de Israel e seus parceiros internacionais".
"Esperamos que a comunidade internacional aja de forma responsável e não se deixe influenciar por narrativas falsas e propaganda infundada, mas que examine todos os dados e fatos em campo", concluiu.
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