Publicado 26/07/2025 22:42

AMP2 - Israel anuncia novo plano de ajuda a Gaza com lançamentos aéreos e possíveis "pausas humanitárias".

O Exército propõe "assistência" e "corredores humanitários" para permitir a movimentação segura de comboios da ONU

MADRID, 27 jul. (EUROPA PRESS) -

O exército israelense anunciou neste sábado o lançamento de um novo plano de ajuda a Gaza que inclui as descargas aéreas que havia adiantado na sexta-feira passada e que começaram nas primeiras horas da manhã de domingo, acompanhadas de missões de assistência para garantir a entrada de comboios humanitários da ONU e até mesmo "pausas humanitárias" nas áreas de entrega.

"De acordo com as diretrizes do establishment político, o IDF recentemente conduziu um lançamento aéreo de ajuda humanitária como parte dos esforços contínuos para permitir e facilitar a entrada de ajuda na Faixa de Gaza", disse o exército israelense em uma mensagem do Telegram, na qual apontou que a queda foi realizada "em coordenação com organizações internacionais e sob a direção do COGAT", a autoridade militar israelense encarregada dos territórios palestinos.

O lançamento desta noite consistiu em "sete paletes de ajuda com farinha, açúcar e alimentos enlatados", conforme anunciado anteriormente pelas Forças de Defesa de Israel.

Essa decisão - tomada pelo já mencionado "establishment político" - foi tomada, de acordo com sua declaração, para "refutar as acusações" de que o governo israelense está realizando uma política deliberada de fome, segundo os militares, que alertam a ONU e as ONGs internacionais de que agora está em seu poder impedir que as milícias do movimento islâmico palestino Hamas, a autoridade na Faixa, ponham as mãos nessas remessas.

A esse respeito, porta-vozes do exército israelense, como o coronel Nadav Shoshani, passaram o sábado negando relatos, como os publicados pelo New York Times, de que não havia provas de que o Hamas estivesse roubando carregamentos de ajuda que chegavam ao enclave.

Voltando à declaração do exército, "a assistência humanitária designada permitirá o movimento seguro dos comboios da ONU que entregam alimentos e medicamentos, e pausas humanitárias podem ser declaradas em áreas povoadas para facilitar a ajuda", acrescentou a IDF.

As IDF também relataram a recente reconexão de uma linha de energia de Israel a uma usina de dessalinização em Gaza, o que aumentou "a produção diária de água para 20.000 metros cúbicos".

ISRAEL NEGA A EXISTÊNCIA DE UMA SITUAÇÃO DE FOME

Esse anúncio ocorre após uma onda de críticas internacionais à catastrófica situação humanitária em Gaza e depois que as autoridades do enclave elevaram para mais de 120 o número de palestinos que morreram de fome ou desnutrição desde o início da ofensiva desencadeada pelo exército israelense após os ataques de 7 de outubro de 2023.

O comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) disse na sexta-feira que a fome em massa em Gaza é "construída e deliberada". Philippe Lazzarini, em uma postagem na mídia social, lembrou que Israel "controla todos os aspectos" do acesso humanitário, tanto fora quanto dentro da Faixa, e insistiu que o sistema de distribuição falho da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), apoiada por Israel e pelos EUA, está "servindo a objetivos militares e políticos".

Lazzarini também denunciou a prática de lançamentos aéreos "como a maneira mais cara e ineficaz de fornecer ajuda", servindo apenas como uma "distração da passividade predominante". Organizações como a Save the Children alertaram no ano passado que esses lançamentos aéreos não representavam "uma solução" para as centenas de milhares de palestinos presos e que somente um cessar-fogo imediato entre Israel e o Hamas poderia salvar suas vidas.

Da mesma forma, mais de 100 ONGs, incluindo a Anistia Internacional, a Médicos Sem Fronteiras e a Caritas, pediram à comunidade internacional que "tome medidas decisivas" contra o bloqueio israelense que "levou ao caos, à fome e à morte".

Os Médicos Sem Fronteiras (MSF), por sua vez, afirmaram que 25% das crianças com menos de cinco anos e das mulheres grávidas e lactantes tratadas pela ONG estavam desnutridas e que o número de palestinos registrados como desnutridos em suas clínicas na Cidade de Gaza havia quadruplicado em apenas dois meses e, entre as crianças com menos de cinco anos, triplicou apenas nas duas últimas semanas.

Diante das alegações das organizações de ajuda internacional e das agências da ONU, o exército insiste que "não há fome em Gaza" e que "essa é uma falsa campanha promovida pelo Hamas".

Israel respondeu dizendo que "a responsabilidade pela distribuição de alimentos é da ONU e das organizações internacionais de ajuda" e espera que "a ONU e as ONGs melhorem a eficácia da distribuição da ajuda e garantam que ela não chegue ao Hamas", alerta o exército, antes de garantir que "as operações de combate no enclave não cessaram".

Apesar disso, "as IDF estão preparadas para implementar pausas humanitárias em áreas densamente povoadas e continuarão a operar para desmantelar a infraestrutura terrorista e eliminar os terroristas nas áreas de atividade", afirmam os militares israelenses.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático