Publicado 28/10/2026 18:32

Flávio Bolsonaro se autoproclama “líder” do Brasil e denuncia fraude eleitoral

RIO DE JANEIRO, 25 de outubro de 2026  -- Flávio Bolsonaro (C), candidato à presidência pelo Partido Liberal do Brasil, se prepara para votar em uma seção eleitoral no Rio de Janeiro, Brasil, em 25 de outubro de 2026. Votação no segundo turno das eleições
Jin Haoyuan / Xinhua News / Europa Press

Retira um primeiro comunicado no qual se autodenomina “presidente eleito” e promete uma oposição no exílio ao estilo venezuelano

MADRID, 28 out. (EUROPA PRESS) -

O ex-candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, autoproclamou-se nesta quarta-feira como “líder” do país em sua primeira declaração após concluir sua fuga para os Estados Unidos, após sua derrota nas eleições presidenciais do último fim de semana.

O senador fez isso em uma carta que redigiu e divulgou em suas redes sociais, após excluir uma publicação original com um texto idêntico, exceto pelo fato de que nela também se autoproclamava “presidente eleito do Brasil”.

“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como líder do Brasil”, inicia o longo comunicado de Bolsonaro, no qual denuncia a existência de uma fraude eleitoral em benefício de seu rival e vencedor das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, após se identificar como vítima de um “golpe de Estado” e de uma “caça às bruxas”, anuncia sua intenção de começar a preparar uma “oposição” no exílio, ao estilo venezuelano.

Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos passando pela Argentina e pelo Equador depois que a Polícia Federal do Brasil cancelou seu passaporte, ao expirar o prazo concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes para que ele o entregasse, e impôs a ele uma proibição de saída do país, no âmbito de uma investigação por suposto lavagem de dinheiro por meio de casas de apostas.

A VITÓRIA DE LULA, UMA “IMPOSIBILIDADE MATEMÁTICA”

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (que, por sua vez, está em prisão domiciliar por liderar uma conspiração golpista contra Lula no final de 2022) considera “uma impossibilidade matemática” que Lula tenha conseguido uma reviravolta histórica nas pesquisas no segundo turno de 25 de outubro.

Flávio Bolsonaro denuncia especificamente uma decisão do Supremo Tribunal Federal “tomada além das competências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)” que “prorrogou o horário de votação de última hora, após o término do horário legal, quando as urnas já haviam fechado”.

Essa decisão foi tomada a pedido da campanha de Lula devido a denúncias de problemas no transporte de eleitores em todo o país. Vale lembrar que a campanha de Bolsonaro também havia solicitado a ampliação do horário de votação, embora apenas em cinco estados: São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

O ex-candidato denuncia que, após essa “repugnante fraude eleitoral”, teve início “um plano previamente orquestrado” pela “maquinaria de perseguição política do regime”, que começou, segundo ele, com a condenação de seu pai; um “golpe de Estado” com o objetivo final de “silenciar qualquer um que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, por meio de uma Suprema Corte cooptada pela organização criminosa ‘petista’ (o PT, o Partido dos Trabalhadores de Lula)”.

É assim que Bolsonaro justifica sua fuga para os Estados Unidos, “uma terra de liberdades e de irmãos que compartilham os mesmos valores que as pessoas de bem do meu país”, onde agora pretende formar uma espécie de oposição no exílio, como fizeram antes dele opositores como os venezuelanos Juan Guaidó ou María Corina Machado.

Bolsonaro chegou a se comparar a figuras históricas como o general francês Charles De Gaulle, que organizou, de Londres, a resistência contra a França de Vichy, submetida ao regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial, e até mesmo com o revolucionário cubano José Martí contra o ditador Fulgencio Batista.

“Não fugi do Brasil; saí pelo Brasil”, afirma Bolsonaro, que promete se dirigir regularmente ao povo brasileiro e, nos próximos dias, apresentará “uma estratégia para mobilizar a oposição” por “todos os meios pacíficos e legítimos” para “impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil”.

AGRADECIMENTOS A TRUMP E A MILEI

Embora nem a Casa Branca nem o governo argentino tenham se pronunciado sobre seu papel na fuga de Bolsonaro (no máximo, o Departamento de Estado confirmou a concessão dos vistos com vistas ao asilo político), Bolsonaro agradeceu a ajuda prestada aos presidentes de ambos os países, Donald Trump e Javier Milei.

A este último, ele agradeceu por “sua coragem, seu senso de justiça e seu respeito pela legalidade”, enquanto estendeu os agradecimentos ao “maravilhoso povo americano” pelo acolhimento.

“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Essa luta não terminou em 25 de outubro. Só terminará quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia chegará”, conclui.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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