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Autoridades iranianas denunciam um ataque contra uma área de pedestres em um posto de fronteira com o Iraque
Teerã denuncia ataques contra barcos de resgate na costa de Hormozgán
MADRID, 23 jul. (EUROPA PRESS) -
O Exército dos Estados Unidos iniciou, minutos antes da meia-noite desta quinta-feira, sua décima segunda noite de ataques contra o Irã, uma nova jornada de ataques que terminou cinco horas depois e foi ordenada pelo ocupante da Casa Branca, Donald Trump, com o objetivo declarado de minar a capacidade de Teerã de ameaçar o tráfego comercial no Estreito de Ormuz.
“Hoje (quarta-feira), às 17h30 (horário da Costa Leste dos Estados Unidos, 23h30 na Espanha peninsular e 1h da manhã de quinta-feira no Irã), as forças americanas começaram a lançar novos ataques contra alvos militares iranianos, seguindo as ordens do comandante-chefe”, anunciou nas redes sociais o Comando Central (CENTCOM) do Exército dos Estados Unidos, referindo-se com essa última menção a Trump.
Cinco horas depois, o Comando concluiu essa onda de ataques, conforme anunciado em um comunicado também divulgado nas redes sociais, no qual afirmou ter atacado “alvos militares iranianos, incluindo instalações marítimas, depósitos de mísseis e drones, postos de vigilância costeira e sistemas de defesa aérea”.
“Neste mês, as forças americanas atacaram dezenas de instalações militares iranianas em terra, ao mesmo tempo em que retomaram o bloqueio marítimo contra o Irã”, destacou.
A entidade militar afirmou, além disso, que sua “missão continuará com o objetivo de reduzir ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar marinheiros civis e navios mercantes que transitam pelas águas da região”. Refere-se, assim, aos ataques atribuídos às forças da República Islâmica contra petroleiros e navios-tanque, entre outras embarcações, embora Teerã tenha vindo a empregar uma linguagem ambígua ao se referir especificamente a esses incidentes, apontando, por exemplo, a “incêndios” e “explosões”, sem assumir a responsabilidade.
Pouco antes, o próprio CENTCOM negou que a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã “dê a entender que os navegantes internacionais só possam utilizar as rotas que a Guarda considere oportunas”, qualificando de “falsa” a premissa de que esse órgão militar iraniano “controle a saída e a entrada do Estreito de Ormuz”.
“O Irã não controla o Estreito de Ormuz. A via navegável internacional permanece aberta ao tráfego, independentemente das ameaças e dos ataques da Guarda Revolucionária”, afirmou o Comando Central, garantindo que, “desde o início de maio, as forças americanas ajudaram mais de 900 navios a transitar pelo estreito” e que os navios continuam cruzando essa passagem estratégica “com o apoio militar dos Estados Unidos”.
DOIS MORTOS E ONZE FERIDOS EM UM PASSO DE FRONTEIRA COM O IRAQUE
Essa nova onda de ataques — perpetrada na madrugada desta quinta-feira, horário do Irã — causou os maiores danos registrados até o momento na localidade de Shalamcheh, na fronteira com o Iraque, onde um bombardeio com mísseis teria atingido uma área próxima à zona de pedestres do posto de fronteira.
“A área próxima ao terminal de passageiros na fronteira de Shalamcheh foi atacada com mísseis do inimigo terrorista norte-americano”, declarou à agência estatal IRNA o subdiretor de segurança da província de Juzestão, Valiolá Hayati.
Pouco depois, o próprio Hayati informou ao referido veículo de comunicação que “dois compatriotas morreram e onze ficaram feridos no ataque com mísseis” em questão.
No entanto, esse não foi o único bombardeio: as cidades de Andimeshk e Ahvaz, também no Juzestão, e Bushehr, às margens do Golfo Pérsico, também foram alvo de ataques com mísseis — dois ataques no caso desta última —, embora as autoridades não tenham registrado vítimas até o momento.
ATAQUES CONTRA EMBARCAÇÕES DE RESGATE
Da mesma forma, a Direção Geral de Portos e Assuntos Marítimos de Hormozgán, no sul do país, denunciou um ataque contra várias embarcações de resgate marítimo que navegavam ao largo da costa do país.
“Este ato constitui uma clara violação das convenções e regulamentos internacionais que regem as atividades dos navios de resgate marítimo”, indicaram as autoridades iranianas, segundo informações coletadas pela agência de notícias Fars.
Nesse sentido, esclareceram que duas embarcações de busca e resgate marítimo foram atingidas e sofreram danos graves. As embarcações foram identificadas como “Naji 15” e “Naji 16”.
“Atacar embarcações com uma missão puramente humanitária e de socorro demonstra o total desrespeito dos autores pelos princípios, normas e obrigações internacionais, e revela mais uma vez a natureza das ações contrárias ao Direito Internacional contra o resgate marítimo e a infraestrutura de salvamento”, destacaram.
Além disso, as autoridades iranianas denunciaram que essas embarcações são frequentemente “alvo de ataques inimigos” e ficaram fora de serviço em várias ocasiões devido à gravidade dos danos sofridos desde o início da ofensiva lançada pelos Estados Unidos e por Israel no final de fevereiro. “As convenções relacionadas à segurança marítima e as normas internacionais de assistência humanitária refletem o total desrespeito dos perpetradores pela vida dos civis e pelas embarcações de resgate”, alertaram.
A Direção-Geral de Portos e Assuntos Marítimos de Hormozgan enfatizou, assim, que é necessário “dar continuidade às missões de resgate no mar, de acordo com as convenções internacionais, para oferecer serviços seguros e contínuos à população”.
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