O Departamento de Estado enfatiza a "urgência" de ambos os líderes em "acabar com os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio".
MADRID, 23 maio (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores, da União Europeia e da Cooperação, José Manuel Albares, defendeu perante o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, o "enorme esforço" que a Espanha fez para alcançar 2% do PIB em gastos com defesa, em um momento em que os Estados Unidos já se comprometeram a chegar a 5%, insistindo que o que a OTAN tem que fazer é "focar nas capacidades".
Albares teve sua primeira reunião com Rubio nesta quinta-feira em Washington, que ocorreu em um "tom muito cordial" e em espanhol e inglês, já que o Secretário de Estado é de origem cubana, e na qual a próxima cúpula da OTAN em Haia foi um dos pontos abordados.
Como o ministro explicou posteriormente em declarações à imprensa na Embaixada da Espanha, ele aproveitou a oportunidade para destacar "o esforço que a Espanha está fazendo para atingir esses 2% de gastos e o esforço que a Espanha também está fazendo com a segurança do flanco oriental", com o envio de 2.300 soldados, o maior de sua história, que estão ajudando a garantir a segurança de todos os europeus.
Albares reconheceu que sobre esse assunto "houve um intercâmbio" e os dois expressaram seus respectivos pontos de vista "com muita clareza". O governo de Donald Trump deixou claro que seu objetivo é que a cúpula da Aliança resulte em um compromisso de atingir 5% de gastos com defesa.
"Insisti que foi um esforço enorme chegar a esses 2% e que o debate neste momento deve se concentrar nas capacidades", acrescentou, em consonância com o que disse na terça-feira em Bruxelas a ministra da Defesa, Margarita Robles, que considerou um "erro" estabelecer porcentagens antes de falar sobre as capacidades necessárias para garantir a segurança europeia.
A ministra garantiu que "não houve pedidos específicos" de nenhum dos lados. "Foi mais uma troca em que concordamos em muitos pontos e, em outros, expressamos nossos pontos de vista", disse ele. No entanto, Rubio garantiu que havia "instado a Espanha a se juntar aos Aliados para dedicar 5% do PIB à defesa", conforme postou nas primeiras horas da manhã de sexta-feira em sua conta na rede social X.
As questões discutidas também incluíram as tarifas que o novo governo quer impor à UE, embora Albares tenha ressaltado que as competências comerciais são de responsabilidade de Bruxelas, que atualmente está negociando com Washington. No entanto, o Secretário de Estado "destacou a ação decisiva do Presidente Trump para remediar nosso déficit comercial com a UE", de acordo com a declaração emitida pela porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce.
"TOM MUITO CORDIAL".
Eles também discutiram o conflito na Ucrânia e a guerra em Gaza. Sobre a primeira questão, o ministro insistiu na "importância de se alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia", ao mesmo tempo em que insistiu na necessidade de paz no Oriente Médio e de Israel acabar com o bloqueio à Faixa de Gaza e permitir a entrada de ajuda humanitária.
A esse respeito, Albares deixou claro para Rubio que o governo está comprometido em "trabalhar com a Autoridade Nacional Palestina para que um dia ela possa assumir o controle de Gaza e da Cisjordânia". "Ambos os líderes concordaram com a urgência de pôr fim aos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio", disse o Departamento de Estado.
Finalmente, ele indicou que eles também abordaram a situação na América Latina e, de acordo com Bruce, "o secretário reconheceu a sólida cooperação da Espanha na luta contra a imigração ilegal". Em consonância com essa questão, Albares transmitiu a Rubio a disposição da Espanha de participar de "qualquer celebração do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, onde a Espanha e o povo espanhol também desempenharam um papel fundamental", disse ele.
Em resumo, destacou Albares, a reunião mostrou que "somos dois aliados naturais e históricos, com muitas décadas de trabalho conjunto, com interesses econômicos, comerciais, de investimento, culturais e linguísticos muito sólidos de todos os tipos", e que são "aliados fundamentais" tanto para a segurança quanto para a prosperidade da Europa e da América do Norte.
"Foi uma boa reunião, em um tom muito cordial, e acredito que esse encontro serve para fortalecer os laços entre nossos dois países", concluiu.
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