Europa Press/Contacto/Michael Baucher
MADRID, 7 jul. (EUROPA PRESS) -
Pelo menos 18 pessoas ficaram feridas nesta terça-feira devido à explosão de dois dispositivos explosivos na capital da Síria, Damasco, conforme confirmaram as autoridades sírias, durante a visita ao país do presidente da França, Emmanuel Macron, que está hospedado em um hotel localizado nas proximidades do local onde ocorreram as explosões.
O Ministério do Interior sírio informou que as explosões ocorreram perto da sede do Ministério do Turismo, acrescentando que entre os feridos há quatro policiais, conforme divulgado pela agência de notícias estatal síria, SANA.
Assim, informou que as investigações preliminares indicam que um dos artefatos estava colocado dentro de um veículo estacionado na área, enquanto o outro estava dentro de uma lixeira, sem que, até o momento, haja reivindicação de autoria desses ataques.
“O local das explosões fica fora do perímetro de segurança designado para a residência do presidente francês, Emmanuel Macron, pelo que (o incidente) não representou nenhuma ameaça direta à sua hospedagem nem à visita oficial, que continua conforme o previsto”, destacou.
Por sua vez, Macron publicou uma mensagem nas redes sociais na qual destacou que “nada pode sufocar as aspirações das mulheres e dos homens sírios de viver em uma Síria plenamente soberana, segura, pluralista e unida”, sem fazer qualquer referência às explosões em Damasco.
“Esta manhã, encontrei a Síria em toda a sua diversidade. Testemunhei sua dignidade, coragem e determinação”, disse ele. “Minha visita continua”, concluiu o presidente francês.
Por sua vez, o porta-voz do Ministério do Interior sírio, Nurredín al Baba, afirmou no local das explosões que o incidente “tem uma dimensão mais política e midiática do que um impacto no âmbito da segurança”, conforme divulgado pela emissora Syria TV.
Al Baba ressaltou que o ocorrido não afetou a visita de Macron. “Se houvesse um impacto direto sobre a visita, ela teria sido cancelada ou adiada, assim como os acordos que foram assinados”, explicou ele, antes de insistir que as explosões “não geraram o impacto esperado pelos responsáveis”.
Por sua vez, o ministro da Segurança, Anas Jatab, também se deslocou ao local e verificou o dispositivo de segurança, antes de ressaltar que “a prioridade é garantir a segurança dos cidadãos e concluir as investigações”, de acordo com um comunicado publicado pelo ministério nas redes sociais. Em seguida, ele visitou os feridos em um hospital.
As explosões ocorreram após a chegada de Macron ao Palácio do Povo para se reunir com o presidente de transição da Síria, Ahmed al Shara, no âmbito daquela que é a primeira visita de um chefe de Estado da União Europeia (UE) ao país desde a queda, em dezembro de 2024, do regime de Bashar al Assad, em consequência de uma ofensiva de jihadistas e rebeldes.
A mídia estatal síria divulgou algumas fotos do encontro entre o presidente do Eliseu e Al Shara, nas quais é possível ver Macron usando óculos escuros durante a recepção no Palácio do Povo, sem que, até o momento, tenham sido divulgados detalhes sobre a reunião mantida com Al Shara, ex-líder do grupo jihadista Hayat Tahrir al Sham (HTS).
Macron tornou-se, assim, o primeiro presidente de um país da UE a visitar a Síria desde 2008 —quando Nicolas Sarkozy o fez—, após as tensões com o regime de Al Assad e o rompimento das relações após a eclosão da guerra civil de 2011, em resposta à repressão dos protestos pró-democracia no contexto da chamada “Primavera Árabe”.
De fato, Al Shara realizou sua primeira visita oficial a um país ocidental em maio de 2025, quando se deslocou justamente à França; para isso, foi necessário aplicar uma exceção à sua viagem, já que naquela época ele ainda estava sob sanções por seu papel à frente do HTS, considerado uma organização terrorista por vários países, incluindo os Estados Unidos.
A viagem de Macron ocorre, além disso, cerca de três meses após a visita à Síria do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, que deve se reunir ainda hoje com Al Shara e o ocupante da Casa Branca, Donald Trump, no âmbito da cúpula da OTAN na capital da Turquia, Ancara.
Macron e sua delegação, que contará com empresários franceses, discutirão com as autoridades sírias como fortalecer as relações bilaterais e abordarão a situação regional e internacional, conforme informou na terça-feira o Palácio do Eliseu, que acrescentou que também serão discutidas as “oportunidades para aprofundar a cooperação em diversos âmbitos no âmbito do diálogo político entre os dois países”.
CONDENAS INTERNACIONAIS
Os ataques foram condenados pelas autoridades da Arábia Saudita, cujo Ministério das Relações Exteriores expressou sua “firme” repulsa e condenação ao “ataque terrorista covarde” perpetrado em Damasco, segundo um comunicado publicado nas redes sociais.
“O Reino reitera sua rejeição categórica a todos os atos terroristas e extremistas que minam a segurança e a estabilidade da Síria e de seu povo irmão”, afirmou, antes de expressar suas “condolências” aos familiares dos feridos, ao governo e à população após esse “trágico incidente”.
A Jordânia também se juntou às condenações, demonstrando seu “apoio” e “total solidariedade” à Síria e expressando sua repulsa a “todas as formas de violência e terrorismo que visam minar a segurança e a estabilidade” no país asiático.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Jordânia, Fuad al Mayali, reiterou ainda a posição de Amã “em apoio à segurança e à estabilidade da irmã Síria, à sua soberania, à sua integridade territorial e à segurança de seus cidadãos”.
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