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Oito países latino-americanos mostram sua “firme rejeição” à decisão de Castro e sustentam que ela afeta a “institucionalidade democrática” do país MADRID 11 jan. (EUROPA PRESS) -
A presidente cessante de Honduras, Xiomara Castro, denunciou neste sábado a interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no processo eleitoral do país e convocou-o para uma “audiência ou chamada direta”, ao mesmo tempo que exigiu — por meio de decreto legislativo — a recontagem de “todos os votos”, em meio às tensões no país latino-americano decorrentes do processo eleitoral, que foi marcado por denúncias de fraude. Castro enumerou em uma publicação em sua conta no X os motivos pelos quais ordenou ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a contagem de “todos” os votos e atas das eleições realizadas em 30 de novembro. A defesa da soberania de Honduras e o cumprimento de sua Constituição encabeçam a lista. A esses princípios, ele acrescentou as 4.774 atas não contadas na apuração e as 292 contestações — inconsistências, urnas infladas, fraude e compra de votos, entre outros — que continuam sem solução pelo CNE, órgão cujo “cinismo institucional” “impediu o acesso à verdade eleitoral e enterrou a vontade popular”, mergulhando “mais de um milhão de eleitores em um estado de indefesa”.
“Povo hondurenho: o que está ocorrendo não é uma crise de leis, é uma crise de ética, de moral e de coragem democrática e republicana. É o abandono do dever de construir a pátria sobre o princípio mais sagrado: a independência nacional e o voto do povo”, expressou a mandatária antes de sublinhar seu “apego irrestrito à vontade do eleitor e à soberania de Honduras” e seu “respeito (à) alternância no exercício da presidência”.
Antes de concluir sua mensagem, Castro voltou a enfocar o papel que o governo Trump desempenhou ao longo do processo eleitoral, com especial ênfase em “suas declarações públicas na rede social X a favor do cidadão Nasry Asfura”, candidato do Partido Nacional, declarado vencedor das eleições de 30 de novembro pelo CNE.
Assim, ela rejeitou as “informações falsas” divulgadas pela Casa Branca e convidou formalmente o presidente americano para “uma audiência ou ligação direta, para abordar com responsabilidade, respeito mútuo e transparência a situação eleitoral de Honduras”.
Essas declarações foram feitas um dia depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) expressou, nesta sexta-feira, sua preocupação com o panorama atual no país caribenho que Xiomara Castro governará até 27 de janeiro, “nem um dia a mais, nem um dia a menos”, data em que está previsto o início do mandato de Asfura.
OITO PAÍSES REJEITAM O DECRETO DE CASTRO
A declaração da presidente hondurenha suscitou a desconfiança dos governos de outros oito países latino-americanos — a saber: Argentina, Bolívia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Paraguai, Peru e República Dominicana — que manifestaram em uma nota conjunta sua “firme rejeição” ao decreto de Xiomara Castro.
Os países signatários sublinharam que a ordem de uma nova recontagem geral não só “desconhece a autoridade do Conselho Nacional Eleitoral”, como também “afeta a institucionalidade democrática” do país centro-americano.
Na mesma linha, repudiaram a violência política exercida contra a oposição e as repetidas tentativas do governo de “alterar o resultado expresso nas urnas pelo povo hondurenho”, instando “todas as forças políticas hondurenhas a respeitar a ordem democrática, garantir uma transição pacífica e privilegiar o diálogo”.
“Confiamos que o povo hondurenho saberá defender os valores da liberdade e da democracia”, continua o comunicado citado, utilizado pelos oito Estados signatários para reafirmar seu “reconhecimento à proclamação emitida pelo poder eleitoral competente sobre os resultados oficiais que declararam Nasry Asfura presidente eleito da República de Honduras”.
No passado dia 24 de dezembro, o Centro Nacional Eleitoral de Honduras declarou Asfura vencedor das eleições presidenciais realizadas a 30 de novembro no país centro-americano, num clima de tensão devido às denúncias de fraude por parte de outros candidatos à Presidência hondurenha.
O candidato apoiado por Donald Trump teria obtido 1.479.748 votos “válidos”, de acordo com a nota divulgada pelo órgão eleitoral após uma contagem de 97,86% dos votos. Em outras palavras, os resultados “apresentados pelo sistema” deram a vitória ao candidato do Partido Nacional, com 40,27% dos votos, à frente de Nasralla, que teria obtido 39,53% dos votos, e da candidata do LIBRE, Rixi Moncada, que teria obtido 19,19%.
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