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Costa defende que “se utilize um termo ou outro”; o que importa é que haverá uma “parceria mais estreita”
BRUXELAS, 29 out. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reconheceu nesta quinta-feira que o Canadá não pode se tornar membro de pleno direito da União Europeia “por razões geográficas”, mas defendeu a necessidade de promover uma “parceria sem adesão” que permita estreitar as relações entre Bruxelas e Ottawa a um nível “o mais próximo possível” do de um Estado-membro.
“O Canadá não pode se tornar membro de pleno direito da UE por razões geográficas, mas ambos queremos levar nossa relação ao nível mais alto possível”, afirmou a chefe do Executivo comunitário durante um discurso proferido no Instituto C.D. Howe, em Montreal, no âmbito de sua visita ao país norte-americano por ocasião da cúpula entre a União Europeia e o Canadá.
Von der Leyen lembrou que ambas as partes estão discutindo a possibilidade de o Canadá se tornar o primeiro “membro associado” da União Europeia, uma fórmula que ela propôs em seu discurso sobre o Estado da União em setembro e que, conforme explicou agora, permitiria aprofundar a integração política e institucional sem a necessidade de uma adesão formal ao bloco comunitário.
“Nossa ideia é simples: trata-se de uma associação sem adesão. Mas podemos substituir a adesão por uma ‘ambição e visão comuns’”, explicou a conservadora alemã, que defendeu a possibilidade de construir uma parceria que “se aproxime mais do status de membro do que qualquer outra coisa” que a União Europeia tenha feito anteriormente.
TRÊS PILARES PARA UMA ASSOCIAÇÃO MAIS ESTREITA COM O CANADÁ
Para alcançar isso, a presidente da Comissão identificou três grandes áreas de atuação, começando por uma maior coordenação das políticas europeias e canadenses em setores como inteligência artificial, mudanças climáticas, energia ou segurança.
O segundo pilar passa pelo estreitamento da cooperação institucional entre a Comissão Europeia e o governo canadense, mas também entre o Parlamento Europeu e o Parlamento do Canadá, bem como entre seus respectivos órgãos judiciais.
Por fim, Von der Leyen defendeu uma maior participação do Canadá nos programas comunitários, especialmente o Erasmus+, com o objetivo de facilitar os intercâmbios entre jovens, e o Horizonte Europa, para reforçar a colaboração entre pesquisadores e cientistas de ambos os lados do Atlântico.
Ela também lembrou que Bruxelas e Ottawa estão trabalhando para ampliar a participação canadense na próxima geração do Horizonte Europa e facilitar o reconhecimento de competências e qualificações profissionais, de modo que os trabalhadores possam exercer suas atividades com maior facilidade tanto na Europa quanto no Canadá.
“Em poucas palavras, é isso que significa ser membro associado”, resumiu Von der Leyen, que esclareceu que essa categoria estaria reservada aos parceiros “mais próximos” da União Europeia fora do continente e dispostos a construir uma relação que vá além dos “termos atuais” de cooperação.
SUPERAR OS “LIMITES DA ANTIGA ORDEM MUNDIAL”
Para Von der Leyen, não há “parceiro mais natural do que o Canadá para empreender essa jornada” com a União Europeia, sobretudo diante do contexto internacional marcado pela deterioração da ordem mundial e pela transformação das alianças que, durante décadas, garantiram prosperidade e segurança.
“Estamos testemunhando uma deterioração mais profunda da ordem internacional. As alianças e os pressupostos que tornaram possível nossa prosperidade e nossa segurança estão mudando rapidamente”, alertou ela, antes de defender que a Europa e o Canadá devem deixar para trás os limites da “velha ordem mundial” e apostar em novas parcerias baseadas na confiança e nos interesses comuns.
Em sua opinião, em um cenário de “rivalidades crescentes” internacionais, a soberania e a independência não consistem mais apenas na capacidade de agir sozinho, mas também na possibilidade de fazê-lo “em conjunto” com outros parceiros.
“É por isso que construiremos uma Aliança para o Futuro, e começaremos com o Canadá”, anunciou Von der Leyen, que defendeu a criação de um espaço comum de “crescimento e prosperidade, resiliência e segurança econômica” entre ambas as partes.
“SEJA QUAL FOR O TERMO UTILIZADO”, HAVERÁ UMA “ASSOCIAÇÃO MAIS ESTREITA”
Por sua vez, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, apoiou a proposta de Von der Leyen de transformar o Canadá em um “membro associado” da União Europeia, embora tenha deixado em aberto a possibilidade de utilizar outra denominação para essa nova fórmula de cooperação entre Bruxelas e Ottawa.
“A presidente Von der Leyen chegou a propor a ideia ousada de transformar o Canadá em um ‘membro associado’ da União Europeia. Compartilho dessa ambição”, afirmou horas depois, durante um discurso no Conselho de Relações Internacionais de Montreal, no qual defendeu que, “seja esse termo ou outro”, a parceria entre ambas as partes será “a mais estreita, a mais profunda e a mais singular” possível.
Nesse sentido, Costa confirmou que a UE e o Canadá lançarão nesta sexta-feira uma “Aliança para o Futuro”, com a qual pretendem ir “além de uma simples parceria, sem chegar à adesão plena” ao bloco comunitário, e anunciou que, durante a cúpula bilateral, também será apresentado um acordo sobre comércio digital que complementará o Acordo Econômico e Comercial Global (CETA), em vigor desde 2017.
O presidente do Conselho Europeu também destacou os avanços na área de defesa, após o Canadá ter aderido ao instrumento europeu SAFE, e observou que uma primeira empresa canadense, especificamente de Quebec, já conseguiu um contrato financiado por esse mecanismo para fornecer equipamentos de rádio ao Exército polonês. “Esperamos que outras empresas possam se beneficiar das próximas licitações do SAFE”, acrescentou.
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