Publicado 09/07/2026 08:29

A Venezuela insta a comunidade internacional a liberar seus fundos retidos para ajudar na reconstrução

Delcy Rodríguez anuncia o envio de uma carta ao rei da Inglaterra em prol da liberação do ouro retido, após ter conversado com o FMI com o mesmo objetivo

6 de julho de 2026, Caraballeda, Venezuela (República Bolivariana da: CARABALLEDA, LA GUAIRA, VENEZUELA – 7 DE JULHO DE 2026: Equipes de resgate e periciais continuam as operações de recuperação após os devastadores terremotos que atingiram a costa caribe
Europa Press/Contacto/Laura De Chiclana/Jna Press

MADRID, 9 jul. (EUROPA PRESS) -

As autoridades venezuelanas instaram os países membros das Nações Unidas a liberar os “fundos soberanos retidos” do Estado da Venezuela, algo que classificaram como “crucial” para que o país possa avançar no processo de reconstrução, após os fortes terremotos que abalaram o centro da costa venezuelana, deixando até o momento um saldo de mais de 3.800 mortos.

“Essa medida é crucial para que a Venezuela disponha dos recursos necessários para reconstruir tanto a infraestrutura física quanto a qualidade de vida de todos os cidadãos afetados”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, em uma mensagem nas redes sociais.

Conforme explicou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado, Gil transmitiu essa necessidade durante uma reunião “de alto nível” presidida pelo secretário-geral adjunto de Assuntos Humanitários da ONU e chefe do OCHA, Tom Fletcher, que chegou ao país na última terça-feira para uma visita de trabalho e coordenação conjunta diante dos recentes terremotos.

“Em nome do Governo bolivariano, participamos da reunião ministerial dos Estados-Membros das Nações Unidas sobre a resposta humanitária aos terremotos na Venezuela”, precisou o ministro, de acordo com o comunicado ministerial resultante dessa reunião, que também contou com a presença do coordenador residente da ONU na Venezuela, Gianluca Rampolla, bem como de outras autoridades do órgão multilateral.

CHEFE HUMANITÁRIO DA ONU

Por sua vez, o secretário-geral adjunto de Assuntos Humanitários da ONU e chefe do OCHA, Tom Fletcher, avaliou positivamente as reuniões realizadas com as autoridades, incluindo a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, a quem agradeceu pela cooperação prática na resposta à crise.

“Quem respondeu na linha de frente a essa crise foram as comunidades locais, aquelas pessoas que, desde o primeiro momento, saíram em busca de seus vizinhos e entes queridos, bem como o trabalho do governo para dirigir e coordenar a resposta”, afirmou, ao mesmo tempo em que elogiou a rápida reação da comunidade internacional ao enviar equipes de resgate e mobilizar 15 milhões de dólares (pouco mais de 13 milhões de euros) do fundo de emergência.

Ele também destacou o “passo à frente” do setor privado, com contribuições diretas que já ultrapassam 32 milhões de dólares (cerca de 28 milhões de euros), bem como a ajuda “com informações digitais de satélite, maquinário pesado para a remoção de escombros, alimentos, bebidas e toda uma série de apoios essenciais”.

Fletcher avaliou que, na próxima fase diante do desastre, será “essencial” uma “resposta humanitária mais ampla” voltada para “a reconstrução, a recuperação precoce e o desenvolvimento”, por isso solicitou um “plano único, coordenado e claro”. “Esse plano existe”, ressaltou ele, destacando o papel de avaliação das autoridades venezuelanas.

Quanto ao financiamento, o chefe do OCHA estimou em 296 milhões de dólares adicionais (cerca de 260 milhões de euros) o valor necessário para implementar a resposta à crise, valor que se soma aos 632 milhões de dólares (pouco mais de 553 milhões de euros) solicitados originalmente no início do ano.

“Os doadores já estão aumentando seu apoio, e eu lhes presto homenagem e agradeço por isso”, disse ele, precisando que a resposta para a Venezuela já recebeu 300 milhões de dólares (cerca de 262 milhões de euros) em contribuições internacionais. “Valorizo profundamente cada dólar doado”, indicou.

Dessa forma, ele ressaltou que a solidariedade internacional “não deve terminar quando a fase de busca e resgate for superada”. “Devemos demonstrar que responderemos à pergunta dessas mães: a ajuda está chegando e será sustentável, generosa, flexível, previsível e alinhada às necessidades claramente identificadas da população da Venezuela”, afirmou Fletcher.

UMA CARTA A CARLOS III E UMA CONVERSÃO COM O FMI

Nesta mesma quarta-feira, no âmbito de uma reunião com os responsáveis pelos acampamentos provisórios e pelas moradias afetadas pelo duplo terremoto, a presidente interina manifestou sua decisão de enviar uma carta ao rei da Inglaterra, Carlos III, para solicitar a liberação “do ouro que está retido no Banco da Inglaterra”.

“Esse ouro pertence ao nosso povo e deve ser utilizado para lidar com as consequências terríveis e trágicas desse duplo terremoto”, reivindicou a presidente interina, conforme informou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado à imprensa.

Por outro lado, Rodríguez mencionou conversas com organismos financeiros internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), com o objetivo, também, de “liberar recursos bloqueados da Venezuela” para avançar nas tarefas de atendimento à emergência decorrente dos terremotos.

O presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, informou em coletiva de imprensa nesta quarta-feira que são, especificamente, 3.811 as pessoas que perderam a vida em decorrência dos referidos terremotos — 126 a mais em relação ao balanço anterior— e 16.740 feridos após os terremotos de magnitude 7,5 e 7,2 na escala de Richter ocorridos no final do mês de junho passado, que também causaram danos significativos em 856 edifícios, dos quais 190 desabaram.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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