Trump declara que os EUA estão em "conflito armado" com os cartéis
MADRID, 3 out. (EUROPA PRESS) -
Autoridades venezuelanas denunciaram nesta quinta-feira o envio de aviões de combate das Forças Armadas dos Estados Unidos a cerca de 75 quilômetros de suas costas, no âmbito das operações militares norte-americanas realizadas nas últimas semanas no Caribe, onde inclusive atacaram supostos narcotraficantes.
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, afirmou que o sistema de defesa aérea detectou cinco aeronaves norte-americanas, supostamente do tipo F-35, na região de Maiquetia, no norte do país.
"A presença desses (...) aviões voando nas proximidades de nossa área de influência, em nosso Mar do Caribe, perto da costa venezuelana, é grosseira, é uma provocação", declarou ele durante uma avaliação das operações das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB).
O chefe da pasta ministerial observou que "nunca" haviam visto "essa mobilização de aviões", alguns deles estacionados em Porto Rico. "Quero que saibam que isso não nos intimida, não intimida o povo da Venezuela", disse ele.
Posteriormente, o chefe da diplomacia venezuelana, Yván Gil, emitiu uma declaração conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa denunciando a "incursão ilegal" dessas aeronaves "a aproximadamente 75 quilômetros" de suas costas, uma ação que, segundo ele, "viola o direito internacional e a Convenção de Chicago sobre Aviação Civil Internacional" e faz parte de "um padrão de assédio que não pode ser tolerado".
Por esse motivo, ele anunciou que o governo venezuelano "apresentará essa queixa" ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ao Conselho de Segurança, à Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) e à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), para que "sejam adotadas as medidas necessárias para evitar a repetição dessas ações ilegais e perigosas".
Gil também reiterou que as autoridades venezuelanas não aceitam "intimidação ou agressão" externa e assegurou que "exercerá plenamente seu direito de defesa", depois de instar o chefe do Departamento de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, a "cessar imediatamente sua postura imprudente, aventureira e bélica que busca minar a zona de paz na América Latina e no Caribe e coloca em risco a estabilidade regional".
Nesse contexto, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que os EUA estão agora em guerra com os cartéis de drogas considerados pela Casa Branca como grupos terroristas, fornecendo assim uma justificativa legal para os ataques de setembro a navios no Caribe.
Assim, Trump determinou que os Estados Unidos "estão em um conflito armado não internacional com essas organizações terroristas designadas", de acordo com um documento confidencial que seu governo enviou ao Congresso nesta semana e ao qual vários meios de comunicação dos EUA tiveram acesso.
"O presidente instruiu o Departamento de Guerra (Defesa) a conduzir operações contra eles de acordo com a Lei de Conflitos Armados. Os Estados Unidos chegaram a um ponto crítico em que precisamos usar a força em defesa de nós mesmos e de outros contra os ataques contínuos dessas organizações terroristas designadas", acrescenta a assessoria.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, assinou na segunda-feira um decreto declarando estado de comoção externa, uma situação de emergência com excepcionalidades, para entrar em vigor em caso de agressão externa, uma possibilidade que Caracas teme após as recentes declarações públicas de Trump e de outros membros seniores de seu governo.
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