Publicado 21/04/2026 12:23

Vários países da UE aderem à imposição de sanções contra Israel, mas a Alemanha e a Itália rejeitam a medida

França, Suécia e Países Baixos não vão tão longe quanto a Espanha em sua exigência pela suspensão total do Acordo de Associação

Reunião do Conselho de Relações Externas (CAE) que se realiza nesta terça-feira em Luxemburgo
FRANCOIS LENOIR

BRUXELAS, 21 abr. (EUROPA PRESS) -

Vários países da União Europeia aderiram à pressão sobre Israel com a imposição de sanções, tal como um primeiro grupo de três países, entre os quais a Espanha, havia solicitado aos Vinte e Sete, embora, por enquanto, se limitem a medidas comerciais e não prevejam a suspensão total do Acordo de Associação, uma decisão que tanto a Alemanha quanto a Itália rejeitaram.

Especificamente, a França e a Suécia apresentaram na reunião do Conselho de Relações Externas (CRE), realizada nesta terça-feira em Luxemburgo, um documento com propostas para que a UE limite o comércio com os assentamentos israelenses na Cisjordânia, embora não tenham avaliado a solicitação da Espanha, Irlanda e Eslovênia de suspender o tratado que concede a Israel o status de parceiro preferencial da UE.

Foi o que anunciou a ministra das Relações Exteriores da Suécia, Maria Malmer Stenergard, em declarações à imprensa antes de participar da reunião do Conselho de Relações Exteriores, nas quais ela garantiu que sua proposta conjunta com a França tem mais chances de ser aprovada do que a da Espanha, que não conta com “apoio suficiente por enquanto”, e que bastaria apenas que a Hungria, com um novo governo recém-formado, retirasse seu veto às sanções contra os colonos.

Seu colega da Holanda, o ministro Tom Berendsen, defendeu que é “importante” aumentar a pressão sobre Israel neste momento, com o objetivo não apenas de “suspender o componente comercial, mas de conseguir uma mudança de comportamento” por parte do país liderado por Benjamin Netanyahu.

O chefe da diplomacia holandesa também opinou que a suspensão do Acordo de Associação com Israel seria uma medida “severa” e que, por enquanto, “não há indícios” de que exista uma maioria suficiente para sua aprovação, mas, de qualquer forma, mostrou-se disposto a sondar a opinião dos Vinte e Sete e se as recentes ações israelenses alteraram alguma posição.

A Bélgica foi o país que foi mais longe entre esses quatro, afirmando que “é evidente” que a UE precisa “endurecer o tom em matéria de sanções”. Defendeu também “pelo menos” a suspensão “parcial” do Acordo de Associação, o que implicaria medidas comerciais e poderia ser aprovado com o apoio de apenas uma maioria qualificada de países.

“Estamos cientes de que a suspensão total provavelmente está fora de alcance, dadas as posições dos diferentes países europeus, mas devemos ser capazes de agir e centrar o debate”, indicou o ministro das Relações Exteriores da Bélgica, Maxime Prévot, em declarações à imprensa.

ALEMANHA E ITÁLIA CONSIDERAM ISSO “INADEQUADO”

Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, mostrou-se abertamente contrário à suspensão total ou parcial do Acordo de Associação da União Europeia com Israel, qualificando tal medida como “inadequada”.

No entanto, ele se mostrou disposto a abordar com o governo de Netanyahu “as questões críticas”, como a introdução da pena de morte para palestinos ou a violência dos colonos nos assentamentos israelenses na Cisjordânia, entre outros assuntos.

“Espero que o governo israelense aja de forma mais clara, firme e com todos os meios do Estado de Direito contra essa violência”, indicou, mostrando-se também crítico em relação a qualquer possibilidade de “anexação da Cisjordânia”, já que, em sua opinião, isso minaria a possibilidade de viabilizar a solução de dois Estados.

Seguiu-se o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, que sugeriu que seu país tem uma posição “análoga” à alemã, argumentando que a suspensão do Acordo de Associação afetaria “a população israelense em geral”, que “não tem nada a ver” com os atos cometidos pelos militares e posteriormente atribuídos ao governo de Netanyahu.

“Hoje não será tomada nenhuma decisão porque não existem nem as condições numéricas nem as políticas; acredito que seja melhor sancionar individualmente os responsáveis, penso nos colonos violentos, aumentar as sanções e reforçá-las, mas não acredito que bloquear um acordo comercial seja um instrumento útil”, afirmou.

No entanto, ele se mostrou contra “qualquer aquisição de terras na Cisjordânia por parte de Israel”, contra a lei da pena de morte aprovada recentemente pelo parlamento israelense, contra os bombardeios contra a população civil ou contra “algumas atitudes vergonhosas”, como a protagonizada por um soldado israelense que “tentou decapitar um crucifixo”.

ESPANHA, IRLANDA E ESLOVÊNIA PEDEM A SUSPENSÃO

A Espanha, juntamente com a Irlanda e a Eslovênia, levou à reunião o debate sobre a revisão das relações com Israel devido à violação dos direitos humanos em Gaza, mas também no Líbano e na Cisjordânia, com foco na rescisão do Acordo de Associação.

O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, exigiu nesta terça-feira de seus parceiros europeus firmeza diante de Israel e alertou que o bloco europeu “coloca em jogo sua credibilidade” se não se opuser com “a mesma voz, os mesmos princípios e objetivos” à violência no Oriente Médio, assim como faz diante de outras crises, como a invasão russa da Ucrânia.

O governo defende a rescisão total do acordo — o que exigiria unanimidade dos 27 —, mas Albares afirmou que estão dispostos a considerar outras medidas que outros Estados-membros coloquem em discussão e, a esse respeito, lembrou que, para dar o passo da suspensão parcial do acordo, ou seja, afetar apenas o pilar comercial, “basta a maioria qualificada” dos parceiros.

No entanto, Albares defendeu que, desde que os 27 analisaram essa possibilidade — há já seis meses, também a pedido da Espanha e de outros países —, a situação no Oriente Médio piorou a tal ponto que o que está acontecendo no Líbano ou na Cisjordânia é “insuportável”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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