Europa Press/Contacto/Ankhar Kochneva
A organização lamenta que “a violência no Líbano continue a ter consequências devastadoras para a infância”
A Save the Children alerta para um agravamento da crise e destaca que há “muitas crianças separadas de suas famílias e entes queridos”
MADRID, 10 abr. (EUROPA PRESS) -
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) denunciou nesta sexta-feira que cerca de 600 crianças morreram ou ficaram feridas devido à ofensiva lançada em 2 de março por Israel contra o Líbano, incluindo mais de 30 mortos e cerca de 150 feridos pela onda de bombardeios perpetrada na quarta-feira pelas tropas israelenses contra diversos pontos do país, incluindo o centro da capital, Beirute.
“A violência no Líbano continua a ter consequências devastadoras para a infância”, afirmou a organização, que destacou que recebe relatos sobre o resgate de crianças “entre os escombros” após os últimos bombardeios israelenses, enquanto “outras continuam desaparecidas ou separadas de suas famílias”. “Muitos estão sofrendo traumas após terem perdido entes queridos, suas casas e qualquer sensação de segurança”, acrescentou.
Assim, lembrou que “em todo o país, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas, incluindo cerca de 390 mil crianças, muitas delas pela segunda, terceira ou até quarta vez”, ao mesmo tempo em que insistiu que “o Direito Internacional Humanitário é claro: a população civil, incluindo as crianças, deve ser protegida em todos os momentos”.
“Todas as partes em conflito devem tomar todas as precauções possíveis para proteger a população civil e as infraestruturas civis, e garantir um acesso humanitário seguro, sustentável e sem obstáculos”, observou, antes de exigir o fim do uso de “armas explosivas de amplo alcance em zonas densamente povoadas”, uma vez que “representam uma ameaça mortal para a infância”.
Nesse sentido, ela destacou que suas equipes estão trabalhando em Beirute atendendo a “inúmeras crianças feridas” pelos ataques e ressaltou que está ampliando sua resposta de emergência “à medida que as necessidades aumentam”. “Nossas equipes estão ajudando a distribuir suprimentos essenciais em abrigos, material médico para centros de saúde públicos, e unidades móveis estão prestando atendimento de urgência a famílias deslocadas”, destacou.
A UNICEF sublinhou ainda que “embora os esforços de cessar-fogo em outros locais tenham trazido algum alívio”, em referência ao cessar-fogo de duas semanas acordado entre os Estados Unidos e o Irã, “a atividade militar em curso no Líbano representa um grave risco para o cessar-fogo e para os esforços em prol de uma paz duradoura e global na região”. “As crianças no Líbano não podem ficar para trás”, acrescentou.
Por sua vez, a organização não governamental Save the Children lamentou que o Líbano esteja passando por um agravamento da crise após a onda de bombardeios israelenses, com “muitas crianças separadas de suas famílias e entes queridos”, segundo Yara Hamadeh, responsável sênior por Advocacia, Mídia e Campanhas da ONG no país.
“No país, há uma enorme incerteza, medo e angústia. Muitas pessoas dizem que o que aconteceu lhes lembrou a explosão de Beirute em 2020. Os ataques ocorreram sem aviso prévio e muito perto de áreas civis”, destacou. “Todos no Líbano vão se lembrar da hora exata e dos detalhes do que aconteceu. Em questão de um minuto, a vida pode mudar completamente”, acrescentou, antes de indicar que as informações apontam para “mais de cem ataques aéreos em menos de dez minutos”.
Hamadeh destacou que as equipes da Save the Children “trabalham dia e noite” para reunir as crianças com suas famílias, embora tenha reconhecido que “muitas pessoas perderam a vida nos bombardeios ou posteriormente nos hospitais”. “Sabemos que entre elas há menores, embora ainda não haja um número definitivo, pois o número de vítimas continua aumentando. Tudo isso acontece em um país já devastado pela guerra, com serviços públicos no limite”, argumentou.
“Uma criança repetia para nossa equipe que só quer que tudo volte a ser como antes. As crianças querem voltar para suas casas, para suas rotinas, para suas famílias. Ser trabalhadora humanitária é a única coisa que me ajuda a lidar com isso como libanesa”, relatou. “Sentir que estou contribuindo com algo, que estou ajudando, que estou apoiando, especialmente as crianças. Manter a esperança de que algum dia não estaremos apenas respondendo a crises. Levantar a voz e dar visibilidade ao que está acontecendo no Líbano”, concluiu.
As autoridades libanesas denunciaram que cerca de 1.900 pessoas morreram e mais de 6.000 ficaram feridas devido à ofensiva de Israel, incluindo mais de 300 mortos e 1.100 feridos pela onda de ataques perpetrada na quarta-feira, apenas algumas horas depois de o Paquistão, na qualidade de país mediador, ter anunciado um acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã que deveria abranger, segundo Islamabad inicialmente, toda a região do Oriente Médio.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático