Kike Rincón - Europa Press - Arquivo
A equipe de defesa da Adalah antecipa que “recorrerá imediatamente” e reitera que as acusações contra ambos são “infundadas”
MADRID, 5 maio (EUROPA PRESS) -
Um tribunal de Israel prorrogou por seis dias a detenção dos dois ativistas presos durante a abordagem, na semana passada, da Flotilha Global Sumud em águas internacionais no Mar Mediterrâneo e transferidos para o país, entre eles o palestino-espanhol Saif Abukeshek, conforme confirmou a organização Adalah, responsável por prestar assessoria jurídica a eles no país.
A Adalah informou que o tribunal de Ashkelon aceitou nesta terça-feira o pedido das autoridades para prorrogar por seis dias a detenção de Abukeshek e do ativista brasileiro Thiago Ávila, pelo que permanecerão sob custódia pelo menos até domingo, 10 de maio.
“A decisão do tribunal de prolongar a detenção dos ativistas humanitários sequestrados em águas internacionais equivale a uma validação judicial da ilegalidade do Estado”, afirmou a organização, que antecipou que “recorrerá imediatamente” para “impugnar essa decisão e exigir a libertação imediata e incondicional de Thiago e Saif”.
Hadil abú Salí e Lubna Tuma, advogadas da Adalah que representam os dois ativistas, sustentaram durante a audiência que as acusações contra ambos são “infundadas” e que não há motivos legais para que continuem detidos. De fato, a organização destacou que as autoridades ainda não apresentaram acusações contra eles e que o objetivo de mantê-los sob custódia é dar continuidade aos interrogatórios.
Assim, explicou que o promotor apresentou em uma audiência preliminar uma lista de supostos crimes que incluiriam “auxiliar o inimigo em período de guerra”, “entrar em contato com um agente estrangeiro”, “prestar serviços a uma organização terrorista” — em referência ao Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) — e “transferir bens para uma organização terrorista”, igualmente o grupo islâmico palestino.
Por isso, a defesa destacou que não há qualquer conexão entre a entrega de ajuda humanitária à população civil por meio da referida frota, que pretendia romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza, e uma “organização terrorista”, ao mesmo tempo em que argumentou que as leis israelenses não são aplicáveis, uma vez que ambos foram “sequestrados” a mil quilômetros da costa de Gaza e não são cidadãos de Israel.
As advogadas argumentaram ainda que ambos permanecem “em total isolamento” e em celas “sujeitas a iluminação de alta intensidade constante”, além de terem os olhos vendados “sempre que são transferidos de local, inclusive para exames médicos”. Tanto Abukeshek quanto Ávila estão em greve de fome e bebem apenas água desde as primeiras horas do dia 30 de abril para protestar contra “seu sequestro e tratamento desumano”.
Por fim, lamentaram que, apesar de todos esses argumentos, o juiz Yaniv Ben Haroush tenha aprovado o pedido das autoridades, “em parte com base em provas que nem os ativistas nem seus advogados puderam examinar”. A decisão do tribunal significa aceitar o pedido do Ministério Público, antecipado horas antes pela Adalah à Europa Press, “sem impor limitações ou restrições judiciais ao período de interrogatório”.
O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, desafiou nesta mesma terça-feira o governo de Israel a colocar “sobre a mesa” as provas contra Abukeshek para terem levado a cabo sua detenção “completamente ilegal”, ao mesmo tempo em que sinalizou que as alegações que lhe foram transmitidas pelas autoridades israelenses negam “categoricamente” as acusações feitas contra ele.
"Não há nenhuma prova nem qualquer relação com o que as autoridades israelenses dizem", insistiu o ministro em declarações ao programa 'La hora de La 1', divulgadas pela Europa Press, nas quais também detalhou que Saif está "bem" dentro das "terríveis circunstâncias em que se encontra". "Nenhum agente israelense tem jurisdição em águas internacionais e exigimos sua libertação imediata. Saif não deveria estar onde está, nas prisões de Israel”, concluiu.
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