Publicado 12/06/2026 15:44

A UE oficializará na segunda-feira o início das negociações de adesão com a Ucrânia e a Moldávia

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski.
PRESIDENCIA DE UCRANIA

Também abordará as relações com a China e avaliará a possibilidade de impor sanções contra a Rússia e contra o comércio com os assentamentos israelenses

BRUXELAS, 12 jun. (EUROPA PRESS

Os ministros das Relações Exteriores dos Vinte e Sete oficializarão nesta segunda-feira o início das negociações formais para a adesão da Ucrânia e da Moldávia à União Europeia, depois que, nesta sexta-feira, os Estados-membros tenham acordado a abertura do primeiro grupo de capítulos, após a mudança de postura da Hungria, que manteve um veto por dois anos.

Em eventos separados que ocorrerão em Luxemburgo, os chefes diplomáticos da União assinarão, juntamente com os da Ucrânia e da Moldávia, a abertura dos capítulos “fundamentais”, também conhecidos em Bruxelas como “a espinha dorsal do processo de adesão” e que tratam do Estado de Direito e dos direitos fundamentais, bem como do funcionamento das instituições democráticas, da reforma da administração pública e dos critérios econômicos.

Este grupo inclui cinco dos 33 capítulos do processo de adesão: o capítulo 23, sobre o poder judiciário e os direitos fundamentais; o capítulo 24, sobre justiça, liberdade e segurança; o capítulo 5, sobre contratos públicos; o capítulo 18, sobre estatística; e o capítulo 32, sobre controle financeiro.

A cerimônia de abertura dos capítulos será realizada na segunda reunião da Conferência de Adesão com a Ucrânia e a Moldávia, dois eventos que coincidirão no mesmo dia com a vigésima sétima reunião da Conferência de Adesão com Montenegro, o país mais avançado no processo de integração à União Europeia.

NOVAS AUXÍLIOS À UCRÂNIA E SANÇÕES À RÚSSIA

Pouco antes da cerimônia, haverá uma reunião do Conselho de Relações Externas (CAE) - , na qual os ministros da União Europeia avaliarão se existe a maioria necessária entre os Estados-Membros para proibir o comércio com os assentamentos israelenses da Cisjordânia em toda a União Europeia.

O encontro servirá também para que os chefes diplomáticos europeus abordem os aspectos de política externa e de segurança das relações da União com a China, e está previsto ainda que aprovem uma nova lista de pessoas sancionadas por sua relação com a invasão da Ucrânia.

Este Conselho de Relações Externas (CAE) terá início com um café da manhã informal com o ministro das Relações Exteriores da Armênia, Ararat Mirzoyan, onde os ministros analisarão os resultados das recentes eleições naquele país, nas quais Nikol Pashinián foi reeleito primeiro-ministro, e discutirão como fortalecer a resiliência e a segurança da Armênia diante da pressão econômica da Rússia.

No bloco dedicado à Ucrânia — que contará com a participação virtual de seu chefe diplomático, Andri Sibiga —, os Vinte e Sete concentrarão seus esforços na finalização do 21º pacote de sanções, que inclui novas medidas contra a frota fantasma de navios que a Rússia utiliza para contornar as sanções.

Também está previsto que acordem, de forma mais imediata, novas sanções contra pessoas e entidades, entre elas 54 pessoas por minar a integridade territorial da Ucrânia, outras 16 designações no âmbito do regime de Direitos Humanos ligadas à morte do opositor Alexei Navalny e mais onze nomes por ameaças híbridas, conforme detalhado por fontes diplomáticas.

Além disso, os ministros buscarão operacionalizar os 6,6 bilhões de euros do Fundo Europeu de Apoio à Paz (FEP) que permaneciam bloqueados pela Hungria, com o objetivo de reembolsar os Estados-membros pelo material militar enviado à Ucrânia e, assim, financiar novas capacidades de defesa para Kiev.

DEBATE SOBRE O COMÉRCIO COM ASSENTAMENTOS NA CISJORDÂNIA

A situação no Oriente Médio será tema de outro dos debates entre os ministros sobre o estado das hostilidades no Irã e na região do Golfo, e servirá para fazer um balanço dos contatos e da coordenação com os países parceiros.

Também discutirão o apoio da União Europeia ao Líbano, com foco na conclusão iminente das operações da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL). Está previsto que sejam analisadas propostas como o envio de uma missão europeia para aquele país ou a concessão de fundos às Forças Armadas libanesas no âmbito do FEP, no valor de 100 milhões de euros.

No entanto, será a questão relativa a Israel e à Palestina que atrairá mais atenção, já que os ministros pretendem analisar uma proposta para proibir ou limitar o comércio com os assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia, um ponto que gera forte divisão jurídica e política, segundo indicaram outras fontes diplomáticas.

A controvérsia reside na base jurídica da medida: se for tratada como parte da Política Externa e de Segurança Comum (PESC), a decisão exigiria a unanimidade dos Vinte e Sete, enquanto que, se for considerada uma medida de política comercial, poderia ser aprovada por maioria qualificada.

Paralelamente, os ministros avaliarão a possibilidade de incluir na lista de sancionados os ministros israelenses Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich, embora as fontes diplomáticas admitam que há poucas probabilidades de que esse ponto alcance o consenso necessário na segunda-feira, uma vez que a República Tcheca, a Bulgária e a Hungria se opõem.

SEGURANÇA NAS RELAÇÕES COM A CHINA

Para encerrar o CAE, os ministros se concentrarão nos aspectos de política externa e segurança das relações da UE com a China, bem como na dependência da indústria de defesa em relação a atores chineses ou nas cadeias de abastecimento da indústria de defesa e sua dependência do gigante asiático.

Espera-se ainda que abordem informações dos serviços de inteligência da UE que indicam que Pequim treinou soldados russos, alguns dos quais foram posteriormente destacados para a frente de guerra na Ucrânia, conforme informaram na sexta-feira altos funcionários do Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE).

De acordo com essas mesmas fontes, o treinamento foi realizado em várias instalações em território chinês e teria envolvido “centenas” de soldados russos, alguns dos quais teriam acabado combatendo na invasão da Ucrânia, “contra os interesses coletivos” da União Europeia.

QUESTIONAMENTO DO PAPEL DE KALLAS

A reunião ocorre em um momento em que se debate a eficácia do SEAE, já que há países como a França que expressaram sua insatisfação com o funcionamento da diplomacia europeia, enquanto outros Estados-membros reconhecem as dificuldades que Kaja Kallas enfrenta no cargo.

Entre elas, segundo fontes diplomáticas indicaram à Europa Press, estão as limitações decorrentes da unanimidade, ou seja, a exigência de que os 27 Estados-Membros cheguem a um consenso sobre uma mesma posição. Há também outras, como a repartição de competências entre as instituições europeias e o atual contexto internacional, marcado por um parceiro transatlântico, os Estados Unidos, com quem já não há o entendimento que costumava haver há alguns anos.

Kallas tem estado no centro das críticas nos últimos meses por sua ênfase marcante na resposta europeia à invasão russa da Ucrânia, enquanto alguns Estados-Membros questionaram a falta de iniciativa em outros cenários, como o Oriente Médio, em pleno debate sobre o papel que o serviço diplomático da UE deve desempenhar.

Na sexta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apoiou o trabalho da Alta Representante, argumentando que o SEAE faz parte das instituições que executam as políticas da UE e, portanto, lhe presta seu apoio, conforme indicou em uma coletiva de imprensa em Bruxelas a porta-voz-chefe do Executivo comunitário, Paula Pinho.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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