Abed Rahim Khatib/dpa - Arquivo
BRUXELAS 23 jul. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia observa a "grave situação humanitária" na Faixa de Gaza, onde menos de cem caminhões por dia entram para entregar ajuda humanitária, alimentos e medicamentos, apesar do acordo assinado com Israel há duas semanas para melhorar substancialmente o acesso humanitário.
Em sua primeira avaliação aos Estados membros sobre a implementação do pacto com Israel, a Comissão Europeia e o Serviço de Ação Externa da UE informaram que pouco mais de mil caminhões entraram na Faixa desde o acordo, disseram fontes diplomáticas à Europa Press, deixando menos de cem caminhões entrando na Faixa por dia.
Informações de agências internacionais indicam um aumento significativo no número de caminhões que entram em Gaza, embora a falta de pontos de entrada e a insegurança compliquem a entrega de carga humanitária e a distribuição de alimentos, explicaram fontes europeias consultadas pela Europa Press. Até agora, a UE estimava que cerca de 80 caminhões passavam diariamente pela Faixa, embora não tenha pessoal no local e dependa de relatórios de terceiros.
Na discussão em nível de embaixadores, os Estados membros da UE expressaram sua "profunda preocupação" com a deterioração da crise, que continua a piorar apesar do acordo, e enfatizaram que, dada a evolução "insuficiente" do acesso humanitário, é necessária uma rápida melhora na situação.
Diante desse cenário, e depois que a Alta Representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, alertou Israel sobre uma possível retaliação caso ele não cumpra seus compromissos, vários estados-membros pediram que a Comissão Europeia apresentasse um acompanhamento concreto do documento de opções apresentado em junho, no qual a Alta Representante propôs várias sanções contra Israel.
As fontes consultadas apontam que o debate tornou-se novamente "acrimonioso" entre os que são a favor de retaliar as autoridades israelenses, como a Espanha e a Irlanda, e os que pedem tempo para que Israel implemente o acordo, como a Alemanha e a Hungria. Os embaixadores da UE voltarão a discutir o assunto na próxima semana.
Na terça-feira, a UE classificou como "indefensável" a morte de civis em Gaza que aguardavam ajuda humanitária e, em novos contatos com Israel, alertou sobre possíveis represálias caso o país não cumpra seus compromissos de melhorar a situação na Faixa.
O bloco europeu chegou a um acordo com Israel para tomar medidas para melhorar a situação humanitária na Faixa e permitir a entrega de ajuda humanitária "em grande escala", após contatos entre o chefe da diplomacia europeia e o governo de Benjamin Netanyahu.
A UE então indicou que as medidas seriam tomadas "nos próximos dias" com base no entendimento mútuo de que a assistência deve ser entregue "em larga escala", enquanto medidas também serão tomadas para evitar que o Hamas sequestre a assistência. A UE não esclareceu em nenhum momento as quantidades de ajuda humanitária ou os cronogramas acordados com Israel para melhorar a situação no local e definiu a reunião informal dos ministros das Relações Exteriores no final de agosto como o momento para avaliar a evolução da crise.
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