BRUXELAS, 14 jul. (EUROPA PRESS) -
A União Europeia abriu nesta terça-feira mais um grupo de capítulos para a adesão da Ucrânia e da Moldávia, o sexto, relativo às relações externas, apenas um mês após o início das negociações formais para a integração de Kiev e Chisinau no bloco comunitário, com a abertura dos chamados capítulos fundamentais.
Durante a terceira reunião da Conferência de Adesão com a Ucrânia e a Moldávia, ambas realizadas hoje em Bruxelas, a UE, a Ucrânia e a Moldávia assinaram a abertura do grupo temático que abrange o comércio e as políticas internacionais, bem como a política externa e de segurança, incluindo os seguintes capítulos de negociação: o capítulo 30, sobre relações externas; e o capítulo 31, sobre política externa, segurança e defesa.
Este é o segundo bloco de capítulos de negociação aberto com esses dois países, após a abertura, em 15 de junho passado, dos capítulos fundamentais, que tratam do Estado de Direito e dos direitos fundamentais, do funcionamento das instituições democráticas, da reforma da administração pública e dos critérios econômicos.
UM MARCO PARA A UCRÂNIA
“A apenas um mês da abertura do grupo 1 e duas semanas após o início da presidência irlandesa, hoje alcançamos mais um marco no processo de adesão da Ucrânia à UE”, comemorou Thomas Byrne, ministro de Assuntos Europeus da Irlanda — país que detém a presidência rotativa do Conselho da UE —, em declarações divulgadas em um comunicado.
Em sua opinião, a abertura do segundo grupo de capítulos demonstra “o compromisso” da Ucrânia em avançar com a maior rapidez possível. “Nestes tempos difíceis, o alargamento representa um investimento estratégico na paz, segurança, estabilidade e prosperidade, tanto para a UE quanto para a Ucrânia”, afirmou.
O vice-primeiro-ministro ucraniano, Taras Kachka, por sua vez, observou que ainda estamos em meados de julho e que, “nesse ritmo”, o avanço “pode ser alcançado literalmente a qualquer momento”. “Sabemos que há unidade entre os Estados-membros; ninguém se opõe à abertura de mais grupos de capítulos”, destacou.
Além do ministro irlandês, participaram do evento a comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, e o vice-primeiro-ministro da Ucrânia, que também esteve presente na abertura do primeiro “cluster” no último dia 15 de junho.
A MOLDÁVIA OFERECE SUA EXPERIÊNCIA À UE
No caso da Moldávia, cujo evento foi realizado horas depois, o ministro irlandês comemorou que o país tenha dado “mais um passo” em direção à sua integração à UE, demonstrando “a importância” que também é atribuída à sua agenda de ampliação por ser “um parceiro confiável para nossa união”.
Em uma coletiva de imprensa posterior, o primeiro-ministro moldavo, Eugen Osmochescu, comemorou o marco e ofereceu a experiência de seu país diante dos “repetidos ataques híbridos” e “violações do espaço aéreo” da Rússia à “segurança da Moldávia, mas também da Europa”.
Essa mesma experiência foi destacada pela comissária para o Alargamento: “A Moldávia já está contribuindo para proteger a segurança europeia; tornou-se um dos países europeus com mais experiência na luta contra as ameaças híbridas às sociedades democráticas”. Por esse motivo, ela afirmou que “uma Europa mais segura inclui a Moldávia”.
AMBOS QUERIAM ABRIR TODOS OS CAPÍTULOS EM JULHO
Com este segundo grupo, a Ucrânia e a Moldávia já abriram sete dos 33 capítulos do processo de adesão e ainda precisariam iniciar as negociações do grupo de capítulos nº 2, sobre mercado interno, o 3º, sobre competitividade e crescimento inclusivo, o 4º, sobre agenda verde e conectividade sustentável, bem como o 5º, sobre recursos, agricultura e coesão.
Kiev e Chisinau manifestaram repetidamente seu desejo de poder abri-los todos antes do fim do mês de julho, quando começa a pausa de verão em Bruxelas. A comissária Kos também indicou, em uma coletiva de imprensa após a assinatura, sua disposição de abrir os demais grupos de negociação “o mais rápido possível”, ressaltando que “todos estão tecnicamente prontos”.
“O progresso da adesão da Ucrânia à UE é muito sólido. Em nenhum âmbito é mais sólido do que no das relações externas. A abertura deste bloco hoje é uma notícia muito boa. Como próximo passo, devemos proceder à abertura dos quatro blocos de negociação restantes o mais rápido possível”, afirmou.
Sobre o progresso da Moldávia, ele destacou que “o país está no caminho certo” e que “fez muito” no campo da reforma judicial, do pluralismo da mídia e do combate à corrupção, algumas das tarefas “mais exigentes” entre os grupos de capítulos.
O ministro irlandês, por sua vez, indicou que, há dois meses, essa “superterça-feira” era “inimaginável”, por isso defendeu que se “faça um balanço” e se valorizem os avanços alcançados até o momento, caso os demais capítulos não sejam abertos antes do fim do mês. “Em nome da presidência irlandesa, continuaremos trabalhando arduamente”, acrescentou.
“SUPERTERÇA-FEIRA” EM BRUXELAS
O secretário de Estado para a União Europeia, Fernando Sampedro, também comemorou essa “superterça-feira”, que concentra em um único dia avanços com quatro países candidatos — Montenegro, Moldávia e Albânia, além da Ucrânia — e destacou que isso é prova de “um novo impulso que a Espanha apoia fortemente”.
Por isso, ele se mostrou confiante de que essa “abordagem baseada em méritos” permita abrir os capítulos de negociação restantes para a Ucrânia e a Moldávia o mais “rápido possível, logo após o verão”, ao mesmo tempo em que descreveu Montenegro como o “aluno mais destacado”, por ter mais da metade dos blocos de negociação abertos, e ressaltou que a Albânia “também está no caminho certo”.
Além da Ucrânia e da Moldávia, outros países candidatos, como Montenegro e a Albânia, realizam nesta terça-feira, na capital da União Europeia, respectivas conferências de adesão com a União Europeia.
No caso de Montenegro, o país mais avançado em seu processo de adesão ao bloco, foram encerrados mais dois capítulos, após ter ultrapassado a metade de seu processo de integração; já a Albânia começará a encerrar seus primeiros capítulos, após tê-los aberto todos em novembro de 2025.
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