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MADRID, 17 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira que manterá o bloqueio ao redor do estreito de Ormuz até que as negociações com o Irã sejam concluídas; conversas que o mandatário norte-americano, ao contrário de Teerã, quis separar do conflito no Líbano, antes de garantir que, em hipótese alguma, desbloqueará ativos iranianos congelados no exterior, como também pedem os negociadores da República Islâmica.
Em uma série de mensagens em resposta ao anúncio inicial das autoridades iranianas sobre sua decisão de abrir o estreito, graças ao cessar-fogo provisório alcançado no Líbano entre Israel e as milícias xiitas do Hezbollah, Trump quis esclarecer que o bloqueio norte-americano no perímetro do estreito “continuará em pleno vigor e efeito” até que a “transação com o Irã”, como descreveu as negociações, “seja concluída a 100%”.
Assim, ele acrescentou que esse processo deveria avançar “muito rapidamente”, pois a maior parte dos pontos de conflito que separam os dois países “já estão negociados”. Essa mensagem sobre a persistência do bloqueio americano no perímetro de Ormuz surge após uma mensagem anterior na qual ele comemorava o anúncio iraniano.
Em seguida, Trump afirmou que “nenhum dinheiro vai mudar de mãos de forma alguma”, pouco depois de fontes americanas terem informado ao site Axios que Washington e Teerã estavam negociando o “descongelamento” de cerca de 15 bilhões de euros em ativos iranianos bloqueados pelas sanções americanas contra o Irã.
“Este acordo também não está sujeito à questão do Líbano, mas os Estados Unidos trabalharão separadamente com o Líbano” no momento de consolidar o cessar-fogo em vigor há algumas horas entre Israel e as milícias do Hezbollah; uma situação que, garantiu Trump, “tratará da maneira apropriada”.
O presidente dos Estados Unidos deu assim sua resposta completa ao anúncio divulgado nesta sexta-feira pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, no qual declarou a reabertura total da passagem, no que diz respeito ao Irã, enquanto durar o cessar-fogo acordado com os Estados Unidos. Vale lembrar que o Irã vinculava o levantamento de suas restrições à navegação no estreito à declaração de um cessar-fogo no Líbano.
“Em consonância com o cessar-fogo no Líbano”, explicou o ministro das Relações Exteriores, “declara-se totalmente aberta a passagem de todos os navios mercantes pelo estreito de Ormuz durante o restante do período de cessar-fogo”, antes de indicar que os navios seguirão a rota “coordenada e já anunciada” com a Organização Portuária e Marítima Iraniana.
Para complicar ainda mais a situação, e visto que o Irã estava abrindo a passagem para navios de países com os quais havia assinado acordos de pedágio, o presidente dos Estados Unidos impôs no último fim de semana um bloqueio perimetral que deixou a zona completamente fechada à navegação; o mesmo que o presidente Trump decidiu manter apesar do anúncio iraniano.
UM ESTREITO "DESMINADO" COM A OTAN FORA DAS OPERAÇÕES
Na mesma série de mensagens desta sexta-feira, o presidente norte-americano anunciou ainda que o Irã, "com a ajuda" de seu país, iniciou o processo para eliminar as minas submarinas que a Guarda Revolucionária iraniana havia espalhado pelo estreito como um obstáculo adicional à navegação.
“O Irã removeu, ou vai remover, todas essas minas”, afirmou o presidente antes de lançar uma última flecha contra a OTAN, após semanas de críticas à Aliança Atlântica, à qual acusou de ficar de braços cruzados durante toda essa crise.
Depois de afirmar que recebeu uma ligação de seus parceiros na organização, Trump deixou bem claro que não quer ter nada a ver com eles nessa situação.
“Agora que a situação no Estreito de Ormuz terminou, recebi uma ligação da OTAN perguntando se precisaríamos de ajuda. Eu disse a eles para ficarem de fora, a menos que queiram apenas encher seus navios de petróleo. Quando foram necessários, eles se comportaram como uns inúteis, como tigres de papel”, concluiu Trump.
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