Samuel Corum - Pool via CNP / Zuma Press / Europa
MADRID, 7 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tem intenção de incluir a possível liberação dos bilhões de euros em fundos iranianos congelados pelas sanções americanas em um possível acordo com Teerã e só abordará essa questão se os iranianos, que exigem o descongelamento dos ativos como condição inapelável, “se comportarem bem” após a assinatura inicial desse pacto, ainda hipotético.
Em entrevista à emissora norte-americana NBC, Trump reiterou que sua prioridade é garantir que o Irã não acabe adquirindo uma arma nuclear, premissa que Teerã já havia aceitado nas negociações, e confirmou mais uma vez que, nas últimas semanas, propôs uma redação adicional que visa reforçar essas garantias: o Irã não só não poderá desenvolver uma arma de destruição em massa, como também não poderá adquirir no exterior o material necessário para fabricá-la.
“Havia uma cláusula que estipulava que eles não desenvolveriam armas nucleares. E todos estavam muito satisfeitos, menos eu. Porque eu me perguntava o que poderia acontecer se, em vez de desenvolver, eles comprassem (uma arma nuclear). Por isso quero incluir o termo ‘comprar’”, explicou.
Trump também insistiu na importância de o Irã entregar ou contribuir para a entrega dos 400 quilos de urânio enriquecido supostamente enterrados sob toneladas de escombros após os bombardeios do verão passado dos EUA e de Israel contra suas instalações nucleares.
“Se chegarmos a um acordo e agora formos amigos, iremos todos juntos. Será nossa equipe. Vamos retirá-lo e destruí-lo, seja no local ou levando-o para fora”, indicou Trump antes de avisar que os Estados Unidos “irão com os iranianos ou sem os iranianos”. Se não houver acordo, como vem repetindo há semanas, as forças armadas americanas entrarão à força.
Por fim, Trump confirmou que o descongelamento dos ativos iranianos está, neste momento, fora de qualquer acordo inicial. “Isso virá depois. Se eles se comportarem bem, se fizerem um bom trabalho, começaremos a dialogar sobre isso”, declarou Trump.
O presidente mostrou-se da mesma opinião sobre a situação no Líbano, que, por enquanto, não faz parte das negociações. Por se tratar de uma entrevista gravada no meio da semana, Trump não comenta o ataque israelense realizado neste domingo contra Beirute, uma violação das condições do cessar-fogo com o Hezbollah renovado esta semana. Vale lembrar que o Irã também condiciona a cessação das hostilidades no Líbano à assinatura de um acordo.
O assessor militar do líder supremo do Irã já comentou nesta sexta-feira que, no que diz respeito a Teerã, as negociações com os Estados Unidos estão paralisadas e que um hipotético acordo dependerá da liberação de uma quantia significativa de ativos iranianos bloqueados no exterior.
O general Mohsen Rezaei, também em entrevista à CNN, chegou a citar um valor: “24 bilhões de dólares (cerca de 20 bilhões de euros) não me parece um preço excessivo para os Estados Unidos se quiserem chegar a um acordo conosco”, afirmou em relação ao dinheiro bloqueado desde que o primeiro governo Trump abandonou, em 2018, o acordo nuclear com o Irã e retomou as sanções contra a República Islâmica.
O presidente Trump aproveitou para elogiar a figura do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Jamenei, sucessor de seu pai Alí, morto por sua vez nos ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, o início da guerra. O presidente dos EUA repetiu, como tem feito nas últimas semanas, a teoria defendida pela inteligência americana de que o aiatolá Mojtaba está gravemente ferido pelos ataques conjuntos.
“Mais jovem. Acho que mais racional. E ferido. Ele está gravemente ferido. Portanto, há uma certa coragem nisso”, declarou o presidente.
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