Publicado 26/03/2025 14:50

AMP - Supremo Tribunal Federal do Brasil acusa Bolsonaro por unanimidade de tentativa de golpe

Bolsonaro se compara à líder da oposição venezuelana Maria Corina Machado e diz que as acusações são "infundadas".

16 de março de 2025, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil: O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) participou neste domingo (16) de um evento com apoiadores na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O principal tema do evento foi a anistia aos condenados p
Europa Press/Contacto/Silvia Machado

MADRID, 26 mar. (EUROPA PRESS) -

O Supremo Tribunal Federal do Brasil concordou por unanimidade em acusar o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete de seus aliados pelos crimes de rebelião e tentativa de golpe de Estado apresentados pelo Ministério Público após os ataques a instituições em Brasília em 8 de janeiro de 2023.

"Há indícios razoáveis que sustentam a denúncia", disse o relator do caso no Supremo Tribunal Federal, o juiz Alexandre de Moraes, que destacou que o ex-presidente brasileiro "conhecia, manuseou e discutiu o rascunho" no qual foi elaborado o plano de golpe, no qual ele também implicou o restante dos réus.

Entre eles estão o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, os ex-ministros da Defesa Walter Braga Netto e Paulo Nogueira, o ex-chefe da Casa Civil Augusto Heleno Ribeiro, o ex-diretor de Inteligência Alexandre Ramagen, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos e um de seus mais próximos aliados e assistentes, o coronel Mauro Cid.

Todos eles fazem parte de uma série de até 34 acusados por diferentes graus de crime, embora a investigação do Ministério Público os coloque como o "núcleo crucial" dos episódios violentos de 8 de janeiro de 2023.

Em sua argumentação, De Moraes mostrou imagens dos eventos violentos daquele dia e refutou a defesa de Bolsonaro de que os participantes eram religiosos e idosos. "Não se vê uma Bíblia". Não foi um "domingo no parque", disse o relator do caso.

"A organização criminosa tomou todas as medidas necessárias para derrubar o governo legitimamente eleito. O objetivo, buscado com todas as forças, não foi alcançado devido a circunstâncias que os acusados não conseguiram superar: a resistência do exército e as medidas de emergência", explicou.

Além de De Moraes, outros quatro desembargadores votaram a favor da acusação: Flávio Dino, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia Antunes, que, ao justificar sua decisão, disse que é preciso voltar antes de 8 de janeiro "para chegar à máquina que tentou desmontar a democracia".

Após a acusação de Bolsonaro e de seus sete associados, será realizada a fase de pré-julgamento, na qual as partes devem reunir provas e colher depoimentos de testemunhas, antes que o tribunal finalmente tome uma decisão. O ex-presidente brasileiro pode pegar até 40 anos de prisão por esses crimes.

RESPOSTA DE BOLSONARO

Bolsonaro não estava presente durante a votação, que preferiu acompanhar por videoconferência do gabinete parlamentar de seu filho Flávio Bolsonaro no Senado, junto com outros aliados.

Em seguida, compareceu à mídia após ser imputado para denunciar que as acusações contra ele são "infundadas" e chegou a se comparar à líder da oposição venezuelana María Corina Machado. "Estamos vivendo em um momento de agitação por causa da criatividade de algumas pessoas", disse ele.

Bolsonaro defendeu o fato de ter dado continuidade à transferência de poder e falou sobre a reunião que facilitou entre o ministro da Defesa, José Mucio, e os então comandantes das Forças Armadas. "Ele me pediu apoio e foi atendido em tudo no dia seguinte", disse, atacando depois a justiça eleitoral.

Quando a votação estava ocorrendo, Bolsonaro usou suas redes sociais para criticar os juízes pela rapidez com que o caso estava sendo desenvolvido e afirmou que esse "teatro processual" busca impedi-lo de concorrer às eleições de 2026, apesar de já ter sido cassado pela Justiça Eleitoral.

O Ministério Público acusou Bolsonaro de tentar impedir que o resultado das eleições presidenciais de 2022 seja cumprido de forma coordenada, embora "o plano" tenha começado em 2021 com outra série de ações e declarações questionando as decisões dos tribunais e a limpeza do sistema eleitoral.

A acusação também apresentou provas da existência de um plano para realizar não apenas um golpe, mas também os assassinatos do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Vice-Presidente Geraldo Alckmin e do Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes no chamado plano "Punhal Verde e Amarelo".

Tudo isso culminou com uma multidão de centenas de apoiadores do ex-presidente brasileiro invadindo a Plaza de los Tres Poderes, atacando e invadindo as sedes do Congresso e do Supremo Tribunal Federal.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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