A. Pérez Meca - Europa Press - Arquivo
SAN LORENZO DEL ESCORIAL (MADRID), 10 (EUROPA PRESS)
O ex-secretário-geral da OTAN e ex-Alto Representante para a Política Externa e de Segurança Comum da União Europeia, Javier Solana, criticou nesta sexta-feira as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula de líderes da Aliança Atlântica em Ancara, na Turquia, e defendeu que a Espanha “está fazendo tudo o que é necessário”.
Foi assim que o ex-ministro socialista se pronunciou em declarações à imprensa antes de participar de um seminário sobre segurança e defesa na União Europeia, nos cursos de verão da Universidade Complutense em San Lorenzo del Escorial, onde afirmou que Trump muda de opinião “com relativa frequência” sobre suas avaliações à Espanha como um “parceiro terrível”, para depois afirmar que o país havia se “redimido completamente”.
Questionado se aquelas palavras tinham sido apropriadas, o ex-líder socialista afirmou que “não são, ainda mais estando na presença do secretário-geral da OTAN”, em referência ao papel questionado do ex-primeiro-ministro holandês Mark Rutte.
Sobre o papel da Espanha na organização militar, Solana o qualificou como positivo, ressaltando que o país está atendendo a todos os apelos de “cooperação internacional e militar”. “Estamos fazendo tudo o que é preciso fazer e acreditamos que podemos fazê-lo. E isso está sendo feito”, afirmou.
DEFESA DA OTAN E RELAÇÕES COM O PÓS-TRUMPISMO
Durante a palestra, conduzida pelo jornalista Xavier Vidal-Folch e pelo professor titular de Relações Internacionais da Universidade Complutense de Madri e diretor do curso, Francisco Aldecoa, Javier Solana defendeu a compatibilidade entre a autonomia estratégica europeia e o compromisso com a OTAN.
Nesse sentido, o ex-secretário-geral da OTAN e ex-alto representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança Comum afirmou que “a OTAN existe e devemos nos empenhar para que continue existindo”, e reconheceu que a Europa não possui “nenhuma defesa aérea”.
Da mesma forma, Solana opinou que os Estados Unidos “não voltarão a ser” o que foram no passado e afirmou que se aproxima um futuro de “pós-Trumpismo”, mas que o sistema internacional não voltará à era anterior à do presidente e magnata norte-americano, sobre quem afirmou que “ele vai fracassar” e que “está cansado”
No entanto, ele criticou certas tendências de “esgrimir” um antiamericanismo e destacou que “é preciso manter um bom relacionamento” com Washington.
Nesse contexto, Solana afirmou que “é preciso olhar para a África” em matéria de política externa, já que “ela pode nos trazer uma surpresa positiva”, e disse que é preciso “respeitar mais” o continente africano.
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