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As forças à esquerda do Partido Socialista pedem votos para Seguro no segundo turno O PSD de Luís Montenegro não pedirá votos para nenhum dos candidatos MADRID 19 jan. (EUROPA PRESS) -
O vencedor do primeiro turno das eleições presidenciais de Portugal, o socialista António José Seguro, quis deixar claro após o dia de domingo que a sua candidatura é “independente”, na qual cabem “todos os democratas, progressistas e humanistas”, em oposição à do líder do Chega, André Ventura, que optou por destacar o revés eleitoral de outras forças conservadoras.
“Esta não é uma candidatura partidária e nunca será”, afirmou Seguro durante a noite eleitoral, na qual, como previsto, a sua foi a mais votada, com mais de 31% dos votos, à frente do líder da extrema direita portuguesa, que obteve 23,5% dos votos.
Seguro dedicou o discurso após o dia eleitoral a insistir no caráter apartidário de sua candidatura. “Sou livre, vivo sem amarras e assim agirei como presidente da República”, disse ele neste domingo à noite diante de seus partidários na localidade de Caldas da Rainha, no oeste de Portugal.
“Voltei para unir os portugueses”, sublinhou Seguro após regressar à primeira linha política depois de perder as primárias de 2014 para António Costa, que mais tarde se tornaria primeiro-ministro e presidente do Conselho Europeu.
Nesse sentido, prometeu que será o presidente de todos, alguém que “nunca” colocará uma parte do país contra a outra. “Não há portugueses bons, nem maus, nem de primeira nem de segunda. Somos todos Portugal”, disse, numa crítica mais do que provável à retórica divisiva de Ventura. O socialista estende assim a mão aos liberais e conservadores de cara ao segundo turno de 8 de fevereiro, para o qual já conta com o apoio das forças à esquerda do Partido Socialista, tal como seus líderes vieram manifestar após o conhecimento dos resultados.
VENTURA REIVINDICA LIDERANÇA DO “ESPAÇO NÃO SOCIALISTA” Por sua vez, Ventura centrou a sua intervenção da noite passada em destacar que, apesar da fragmentação da direita, os portugueses depositaram nele as esperanças de “liderar o espaço não socialista”.
“Num momento de tanta fragmentação, conseguimos demonstrar que fomos capazes de derrotar o candidato do Governo”, comemorou, em alusão a Luís Marques Mendes, quinto nas urnas com uns escassos 11%. No que diz respeito aos restantes candidatos com possibilidades de passar à segunda volta, o liberal João Cotrim de Figueiredo ficou com 16% dos votos. Depois de assumir sua “derrota pessoal”, ele atacou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerando que ele subordinou os interesses do país aos de seu partido, o Partido Social Democrata (PSD), com a candidatura de Mendes. Agora serão os portugueses que terão que decidir no segundo turno entre “opções péssimas”, avaliou Cotrim de Figueiredo. “É provável que tenhamos um presidente da República do Partido Socialista. Isso se deve exclusivamente a um erro estratégico da direção do PSD”, afirmou. Embora alguns líderes da Iniciativa Liberal tenham adiantado que votarão em Seguro, o candidato preferiu, por enquanto, não se manifestar a respeito. Na mesma linha se expressaram os outros dois candidatos conservadores, Marques Mendes e o almirante da reserva Henrique Gouveia e Melo, cujos 12,1% dos votos podem ser decisivos na votação de 8 de fevereiro.
Marques Mendes, grande derrotado das eleições, nem sequer esperou pelo encerramento dos resultados para assumir toda a responsabilidade pelo fracasso eleitoral e descarregar qualquer tipo de culpa no PSD, que não atravessa o seu melhor momento desde que venceu as eleições de 2024, em meio a uma grave crise habitacional e problemas na saúde pública.
O PARTIDO DO GOVERNO NÃO PEDIRÁ VOTOS PARA NENHUM CANDIDATO Embora algumas figuras políticas da direita já tenham adiantado que votarão em Seguro, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, informou na noite de domingo que o PSD não apoiará nenhum dos candidatos. “O PSD não vai participar na campanha eleitoral. Não vamos emitir nenhuma indicação e também não devemos fazê-lo”, afirmou Montenegro, lamentando, no entanto, que a “divisão” dentro do “espaço político” do PSD tenha diminuído as possibilidades de Marques Mendes.
“Os portugueses nos elegeram para governar e é isso que faremos”, concluiu o primeiro-ministro português, que desejou um debate “elevado” durante estas três semanas de campanha e, novamente, uma alta taxa de participação.
As eleições presidenciais serão finalmente decididas na segunda volta, a 8 de fevereiro, após uma primeira volta marcada pela presença recorde de candidatos, onze, e de eleitores registados, mais de onze milhões, bem como por uma abstenção de 38,5%, o que representa uma descida significativa em relação aos 60,7% de 2021.
As eleições desse ano, nas quais Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito, foram realizadas em um dos piores momentos da crise sanitária provocada pela pandemia do coronavírus em Portugal e em meio a uma enorme abstenção de 98% entre os eleitores no exterior devido a uma modificação no cadastro eleitoral.
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