Publicado 08/09/2025 04:56

AMP - Sanchez anuncia embargo de armas por lei a Israel e proibição de entrada de qualquer pessoa envolvida em genocídio

Não será permitida a passagem de navios ou aviões que transportem armas para Israel, nem a compra de mercadorias dos assentamentos.

Ele denuncia que Netanyahu não está defendendo seu país, mas "exterminando" o povo palestino "indefeso".

MADRID, 8 set. (EUROPA PRESS) -

O presidente do governo, Pedro Sánchez, anunciou na segunda-feira um pacote de nove medidas para "deter o genocídio em Gaza, processar seus autores e apoiar a população palestina", incluindo a aprovação de um decreto-lei para formalizar o embargo de armas a Israel e a proibição de entrada na Espanha para os envolvidos diretamente no genocídio.

Em uma declaração sem perguntas em Moncloa, ele denunciou que o que Israel está fazendo na Faixa de Gaza, que começou como uma resposta aos "ataques atrozes do Hamas" em 7 de outubro de 2023, "não está se defendendo, nem mesmo atacando, está exterminando um povo indefeso, está violando todas as leis do direito humanitário".

"Uma coisa é proteger seu país, proteger sua sociedade, e outra bem diferente é bombardear hospitais e matar crianças inocentes de fome", enfatizou o primeiro-ministro, lembrando que já há mais de 63 mil mortos, mais de 159 mil feridos e cerca de 250 mil pessoas em risco de fome.

Na opinião de Sánchez, "a comunidade internacional não está sabendo como deter essa tragédia, talvez porque as grandes potências do mundo tenham ficado entre a indiferença a um conflito que não termina e a cumplicidade com o governo do primeiro-ministro (israelense) (Benjamin) Netanyahu".

A Espanha, enfatizou o presidente, "não tem bombas nucleares, nem porta-aviões, nem grandes reservas de petróleo, nós sozinhos não podemos deter a ofensiva israelense, mas isso não significa que não vamos parar de tentar". "Porque há causas pelas quais vale a pena lutar, mesmo que não esteja em nossas mãos vencê-las", afirmou.

MEDIDAS CONTRA ISRAEL

Foi nesse ponto que ele apresentou o pacote de nove medidas, que "serão implementadas imediatamente". Todas elas se somam às adotadas nos últimos dois anos, em especial o reconhecimento da Palestina como Estado, que, embora não tenham "conseguido deter o massacre", contribuíram para dar um "horizonte mínimo de esperança" ao povo palestino, afirmou.

A primeira delas, que Sumar vem pedindo insistentemente, é "a aprovação urgente de um decreto-lei real que consolide legalmente o embargo de armas a Israel", que vem sendo aplicado de fato desde outubro de 2023 e que "estabelece uma proibição legal e permanente da compra e venda de armas, munições e equipamentos militares a Israel".

Além disso, e como também vem acontecendo durante esse período, todos os navios que transportam combustível destinado às Forças Armadas israelenses também serão proibidos de transitar pelos portos espanhóis, e todas as aeronaves do Estado que transportam material de defesa destinado a Israel não poderão entrar no espaço aéreo espanhol, destacou.

Da mesma forma, "o acesso ao território espanhol também será proibido a todas as pessoas que participarem diretamente do genocídio, da violação dos direitos humanos e dos crimes de guerra na Faixa de Gaza", acrescentou, sem especificar expressamente a quem essa medida afetaria e se incluiria Netanyahu ou qualquer um de seus ministros mais radicais.

Por outro lado, será imposta uma proibição à importação de produtos de assentamentos ilegais na Cisjordânia "com o objetivo de combater essas ocupações, interromper o deslocamento forçado da população palestina e manter viva a solução de dois Estados". De acordo com isso, os serviços consulares prestados aos cidadãos espanhóis que residem nos assentamentos também serão limitados à "assistência mínima legalmente obrigatória".

MAIS APOIO AOS PALESTINOS

Em outras questões, o governo continuará a fortalecer seu apoio à Autoridade Palestina, aumentando o número de tropas na missão de assistência fronteiriça da UE em Rafah - onde há cerca de uma dúzia - e estabelecendo novos projetos de cooperação em áreas como agricultura, segurança alimentar e assistência médica.

Da mesma forma, a contribuição espanhola para a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) será aumentada mais uma vez, com um adicional de 10 milhões de euros, e, finalmente, o orçamento de ajuda humanitária e cooperação para Gaza será aumentado para atingir 150 milhões de euros em 2026.

Depois de listar as medidas, Sánchez reconheceu que "elas não serão suficientes para impedir a invasão ou os crimes de guerra", mas esperava que servissem "para aumentar a pressão sobre o primeiro-ministro Netanyahu e seu governo, para aliviar parte do sofrimento que a população palestina está suportando e também para que a sociedade espanhola como um todo saiba e sinta que, diante de um dos episódios mais infames do século XXI, seu país, a Espanha, estava do lado certo da história".

O presidente também quis deixar claro em seu discurso que a Espanha "sempre apoiará o direito de Israel de existir, de garantir sua segurança e de prosperar", condenando mais uma vez os ataques do Hamas. Além disso, ele começou seu discurso reconhecendo que "o povo judeu sofreu inúmeras injustiças ao longo da história, incluindo a mais atroz de todas, que foi o Holocausto".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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