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MADRID, 9 abr. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está “claramente decepcionado” com “muitos aliados” da Aliança Atlântica, após ter mantido uma reunião nesta quarta-feira com o mandatário norte-americano na qual, segundo ele, transmitiu que “a grande maioria” dos países europeus tem “colaborado” com seu país, após semanas de críticas da Casa Branca às restrições e relutâncias de parceiros como a Espanha ou a França em relação às operações militares americanas contra o Irã.
“Ele está claramente decepcionado com muitos aliados da OTAN e eu entendo seu ponto de vista, mas também pude salientar que a grande maioria dos países europeus colaborou com o estabelecimento de bases, logística, sobrevoos e garantindo o cumprimento de seus compromissos”, afirmou Rutte em entrevista à CNN, após a referida reunião.
Nessa linha, o chefe da OTAN quis enfatizar que essa “grande maioria” de países europeus, incluindo a França, “cumpriu o que se comprometeu a fazer em um caso como este”, por isso reivindicou a Europa como uma "plataforma de poder para os Estados Unidos que esteve em pleno funcionamento nas últimas duas semanas", embora, como admitiu, "nem todos os países europeus tenham cumprido esses compromissos".
Rutte foi além, garantindo que “os aliados da OTAN estão de acordo” com Trump quanto ao objetivo de “eliminar” a “capacidade nuclear e de mísseis balísticos dos iranianos”, na medida em que, defendeu, “eles representam um grande risco para a Europa e são uma questão de sobrevivência para Israel e o Oriente Médio”. Por isso, destacou, “o mundo inteiro está mais seguro (agora) graças ao fato de que este presidente (dos Estados Unidos) está reduzindo essas capacidades”.
No entanto, essa declaração de apoio aos Estados Unidos contrasta com as palavras proferidas pelo chefe do Executivo norte-americano logo após o encontro com o chefe da OTAN, na medida em que, segundo afirmou em sua rede social, a Aliança Atlântica “não estava lá” quando o país precisou dela e, previu, “também não estará” quando voltar a precisar dela.
ATENTOS AO ESTREITO DE ORMUZ
Durante a entrevista, o secretário-geral foi questionado sobre a situação atual do Estreito de Ormuz, enclave estratégico que liga os golfos Pérsico e de Omã, cuja “passagem segura”, mas coordenada com as Forças Armadas do Irã, foi anunciada nesta terça-feira pelo Irã, que mantinha um bloqueio em retaliação à ofensiva conjunta lançada pelos Estados Unidos e Israel no final de fevereiro.
A esse respeito, Rutte considerou que será nos “próximos dias” que se saberá o que ocorre nessa passagem que, ressaltou, é “crucial” para os europeus, bem como para países asiáticos como Japão, Austrália, Tailândia ou Filipinas.
“Por isso, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reuniu esta semana a coalizão (de países que trabalham para reabrir Ormuz), garantindo que, ao responder às perguntas sobre o quê, onde e quando, no que diz respeito ao estreito de Ormuz, possamos agir de forma coletiva”, explicou.
Nesse sentido, vale ressaltar que foi o Reino Unido que se posicionou como líder de uma iniciativa para restabelecer a navegação por essa importante passagem, após convocar, na semana passada, mais de 40 países para uma reunião a fim de discutir quais medidas devem ser implementadas.
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