O secretário de Estado dos EUA declara em Munique o fim da “ilusão” das democracias liberais e da regulação da ordem internacional MADRID 14 fev. (EUROPA PRESS) -
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, propôs neste sábado às potências europeias que se inscrevam na compreensão nacionalista do mundo defendida pelo presidente Donald Trump e abandonem de uma vez por todas o “engano” que representaram durante décadas as democracias liberais, a ordem internacional baseada em regras e as políticas que elas acarretaram, para dar lugar a uma aliança transatlântica “revitalizada”.
O colapso da União Soviética e o fim da política de blocos, comentou Rubio, um dos convidados de destaque da Conferência de Segurança Internacional que se realiza este fim de semana na cidade alemã de Munique, levou ao surgimento desta “ideia absurda” que levou à adoção de “uma visão dogmática do comércio livre e sem restrições” e à apaziguamento de “um culto climático” que só resultou no “empobrecimento da sociedade”. “E na busca por um mundo sem fronteiras, abrimos nossas portas a uma onda de migração maciça sem precedentes que ameaça a coesão de nossas sociedades, a continuidade de nossa cultura e o futuro de nossos povos. Cometemos esses erros juntos. E agora, juntos, devemos ao nosso povo enfrentar esses fatos e seguir em frente”, lamentou o secretário de Estado. “Queremos que a Europa seja forte. Acreditamos que a Europa deve sobreviver, porque as duas grandes guerras do século passado serviram como um lembrete constante da história de que, em última análise, nosso destino está e sempre estará entrelaçado com o de vocês”, afirmou.
UMA NOVA ESTRUTURA Sem abandonar completamente a estrutura atual de relações, Rubio apelou a uma reforma integral das instituições internacionais, começando pelas Nações Unidas (uma organização com “potencial”, segundo Rubio, mas que “não tem respostas e, neste momento, praticamente não desempenha qualquer papel”), marcada pelo facto fundamental de que os interesses particulares dos Estados devem ter prioridade absoluta.
“Não podemos mais antepor a chamada ordem global aos interesses vitais de nosso povo e de nossos povos”, declarou o secretário de Estado no mesmo fórum em que, há um ano, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, apresentou em um discurso explosivo a posição do governo e seu pesar pelo que descreveu como uma derrota dos valores históricos europeus.
Sem chegar aos extremos de Vance e com uma atitude mais conciliadora, Rubio voltou a salpicar seu discurso com termos como “cultura nacional”, “herança”, “valores cristãos” ou “declínio da civilização ocidental”, daí sua proposta de uma “aliança baseada no reconhecimento de que o Ocidente herdou algo comum, distinto e insubstituível, porque, afinal, esse é o próprio fundamento do vínculo transatlântico”. Ao contrário de Vance, Rubio indicou que os Estados Unidos são fruto da história europeia. “Somos filhos da Europa”, afirmou o secretário de Estado em uma revisão histórica da influência da Europa na construção do país, alicerce desta nova aliança, com menção incluída à Espanha como local de nascimento “do romance” de seu país “com o arquétipo do vaqueiro que se tornou sinônimo do Oeste americano”.
“Queremos aliados que se orgulhem de sua cultura e herança, que compreendam que somos herdeiros da mesma grande e nobre civilização e que, junto conosco, estejam dispostos e sejam capazes de defendê-la”, proclamou o secretário de Estado.
“Agindo juntos dessa maneira, não apenas contribuiremos para recuperar uma política externa sensata, mas também nos devolverá uma identidade clara”, propôs Rubio, “e recuperará nosso lugar no mundo, para dissuadir as forças de destruição da civilização que hoje nos ameaçam”.
“Temos que nos orgulhar do que conquistamos juntos no século passado, mas agora devemos enfrentar e aproveitar as oportunidades de um novo século. Porque o ontem já passou. O futuro é inevitável. E nosso destino, juntos, nos espera”, concluiu o secretário de Estado.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático