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MADRID, 9 jun. (EUROPA PRESS) -
Reino Unido, França, Austrália, Canadá e Noruega anunciaram nesta terça-feira ações conjuntas para impor sanções contra colonos israelenses extremistas e violentos diante da deterioração da situação na Cisjordânia, denunciando que, até agora, eles têm agido com “impunidade quase total”.
“Os ministros das Relações Exteriores da Austrália, Canadá, França, Noruega e Reino Unido, adotamos medidas coordenadas para impor sanções e outras ações destinadas a responsabilizar os colonos extremistas pelos horríveis níveis de violência exercida contra civis palestinos”, indicou uma nota conjunta desses países.
Este grupo de países, que reconheceu recentemente o Estado da Palestina, denuncia a violência dos colonos, que a utilizam de forma instrumental para “deslocar os palestinos, destruir propriedades e perpetuar a expansão ilegal dos assentamentos”. Dessa forma, criticam, prejudicam a viabilidade do Estado da Palestina e as perspectivas de uma coexistência pacífica.
"Por muito tempo, os colonos violentos puderam agir com quase total impunidade, enquanto a expansão dos assentamentos e a criação de novos postos avançados continuam com o apoio e a facilitação do Governo de Israel”, lamentaram esses países, que denunciam ainda que esses grupos extremistas muitas vezes são protegidos pelas forças de segurança israelenses.
Dessa forma, eles apontam diretamente para o governo de Israel e pedem que “adote medidas para garantir uma prestação de contas efetiva pela violência na Cisjordânia”. "O Governo de Israel deve garantir que cada ataque seja investigado de forma rápida e exaustiva, agir contra os postos avançados e as organizações que permitem que a violência prospere, e pôr fim à incitação à violência", concluíram.
O comunicado termina com a reafirmação de que a paz só será alcançada “por meio da implementação da solução de dois Estados”, pelo que o Reino Unido, a França, a Austrália, o Canadá e a Noruega prometem “continuar trabalhando para alcançar esse objetivo”. "Estamos preparados para adotar novas medidas caso o governo de Israel não tome com urgência as medidas necessárias para lidar com a situação no terreno", indicou a nota conjunta.
ISRAEL QUALIFICA AS SANÇÕES DE "VERGONHOSAS"
Pouco depois, o governo de Israel se pronunciou rejeitando “categoricamente” medidas que qualificou de “vergonhosas”, incluindo a decisão tomada nesta mesma terça-feira pela França de proibir a entrada no país do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, por “promover ativamente a anexação da Cisjordânia” e impulsionar a construção de assentamentos em território palestino, entre outras ações.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel expressou essa posição em um comunicado divulgado em suas redes sociais, onde atribuiu as sanções à "tentativa de impor uma postura política sobre o direito dos judeus de viver na Terra de Israel e sobre o conflito israelo-palestino, disfarçada de medidas contra a violência".
Israel invocou o antissemitismo, afirmando que o que os governos desses cinco países “têm em comum é seu fracasso retumbante no combate ao antissemitismo que impera em seus próprios países”. “Políticas anti-israelenses do tipo das adotadas hoje servem apenas para alimentar esse antissemitismo”, afirmou.
Nessa linha, o Ministério criticou o fato de nenhum deles ter tomado medidas contra “a política da Autoridade Palestina de pagar salários a terroristas (‘pagar para matar’) e a incitação à violência”, uma expressão empregada por autoridades, líderes e alguns meios de comunicação israelenses para se referir aos fundos concedidos pelas instituições palestinas para ajudar as famílias dos presos nas prisões de Israel.
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