Abed Rahim Khatib/dpa - Arquivo
MADRI, 21 ago. (EUROPA PRESS) -
As autoridades do Reino Unido, do Canadá e da Austrália afirmaram nesta sexta-feira que consideram “vergonhosa” a recusa de Israel em abrir uma investigação criminal sobre o bombardeio, em abril de 2024, ao comboio humanitário da World Central Kitchen (WCK) em Gaza, onde morreram sete trabalhadores humanitários, entre os quais havia cidadãos dos três países.
“Nos mais de dois anos que se passaram desde então, temos pressionado para que Israel investigue o caso de forma rápida e exaustiva e exija que os culpados respondam por seus atos. O anúncio das Forças de Defesa de Israel (IDF), em 19 de agosto de 2026, de que não conduziriam investigações criminais sobre esse ataque, sem fornecer mais explicações, é vergonhoso”, denunciaram em um comunicado conjunto.
Nesse sentido, os três países destacaram que Israel tornou pública sua decisão de não investigar o ataque em uma data em que se comemora o Dia Mundial da Ajuda Humanitária, “enquanto o mundo prestava homenagem à coragem e ao sacrifício dos trabalhadores humanitários”, o que, segundo eles, “foi especialmente atroz”.
“Essa decisão é insuficiente e chega tarde demais. As vítimas desse incidente e suas famílias merecem justiça e que os responsáveis prestem contas, e continuaremos buscando respostas em nome delas”, afirmaram, em um comunicado no qual lamentaram que o ataque ao comboio da WCK seja “um dos inúmeros” incidentes perpetrados pelo Exército israelense na Faixa de Gaza pelos quais “não se exigiu prestação de contas”.
O Reino Unido, o Canadá e a Austrália lembraram que o enclave palestino “continua sendo o lugar mais mortal” para os trabalhadores humanitários, que “continuam arriscando suas vidas” para ajudar a população civil; afinal, 186 foram assassinados no ano passado.
A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, condenou a decisão e ressaltou que “continuará pressionando para que os responsáveis” por aquele ataque, no qual morreu um cidadão canadense, Jacob Flickinger, sejam levados à justiça.
Assim, ela declarou em um comunicado que ocorreram “graves falhas” na execução do ataque em questão contra o comboio da ONG do chef espanhol José Andrés. “É necessário que haja justiça para os sete trabalhadores mortos e seus familiares”, destacou.
“Encerrar o caso sem maior prestação de contas deixa suas famílias sem as respostas que vêm buscando há mais de dois anos. Os trabalhadores humanitários que entregam alimentos e ajuda vital em zonas de conflito devem ser protegidos”, ressaltou. “O Canadá espera que o Direito Internacional seja respeitado”, acrescentou.
Suas declarações foram feitas depois que o Ministério Público Militar de Israel descartou a abertura de uma investigação, ao considerar que o ocorrido não constitui um crime na esfera penal.
No entanto, as próprias forças de segurança admitiram, em sua investigação interna, que várias falhas graves levaram os soldados a acreditar erroneamente que um combatente do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) viajava com o comboio, mas argumentaram que a WCK não informou o Exército sobre a presença de pessoal de segurança armado no comboio, que, além disso, se desviou da rota acordada.
ISRAEL AFIRMA QUE JÁ TOMOU “MEDIDAS DISCIPLINARES”
O governo de Israel respondeu nesta sexta-feira defendendo que foram as autoridades fiscais militares “independentes” que decidiram não abrir uma investigação, “com base em rigorosas considerações profissionais e jurídicas”.
A medida, assegurou o Ministério das Relações Exteriores, “baseia-se no critério legal exigido para iniciar uma investigação criminal, que se aplica quando há suspeita razoável de conduta criminosa”.
O Ministério das Relações Exteriores defendeu ainda que o Ministério da Defesa já tomou “importantes medidas disciplinares e de comando” após uma investigação iniciada, conforme destacou, “imediatamente” após o ataque.
“Israel, profundamente comprometido com o Direito Internacional, submete suas operações militares a um rigoroso escrutínio jurídico, incluindo normas que superam as aplicadas por muitas forças armadas ocidentais em conflitos recentes”, afirmou.
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