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MADRID, 5 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira que “não vê sentido” em se reunir pessoalmente com seu homólogo ucraniano, Volodimir Zelenski, em resposta a uma carta aberta na qual este propôs um encontro em um país neutro para chegar a um acordo de paz que ponha fim à guerra, e enviou palavras de ânimo às tropas russas na linha de frente. “Continuem trabalhando”, disse ele.
Putin foi inicialmente evasivo durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF) ao ser questionado sobre a recente carta de Zelenski, na qual o presidente ucraniano deixava claro que a Europa deveria fazer parte do processo de paz e que Kiev estava “pronta” para assumir um cessar-fogo durante as negociações.
“Nunca me recusei, mas reunir-se, como se costuma dizer, é dar voltas; sei disso porque já passei por isso. Acho que há uma referência (na carta) aos acordos de Minsk”, indicou o presidente russo, acrescentando que “não vê sentido” no encontro por enquanto.
Assim, ele garantiu que “o único objetivo para a parte ucraniana” dessa eventual reunião é “deter o avanço” das tropas russas. “Precisamos de acordos não para seis meses, nem para três meses, mas de uma perspectiva histórica de longo prazo”, argumentou.
ANIMA AS TROPAS RUSSAS: "TODO O PAÍS ESTÁ DE OLHOS NELES"
Putin também exortou as tropas russas a "trabalharem". “Camaradas soldados e marinheiros, suboficiais e oficiais, almirantes e generais: todo o país está de olho em vocês, todo o país tem orgulho de vocês e tem esperança”, afirmou.
Por outro lado, ele instou Zelenski a “não ter medo” de realizar eleições no país. “Vocês devem ir às urnas, não ter medo de ir e agir sempre dentro da lei; porque exercer o poder fora da Constituição é chamado de usurpação de poder, um crime penal”, destacou.
Nesse sentido, ele repreendeu Zelenski por suas más maneiras, lembrando-o de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve que “discipliná-lo” durante a famosa reunião em que o acusou de promover uma “Terceira Guerra Mundial”.
“Todos vimos como Donald, diante do mundo inteiro, se dedicou a repreender o autor desta carta e a criticar sua vestimenta. Como podem ver, projetar constantemente ‘Rambo: First Blood’ pode ser apropriado em alguns lugares, é claro, mas não em todos”, afirmou.
Putin garantiu que já havia conversado durante a cúpula de Anchorage, no estado do Alasca, com Trump sobre se “as coisas teriam sido diferentes” se o magnata estivesse no poder no momento em que a guerra eclodiu. “Acredito que, se Trump fosse presidente naquela época, se não tivessem roubado as eleições dele, se ele estivesse no poder, talvez isso realmente não tivesse acontecido”, argumentou.
Por outro lado, Putin também afirmou que os ataques das Forças Armadas ucranianas contra a usina nuclear de Zaporizhia representam uma ameaça para a própria Europa. “Os europeus que apoiam qualquer ação do atual regime de Kiev deveriam refletir cuidadosamente sobre isso e considerar sua própria segurança”, disse ele, acrescentando que as forças ucranianas “perderam completamente a cabeça” ao atacar diretamente o reator.
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